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Raio-X das Eleições 2026 · Análise eleitoral

O 2º turno: como Lula virou

Como Lula saiu de 2,2 milhões de votos atrás no 1º turno para vencer por 4,4 milhões: o resultado, os mapas por município, o comparecimento, a mobilização e as redes, a Meta, os debates, as pesquisas e a primeira medição da prorrogação até as 19h. Leitura de 26 de outubro de 2026, com a totalização completa do TSE.

Cada seção traz selos que dizem de onde vêm os números: calculadoconta feita pela Henrichs com dado oficial, que qualquer pessoa pode refazer. estimadodado oficial com uma suposição no caminho, descrita na própria seção. reportadoinformação de imprensa ou de terceiros, com a fonte citada. indicativoleitura da Henrichs a partir dos dados, não é medição.

Elaborado por Pedro Paulo Henrichs Neto, fundador e CEO da Henrichs Consultoria · 26 out. 2026

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil. Lula encerra a campanha do 2º turno na Avenida Paulista, 24/10/2026.

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Quem fez esta análise

Pedro Paulo Henrichs Neto

Fundador e CEO da Henrichs Consultoria, responsável por esta análise
20+
anos de atuação junto ao poder público federal

Pedro Paulo Henrichs Neto é fundador e CEO da Henrichs Consultoria, de Brasília, especializada em relações institucionais e governamentais, acompanhamento do Legislativo e do Executivo federal e inteligência de dados públicos.

Esta análise junta essa experiência à leitura dos resultados oficiais do TSE, município por município e boletim por boletim, das pesquisas registradas e da cobertura da imprensa.

Gestão pública

Foi chefe de gabinete de deputado federal na Câmara dos Deputados (2018) e subsecretário de Participação Social do Governo do Distrito Federal (2011 a 2013).

Sistema financeiro

Começou a carreira no Banco do Brasil, como escriturário (2004 a 2006), e foi assessor técnico e político do Sindicato dos Bancários de Brasília (2006 a 2010).

Eleições e atuação internacional

Foi observador eleitoral internacional credenciado em mais de 20 eleições nas Américas, na Europa e na Ásia, e presidiu o Fórum de Juventude dos BRICS (2014 a 2016).

Formação

Graduado em Gestão Pública pelo IESB e mestrando em Ciência Política e Relações Internacionais no IDP. Concluiu em 2026 a formação internacional em inovação, liderança, conformidade e gestão de risco da Escola de Management da Sorbonne (Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne).

Dados e tecnologia

A Henrichs Consultoria desenvolve sistemas próprios de acompanhamento legislativo e painéis de inteligência sobre dados públicos, usados na produção desta análise.

Responsável: Pedro Paulo Henrichs Neto · Henrichs Consultoria · henrichsconsultoria.com.br · contatoconsultoria@proton.me
Síntesecalculado

Lula virou 6,66 milhões de votos em três semanas e é o primeiro a vencer depois de perder o 1º turno

Resultado
51,79%
Lula, 64.256.232 votos. Flávio, 48,21% (59.826.041).
Margem
+4,43 mi
Era −2,22 mi no 1º turno. Ganho de 6,66 mi na margem.
Votos novos
73,6%
Parte de Lula nos 14,1 mi de votos que entraram na disputa (+10,38 mi contra +3,72 mi).
Abstenção
19,22%
Era 21,08%. Cerca de 2,96 mi de votantes a mais, a menor abstenção de 2º turno desde 2006.
Onde. Lula cresceu nas 27 UFs e nas 27 capitais. Minas foi a única UF que virou (50,43%). O Sudeste passou de −5,66 mi para −2,81 mi; o Nordeste, de +11,10 mi para +13,65 mi.
Como. Terceiros, comparecimento e voto válido, puxados por mobilização: canal de WhatsApp com mais de 10 mi, eleitores viajando para votar e abstenção em queda sobretudo no Sudeste urbano.
O que vem. Flávio não reconhece o resultado e anunciou pedido de anulação, centrado na prorrogação até as 19h. O governo começa com o PL dono da maior bancada na Câmara e no Senado.
I. O resultadocalculado

O placar, turno a turno

1º turno (4/10)2º turno (25/10)Variação
Lula53.879.538 (45,16%)64.256.232 (51,79%)+10.376.694
Flávio Bolsonaro56.104.503 (47,03%)59.826.041 (48,21%)+3.721.538
Demais candidatos9.316.747–−9.316.747
Brancos e nulos5.975.0474.153.801−1.821.246
Comparecimento125.275.835 (78,92%)128.236.074 (80,78%)+2.960.239
Abstenção33.469.244 (21,08%)30.509.005 (19,22%)−2.960.239
Margem de Lula−2.224.965+4.430.191+6.655.156

Fonte: TSE, arquivos oficiais de resultado, totalização de 100% das 499.248 seções, com o exterior.

Inédito. Nas sete disputas presidenciais decididas em dois turnos desde 1989, venceu sempre quem liderou a primeira votação. Desta vez, não.
Maior vitória petista desde 2010. A margem de 4,43 mi é o dobro da de 2022 (2,14 mi) e o total de Lula, 64,26 mi, é o maior já recebido por um candidato no país.
A apuração. Lula abriu à frente, Flávio passou a liderar no início da contagem e Lula retomou a ponta com cerca de 48% das seções totalizadas, para não perder mais. Com 91,95% das seções, a vitória já era matemática.
I. O resultadocalculado

Uma virada sem precedente, com a abstenção indo contra a série

Votos válidos do vencedor no 2º turno presidencial, 1989 a 2026 (TSE).

Oito segundos turnos, uma virada. De 1989 a 2022, quem liderou a primeira votação levou a faixa. Em 2026, Flávio liderou com 47,03% e perdeu. A margem de Lula (3,58 pontos) é maior que a de 2022 (1,80) e que a de Dilma em 2014 (3,28).

Abstenção no 1º e no 2º turno das eleições presidenciais, 2002 a 2026 (TSE). Rótulo: variação entre os turnos.

A série quebrou de vez. Até 2018, o 2º turno sempre teve mais abstenção que o 1º, de 1 a 3 pontos a mais. Em 2022 caiu 0,36 ponto; em 2026, 1,86 ponto, a maior queda da série e a primeira vez que o 2º turno fica abaixo de 20% desde 2006.
II. A conta da viradacalculadoestimado

De onde vieram os 14,1 milhões de votos que entraram na disputa

9,32 mi2,96 mi1,82 mi■ terceiros no 1º turno ■ comparecimento a mais ■ brancos e nulos a menosLula +10,38 miFlávio +3,72 mi

Entre os turnos, Lula e Flávio somaram juntos 14,10 mi de votos a mais. A conta fecha exatamente com três fontes: os 9,32 mi dados aos demais candidatos no 1º turno, 2,96 mi de eleitores que passaram a comparecer e 1,82 mi que deixaram de votar em branco ou nulo.

Desse total, Lula levou 73,6%. Ele sozinho somou mais votos novos (10,38 mi) do que todos os eliminados juntos tinham recebido.

Quem levou o quê (estimativa). Um modelo ecológico sobre os 5.570 municípios atribui a Lula cerca de 60% dos votos dos terceiros e cerca de 66% do comparecimento novo. É associação entre territórios, não transferência individual medida, e serve como ordem de grandeza.
O que isso quer dizer. A virada não veio de uma fonte só. Sem os terceiros, Lula não empatava; sem o comparecimento e a queda do voto inválido, não abria 4,4 mi. Os apoios formais a Flávio no 2º turno (Republicanos, Novo, União Brasil, PP e Tarcísio de Freitas) não se converteram em votos na mesma proporção.
Comparação com a véspera. O estudo nacional do Raio-X estimava que faltavam a Lula cerca de 2 milhões de votos líquidos de quem havia faltado ou anulado. Vieram 4,78 mi de votos a mais entre comparecimento e queda de inválidos.
II. A conta da viradacalculado

A composição dos votos novos muda de região para região

RegiãoTerceiros no 1º turnoVotantes a maisInválidos a menosLula + / Flávio + (mil)
Sudeste4.343 mil+1,61 mi788 mil+4.800 / +1.945
Nordeste1.811 mil+827 mil716 mil+2.956 / +398
Sul1.514 mil+519 mil167 mil+1.333 / +867
Centro-Oeste988 mil+199 mil55 mil+771 / +470
Norte632 mil−238 mil94 mil+474 / +14
Exterior30 mil+40 mil1 mil+43 / +28
Sudeste: volume. Lá estavam 4,34 mi dos 9,32 mi de votos dos terceiros e apareceram 1,61 mi de votantes a mais. Lula ficou com 71% do que entrou, contra 29% de Flávio.
Nordeste: quase tudo para Lula. 88% dos votos novos da região foram para Lula; Flávio somou só 0,40 mi.
Sul e Centro-Oeste: mais equilibrado. Flávio levou cerca de 4 em cada 10 votos novos, o suficiente para segurar as duas regiões, mas não para impedir a virada nacional.
Norte: menos gente votando. O comparecimento caiu 238 mil; Flávio ficou praticamente parado (+14 mil) e Lula cresceu 474 mil.
Modelo ecológico por região. A parte estimada dos terceiros que foi a Lula vai de 40% no Sul a 83% no Norte (78% no Nordeste, 54% no Sudeste). Nos votantes novos o coeficiente fica perto de 1 ou acima, sinal de que Lula também tirou votos de quem tinha ido de Flávio, o que o modelo não separa.
III. Territóriocalculado

O mapa do 2º turno: Lula ao Norte, Flávio no Centro-Sul

Dois Brasis, com fronteiras móveis. Lula venceu em 2.875 municípios e Flávio em 2.695. O vermelho cobre o Nordeste inteiro (Lula ganhou nos 9 estados, com 24,45 mi de votos contra 10,80 mi), o Amazonas, o Pará e o Amapá; o azul domina o Centro-Oeste, Rondônia, Roraima, o interior de São Paulo e o Sul.
A faixa de transição. 903 municípios terminaram com margem abaixo de 10 pontos, as áreas de cor clara: 262 em Minas, 141 em São Paulo, 110 no Paraná, 91 no Rio Grande do Sul e 68 em Goiás. É ali que ficaram as viradas.
Extremos. Lula teve margem acima de 60 pontos em 530 municípios (127 no Piauí, 93 na Bahia, 71 na Paraíba, 69 em Pernambuco); Flávio, em 71 (31 no Rio Grande do Sul e 28 em Santa Catarina).
III. Territóriocalculado

Quase todo o país andou na direção de Lula

Cada ponto é um município, com tamanho proporcional ao eleitorado. Parte de Lula entre os dois candidatos. Vermelho forte: viradas para Lula; azul forte: virada para Flávio.

Leitura. A nuvem fica toda acima da diagonal: Lula subiu nos válidos em 5.567 dos 5.570 municípios. O ganho foi maior no meio da distribuição (municípios com 30% a 50% de Lula no 1º turno subiram 3,5 a 3,8 pontos) e menor nos redutos dos dois lados.
III. Territóriocalculado

Por UF: Minas virou, São Paulo deu o maior ganho de margem

Votos válidos de Lula no 2º turno, por UF.

Ganho em todas as 27. Lula ganhou margem em todas as UFs. São Paulo respondeu sozinho por 1,40 mi dos 6,66 mi, mais que o Sul e o Centro-Oeste somados (0,77 mi).
III. Ondecalculado

Lula cresceu em todas as UFs; Minas foi a única que virou

20%30%40%50%60%70%80%RoraimaRondôniaSanta CatarinaAcreMato GrossoParanáGoiásMato Grosso do SulRio Grande do SulEspírito SantoDistrito FederalSão PauloRio de JaneiroTocantinsMinas Gerais (virou)AmapáAmazonasParáAlagoasRio Grande do NorteParaíbaCearáPernambucoSergipeMaranhãoBahiaPiauí

Votos válidos de Lula. Círculo vazado: 1º turno (sobre todos os válidos). Círculo cheio: 2º turno.

Placar de UFs. Flávio venceu em 15 UFs no 1º turno e Lula em 12. No 2º, 14 a 13: Minas passou para Lula (6.351.099 a 6.241.786).
Por perto. Tocantins (Lula 48,63%) e Amapá (52,88%, onde Lula liderava o 1º turno por 225 votos) foram as disputas mais apertadas fora de Minas. No exterior, Lula teve 53,86%.
Maiores ganhos de margem. São Paulo (+1,40 mi), Minas Gerais (+0,70 mi), Rio de Janeiro (+0,67 mi), Bahia (+0,65 mi) e Pernambuco (+0,47 mi).
III. Ondecalculado

Por região, o Sudeste encolheu a desvantagem pela metade e o Nordeste ampliou a vantagem

-6-4-2+0+2+4+6+8+10+12+14Nordeste1º t. 11,102º t. 13,65Norte1º t. -0,462º t. 0,00Centro-Oeste1º t. -2,172º t. -1,87Sul1º t. -5,042º t. -4,58Sudeste1º t. -5,662º t. -2,81

Margem de Lula sobre Flávio, em milhões de votos.

RegiãoMargem 1º t.Margem 2º t.Ganho
Sudeste-5,66-2,812,86
Nordeste11,1013,652,56
Sul-5,04-4,580,47
Centro-Oeste-2,17-1,870,30
Norte-0,460,000,46
Exterior0,010,030,02
Norte, voto a voto. Lula venceu a região por 1.079 votos (5.024.626 a 5.023.547).
Sudeste decidiu. Dos 6,66 mi de ganho na margem, 2,86 mi vieram do Sudeste e 2,56 mi do Nordeste.
IV. Municípios e capitaiscalculado

O mapa das 211 viradas

Onde se concentram. Minas Gerais (76), São Paulo (32), Paraná (20), Rio Grande do Sul (19), Goiás (14) e Tocantins (11). No Norte, as manchas grandes do mapa são municípios extensos e pouco populosos do Amazonas (Tapauá, Canutama, Japurá) e do Pará (Jacareacanga); o peso real ali está em Ananindeua e Macapá.
Peso eleitoral. As 211 viradas somam 10,9 mi de eleitores aptos e incluem a cidade do Rio de Janeiro (3,7 mi de válidos), Osasco, Ananindeua, Macapá e São Vicente, além de dezenas de cidades médias. Somadas, deram a Lula 0,55 mi de ganho de margem.
A exceção. Uirapuru (GO), com 3,1 mil eleitores, foi o único município em que Lula liderava no 1º turno (930 a 854) e perdeu no 2º (1.069 a 1.087).
IV. Municípios e capitaiscalculado

211 viradas para Lula e uma para Flávio

Viradas para Lula
211
Municípios em que Flávio venceu o 1º turno e Lula o 2º. Outros 2 estavam empatados no 1º turno e foram para Lula (Trabiju-SP e Crixás do Tocantins-TO).
Viradas para Flávio
1
Uirapuru (GO), onde Lula tinha 4,3 pontos de frente entre os dois e perdeu por 0,8.
Viradas por UFNº
Minas Gerais76
São Paulo32
Paraná20
Rio Grande do Sul19
Goiás14
Demais UFs (Tocantins 11, Rio de Janeiro 9 e outras)50

Por região: Sudeste 120, Sul 40, Norte 21, Centro-Oeste 20, Nordeste 10.

Maiores cidades viradas. Rio de Janeiro (−4,3 para +3,1 pontos), Osasco (−2,4 para +4,7), Ananindeua (−1,3 para +5,2), Macapá (−4,3 para +2,0) e São Vicente (−8,5 para +0,7). Margens sobre os votos dos dois candidatos.
Quase todo o país andou na mesma direção. A margem entre os dois melhorou para Lula em 5.411 dos 5.570 municípios (97,1%). Levantamentos de imprensa chegam a 5.385 (96,7%) com outro critério.
Ceará inteiro. Morrinhos, único município cearense de Flávio no 1º turno, virou: Lula venceu nos 184. Itabirito (MG) teve a virada mais citada pela imprensa, de −5,2 para +5,0.
Cidades-pêndulo. O Globo apontou 495 municípios que foram de Bolsonaro em 2018, de Lula em 2022 e de Flávio no 1º turno, com 9,2 mi de eleitores; segundo o jornal, Lula virou em um a cada quatro deles.
IV. Municípios e capitaiscalculado

As 20 cidades que mais deram margem a Lula e o movimento das capitais

Esquerda: ganho de margem (Lula − Flávio no 2º turno menos o mesmo no 1º), em mil votos. Direita: parte de Lula entre os dois, 1º turno (vazado) e 2º (cheio).

IV. Municípios e capitaiscalculado

Lula cresceu nas 27 capitais; São Paulo deu sozinha 475 mil votos de margem

CapitalLula 1ºLula 2ºGanho de margem
São Paulo (SP)46,6%55,5%+474.829
Rio de Janeiro (RJ)43,9%51,5%+251.030
Salvador (BA)65,3%73,2%+179.150
Fortaleza (CE)53,5%60,1%+101.897
Brasília (DF)38,1%45,7%+79.671
Belo Horizonte (MG)41,4%49,2%+74.740
Recife (PE)55,3%61,3%+66.747
Manaus (AM)37,1%44,2%+65.363
Belém (PA)48,0%55,0%+50.241
Porto Alegre (RS)48,6%55,8%+43.216
São Luís (MA)54,5%62,1%+41.529
Maceió (AL)41,1%48,0%+34.909
Teresina (PI)61,2%68,0%+34.512
Natal (RN)49,0%56,0%+34.260
CapitalLula 1ºLula 2ºGanho de margem
João Pessoa (PB)46,5%53,8%+33.928
Aracaju (SE)54,1%62,1%+28.101
Curitiba (PR)30,4%37,7%+19.470
Campo Grande (MS)32,4%38,9%+16.070
Macapá (AP)43,3%51,0%+15.085
Cuiabá (MT)34,1%40,4%+14.754
Florianópolis (SC)40,8%48,3%+14.315
Porto Velho (RO)31,7%38,3%+13.006
Rio Branco (AC)27,3%33,4%+9.200
Vitória (ES)41,6%48,2%+8.713
Boa Vista (RR)19,2%24,2%+8.673
Palmas (TO)33,5%39,7%+7.595
Goiânia (GO)28,2%37,4%+5.865
Duas capitais viraram: Rio de Janeiro e Macapá. Lula venceu em 13 das 27.

Lula 1º turno sobre todos os votos válidos. Ganho de margem: (Lula − Flávio no 2º) − (Lula − Flávio no 1º), em votos.

IV. Municípios e capitaiscalculado

Quem virou: renda e tamanho da cidade

Renda. Nos 10% de municípios mais pobres (PIB per capita mediano de R$ 11,4 mil), Lula subiu 1,3 ponto e a abstenção caiu 0,3; nos 10% mais ricos (R$ 95,1 mil), subiu 3,5 pontos e a abstenção caiu 2,3. A virada veio das cidades de renda média e alta, não dos redutos de Lula.
Porte. Acima de 50 mil eleitores: Lula +3,1 a +3,5 pontos e abstenção −1,8 a −2,4. Até 10 mil: +1,9 e −1,1 a −1,2.
Atenção. Dado de município, não de eleitor. PIB de 2023 (IBGE) sobre população de 2024.
V. Comparecimentocalculado

A abstenção caiu mais onde só havia a eleição presidencial

Norte1º 19,43%2º 21,25%Nordeste1º 18,39%2º 16,49%Centro-Oeste1º 21,70%2º 20,05%Sudeste1º 22,70%2º 20,27%Sul1º 20,46%2º 18,19%

Abstenção por região, 1º e 2º turnos (% do eleitorado apto).

Contra a série. Até 2018 a abstenção sempre subiu do 1º para o 2º turno; em 2022 caiu 0,36 ponto. Em 2026 caiu 1,86 ponto, para 19,22%, a menor de um 2º turno desde 2006.
Sem governador, mais gente. Nas 21 UFs sem 2º turno estadual (e no exterior), a abstenção foi de 21,20% para 19,23%. Nas seis com governador em disputa, de 19,68% para 19,14%. Quem foi votar a mais foi pela disputa presidencial.
A exceção do Norte. A abstenção subiu no Acre (20,4% para 26,1%), no Amapá (17,4% para 25,5%) e em Roraima (17,1% para 23,2%), e em menor grau em Amazonas, Pará, Tocantins, Maranhão e Rondônia. Em seis deles Flávio perdeu votos em números absolutos. As causas ainda precisam ser checadas antes de qualquer leitura.
V. Comparecimentocalculado

O mapa da abstenção: queda no Centro-Sul e no Nordeste, alta no Norte

Verde no país, ocre no Norte. A abstenção caiu em 4440 municípios e subiu em 1128. Por UF, as maiores quedas foram na Bahia (−3,3 pontos), em Pernambuco (−3,0), São Paulo (−2,7), Mato Grosso do Sul (−2,6), Paraná e Minas (−2,5); as altas, no Amapá (+8,1), em Roraima (+6,0), no Acre (+5,7), no Amazonas (+1,5) e no Pará (+1,2).
O Norte e a logística. São municípios de grandes distâncias e transporte fluvial, onde o eleitor que mora longe da seção tem custo alto para votar duas vezes em três semanas. No 1º turno havia também a disputa estadual; no 2º, só em AC, AM e TO.
No resto do país. A queda foi maior onde a disputa era mais aberta e onde só havia eleição presidencial, padrão coerente com mobilização e não com efeito de palanque estadual.
V. Comparecimentocalculadoindicativo

Teste da mobilização: a abstenção caiu mais nas cidades disputadas

Onde caiu mais. Nas faixas de 40% a 60% de Lula no 1º turno, a abstenção caiu 1,9 a 2,2 pontos. Nos redutos de Lula acima de 80%, só 1,4 ponto, e nos acima de 90% ficou estável.
Os redutos de Flávio. Nos municípios em que Lula tinha menos de 10%, a abstenção caiu 2,8 pontos, mas o ganho de Lula ali foi de 1,6 ponto: o comparecimento a mais nesses lugares rendeu para os dois.
O que isso diz. A mobilização que pesou não foi a dos redutos petistas, já saturados, e sim a das cidades de meio de tabela, que concentram eleitorado e onde cada votante a mais mexe na margem.

Variação agregada da abstenção por faixa de votação de Lula entre os dois no 1º turno; entre parênteses, número de municípios.

V. Comparecimentocalculado

O teto de Flávio: onde ele perdeu votos

938 municípios. Em 938 municípios Flávio teve menos votos no 2º turno do que no 1º; Lula, em 79, quase todos no Acre, em Roraima e no Tocantins, onde o comparecimento caiu.
Concentração. A mancha azul cobre o Norte e o Maranhão, onde o comparecimento caiu. A perda foi pequena em votos (52 mil nas seis UFs em que caiu), mas mostra que ele não ampliou a base onde precisava compensar. Cresceu em São Paulo (+1,22 mi), Minas (+0,46 mi), Paraná (+0,35 mi), Rio Grande do Sul (+0,30 mi) e Goiás (+0,29 mi), sempre menos que Lula.
UF em que Flávio perdeu votos1º turno2º turnoVariação
Acre302.807287.715-15.092
Amapá212.278198.674-13.604
Roraima231.322219.675-11.647
Maranhão1.239.0401.229.971-9.069
Amazonas976.764975.245-1.519
Tocantins469.321467.916-1.405
Contraste. Em Luís Eduardo Magalhães (BA), cidade do vídeo de Nikolas Ferreira, Flávio cresceu 3,1% e Lula 22,6%.
VI. Mobilização, redes e deslocamentoreportado

A mudança de rota de Lula depois de 4 de outubro

Mobilização digital. O canal de WhatsApp de André Janones passou de 10 milhões de seguidores e distribuía tarefas diárias. O canal chegou a ser congelado por decisão do presidente do TSE e foi restabelecido pelo corregedor no mesmo dia.
Núcleo político. Rafael Fonteles (governador reeleito do Piauí) assumiu a comunicação; Camilo Santana entrou na coordenação com Edinho Silva, focado em prefeitos e comitês. Houve atrito público no entorno do presidente.
Pauta de vida real. O Senado aprovou o fim da escala 6x1; o governo anunciou tarifa zero no transporte e ampliação do Pé-de-Meia. A campanha pediu à militância que buscasse idosos e quem não votou no 1º turno.
O que o resultado sustenta. A aposta declarada na conversão de ausentes aparece nos números: 2,96 mi de votantes a mais e queda da abstenção maior onde não havia disputa estadual. É coerente com a tese do Vira Voto (território e comparecimento acima da persuasão), ainda como associação.
O que falta medir. Com dados por seção será possível ver se o comparecimento cresceu mais nas seções de maior voto em Lula no 1º turno, o teste direto da estratégia.

Fonte da reconstrução da campanha: Ranking dos Políticos, resultado do 2º turno, e reportagens de 25 e 26/10.

VI. Mobilização, redes e deslocamentoreportado

A disputa também se travou em canais de WhatsApp, e o de Lula quase triplicou

0 mi2 mi4 mi6 mi8 mi10 mi12/1017/1019/1021/1022/1024/103,75,07,08,010,01,42,02,02,12,1■ Exército do Lula (Janones)■ Tropa do Flávio (Nikolas Ferreira e Gustavo Gayer)

Seguidores dos canais de WhatsApp, em milhões, segundo contagens publicadas por Metrópoles, Brasil 247 e Poder360 entre 12 e 24/10. Os pontos sem dado foram omitidos.

Os dois exércitos. O canal de Janones foi de 3,7 mi de seguidores em 12/10 para mais de 10 mi na véspera, com tarefas diárias (compartilhar vídeos, subir assuntos no X, orientar buscas, convocar atos). A Tropa do Flávio, criada em 6/10 por Nikolas Ferreira e com Gustavo Gayer na orientação, foi de 1,4 mi para 2,1 mi e também organizou atividades presenciais.
Na conversa pública. No monitoramento da IPSE/Orikom, o campo de Lula foi de 41% para 65% das interações entre a véspera do 1º turno e 13/10. A Bites registrou alta de 22% no engajamento de Lula com vídeos em formato selfie, mas também 46% de menções negativas contra 22,8% positivas.
Na Justiça Eleitoral. O presidente do TSE chegou a congelar o Exército do Lula a pedido da campanha de Flávio; o corregedor restabeleceu o canal no mesmo dia. Uma restrição a canais muito grandes, discutida na reta final, atingiria os dois.
VI. Mobilização, redes e deslocamentoreportado

O eleitor que atravessou o país para votar

Bahia, passagens gratuitas
50 mil+
Bilhetes intermunicipais gratuitos emitidos para quem comprovou viagem ao local de votação, 134% acima do 1º turno (21.344).
Voto em trânsito
314.519
Eleitores habilitados para votar fora do domicílio no 2º turno, 52.206 deles em São Paulo. O pedido fechou em 20/08 e não capta quem decidiu viajar depois.
Transporte gratuito
todas as UFs
Coletivo urbano e metropolitano gratuito por resolução do TSE; vários estados abriram a gratuidade intermunicipal de sexta a segunda.
O retorno para casa. Na sexta e no sábado, rodoviárias como a de Brasília lotaram de eleitores indo para outros estados, sobretudo do Nordeste; trabalhadores baianos em Pernambuco organizaram a volta, parte deles sem ter votado no 1º turno. Nas redes, virou tendência mostrar a viagem (de ônibus, barco, avião e até do exterior), com predominância de eleitores de Lula, cuja campanha mirava a abstenção.
O atrito no domingo. Houve relatos de frota reduzida e filas em São Paulo (cerca de 60% da frota em circulação, segundo a petição levada ao STF), Salvador, Aracaju, João Pessoa e cidades de ao menos sete estados, o que motivou a prorrogação até as 19h. O transtorno atingiu sobretudo eleitores mais pobres e do Nordeste.

Fontes: CNN Brasil, Terra, Rádio Senado, Brasil em Folhas, Portal Viggo, Brasil 247 e TSE (voto em trânsito), 16 a 26/10.

VI. Mobilização, redes e deslocamentocalculado

Onde apareceram os 2,96 milhões de votantes a mais

Sudeste+1,61 miNordeste+827 milSul+519 milCentro-Oeste+199 milExterior+40 milNorte−238 mil

Votantes a mais no 2º turno em relação ao 1º, por região (TSE).

RegiãoAbstenção nas capitais (%)Abstenção no interior (%)Votantes a mais no interior
Sudeste24,2 → 21,122,2 → 20,0+1,12 mi
Nordeste16,8 → 14,318,8 → 17,0+616 mil
Sul21,4 → 18,920,3 → 18,1+448 mil
Centro-Oeste19,2 → 17,723,1 → 21,4+129 mil
Norte17,6 → 18,420,2 → 22,5−205 mil
O Sudeste concentrou a mobilização. Mais da metade dos votantes a mais (1,61 mi) apareceu no Sudeste, 932 mil só em São Paulo e 407 mil em Minas, onde a margem mais mudou. Nas capitais do Sudeste e do Nordeste a abstenção caiu mais do que no interior.
O Nordeste recebeu quem voltou. O interior nordestino teve 616 mil votantes a mais, e a Bahia sozinha 368 mil. O resultado não separa quem viajou de quem mora no lugar; as passagens gratuitas indicam que o retorno é parte real, mas minoritária, desse número.
O Norte andou ao contrário. O comparecimento caiu em nove UFs (as sete do Norte, Maranhão e Piauí), somando 271 mil votantes a menos. Distância, rios e custo de deslocamento são hipóteses a checar.
Associação no município. A queda da abstenção foi um pouco maior onde ela era alta no 1º turno (r = 0,15) e um pouco menor onde Lula era mais forte (r = −0,14): a mobilização rendeu mais nas cidades disputadas do que nos redutos.
VI. Mobilização, redes e deslocamentoindicativo

O que redes, mobilização e deslocamento explicam, e o que ainda não

Redes como convocação, não só como persuasão. Pela simulação da IPSE, a mensagem sozinha deslocaria cerca de meio ponto. O resultado sugere outro mecanismo: canais e redes funcionaram como convocação (lembrar de votar, organizar viagem, buscar idosos), e o efeito apareceu no comparecimento, que a simulação tratava como quase neutro.
Comparecimento e voto válido somados. Entraram 4,78 mi de votos entre quem passou a votar (2,96 mi) e quem deixou de anular (1,82 mi). Pela estimativa ecológica, cerca de dois terços do comparecimento novo ficou com Lula, o que vale perto de 1 mi de votos de margem.
Por que as pesquisas não viram. O eleitor que decide viajar, ou que faltou no 1º turno e volta no 2º, é justamente o que os modelos de comparecimento dos institutos tendem a subestimar.
O lado de Flávio. A mobilização também existiu do outro lado (canal com 2,1 mi, guerra de assuntos no X, atos presenciais, apoio formal de Republicanos, Novo, União Brasil, PP e Tarcísio), mas o crescimento dele entre os turnos (3,72 mi) ficou abaixo até dos votos dos terceiros (9,32 mi).
O que só o dado por seção vai dizer. Se o comparecimento subiu mais nas seções de maior voto em Lula no 1º turno (teste direto da mobilização); quanto do aumento no interior nordestino veio de quem vive fora; quantos votaram depois das 17h e onde.
Cuidado de leitura. Seguidores de canal e interações medem atenção e engajamento, não voto. A relação entre redes, deslocamento e resultado aqui é de associação no tempo e no território, não de causa demonstrada.
VII. Meta, debates e provocaçõesreportado

A Meta no centro da disputa: falhas admitidas, interferência negada

DataO que aconteceu
7/10Vídeo de Lula no Instagram aparece com mais curtidas do que visualizações.
9/10Campanha de Lula fica quase 24 horas sem conseguir impulsionar posts do feed; o perfil dele não aparecia em buscas pelo nome, e o de Flávio surgia nas sugestões.
11/10PT aciona TSE e ANPD; a Meta atribui o caso a problemas técnicos e o TSE dá 48 horas para explicações.
16/10A Meta admite falhas que afetaram a campanha de Lula, diz que a de Flávio também relatou problemas e nega interferência. O plenário do TSE referenda, por unanimidade, a proibição de limitar o alcance de conteúdo dos dois candidatos, sob multa diária de R$ 500 mil.
19 a 23/10Documentos internos obtidos pela ONG CTRL+Z apontam seis problemas de alta prioridade ainda abertos na conta de Lula (busca, comentários, stories cortados em 6 segundos, anúncios e imagens geradas por IA).
20/10O vídeo de Nikolas Ferreira sobre o Nordeste perde o áudio no Instagram por direitos autorais; ele atribui motivação política, sem comprovação.
A defesa da Meta. Revisão humana de restrições automáticas em até duas horas, critérios iguais na Meta AI e anúncios eleitorais só de anunciantes autorizados. A empresa sustenta que o alcance da conta de Lula ficou acima do próprio patamar no dia da falha de contagem.
O que não se sabe. Não há medida pública do efeito em votos. As falhas atingiram a ferramenta que a campanha de Lula mais usava no início do 2º turno, e a resposta foi migrar a convocação para o WhatsApp, onde o Exército do Lula cresceu de 3,7 mi para mais de 10 mi.
A Justiça Eleitoral também virou tema. Levantamento do Nexo com dados do TSE mostrou o presidente da Corte atendendo 17% dos pedidos de Lula e 69% dos de Flávio; o vice, 54% e 86%. Os números foram usados pelos dois lados como prova de parcialidade.

Fontes: Agência Brasil, DGABC, Tribuna de Minas, Times Brasil, Núcleo, SBT News e Nexo, 11 a 25/10.

VII. Meta, debates e provocaçõesreportado

Dois debates, duas leituras, e as pesquisas não se mexeram

Band, 18/10. Primeiro confronto direto da campanha, depois de Flávio anunciar e desfazer a ausência. Foi marcado por ataques e acusações: Lula ligou Flávio ao Careca do INSS e o chamou de "palhaço"; Flávio citou suspeitas contra Lulinha e Roberta Luchsinger. Lula lançou o desafio de abrir os sigilos bancário e telefônico. Depois, disse que o nível foi muito baixo; Flávio comemorou o desempenho.
Globo, 23/10. Último debate, dois dias antes da votação. Para Antonio Lavareda, Lula venceu três dos quatro blocos e Flávio terminou na defensiva; comentaristas da Jovem Pan deram a vitória a Flávio, mais contido e propositivo. A avaliação do debate seguiu a linha de cada audiência.
O efeito medido. A Quaest de 23 e 24/10, feita em parte depois da Globo, ficou em 51 a 49 para Flávio, igual à rodada anterior; só caiu a parte que o apontava como favorito (54% para 51%). Datafolha e PoderData repetiram 51 a 49. O que o debate mudou, se mudou, não apareceu nas pesquisas.
Nos bastidores. Após a Band, Lucas Pavanato provocou Fernando Haddad ("Taxad", "demitido") e levou tapinhas no rosto; Nikolas Ferreira gravou vídeo chamando Haddad e Simone Tebet de "desempregados". Do lado de fora, Pavanato foi hostilizado por apoiadores de Lula.
Leitura. Debates tendem a reforçar mais do que converter, e este não foi exceção nas pesquisas. Seu peso maior foi como matéria-prima para as redes nos dias seguintes.
VII. Meta, debates e provocaçõesreportado

Nikolas, Pavanato e Marçal: as provocações que o campo de Flávio não controlou

Nikolas Ferreira. Em 20/10 publicou "O Nordeste que foi esquecido", com moradores cobrando promessas de Lula; o vídeo chegou a 160 mi de visualizações no Instagram. Aliados de Lula acusaram encenação nos bastidores e responderam com #NordestinosComLula. Depois da derrota, aliados de Flávio passaram a chamar a estratégia de "gol contra" (Valdo Cruz, GloboNews).
Lucas Pavanato. Deputado mais votado de SP (3,04 mi), protagonizou com Flávio, em agosto, o vídeo que associava Lula a um criminoso batendo no vidro do carro (19 mi de visualizações). No 2º turno, provocou Haddad após o debate; na apuração, ironizou o "desespero da esquerda" e, confirmada a derrota, pediu a anulação da eleição e o impeachment de Zanin.
Pablo Marçal. Integrou a campanha desde o fim do 1º turno e treinou Flávio para a Band. Orientou influenciadores a trocar ataques por "fim de ciclo", reconhecendo feitos de Lula; a campanha se afastou dele depois do debate. Na véspera, pediu voto aos indecisos agradecendo a Lula pelo que fez e mandando-o "seguir em paz".
Onde o vídeo foi gravado. Em Luís Eduardo Magalhães (BA), Lula passou de 20.173 para 24.739 votos (+22,6%) e Flávio de 38.496 para 39.688 (+3,1%); a parte de Lula subiu de 32,5% para 38,4%. Na Bahia, de 66,17% para 71,31%, e no Nordeste Lula fechou com 24,45 mi de votos contra 10,80 mi.
Moderar ou romper, sem escolher. O campo de Flávio oscilou entre o confronto (Nikolas, Pavanato, a postura na Band) e a moderação (Marçal, o tom na Globo), o dilema que a IPSE apontava em 15/10. O resultado no Nordeste é coerente com a leitura de que a provocação mobilizou o adversário, mas não há como isolar esse efeito.

Fontes: Diário do Poder, Portal VV8, Folha PE, Imirante, Regionalzão, Plantão Brasil, Estado de Minas, Acorda DF, ND Mais, NC News, Pleno News, Gazeta do Povo, Metrópoles e Poder360, 25/08 a 26/10. Números de Luís Eduardo Magalhães: TSE.

VIII. Pesquisasreportadocalculado

Quase todas as pesquisas davam Flávio à frente

44%46%48%50%52%54%urna 51,79PoderData · 5-7/1047,0Vox Brasil · 5-7/1050,9Datafolha · 6-7/1048,0AtlasIntel · 3-8/1047,2Ipespe · 6-8/1047,3DataTrends · 7-9/1046,9Futura · 7-10/1048,2Gerp · 8-12/1045,0PoderData · 10-12/1049,0BTG/Nexus · 10-12/1048,0Quaest · 10-13/1049,0Indexa/Broadcast · 13-14/1049,0Datafolha · 13-14/1049,0Datafolha · 23-24/1049,0Quaest · 23-24/1049,0AtlasIntel · 18-23/1049,2PoderData · 23-24/1049,0Futura · 23-24/1049,9CNT/MDA · véspera49,3IPSE/Orikom (modelo) · 15/1048,0
O tamanho do erro. Na parte de Lula nos válidos, o erro mediano das 19 pesquisas foi de 2,8 pontos. As seis da última semana erraram de 1,9 a 2,8 pontos, de 3,8 a 5,6 na margem, todas com o vencedor trocado.
Quem chegou mais perto. Vox Brasil (5 a 7/10), com Lula a 50,9%, e a Futura da véspera, com 49,9%. O maior erro foi da Gerp (8 a 12/10), 6,8 pontos. Segundo o Poder360, das 18 pesquisas nacionais de 12 a 24/10, só uma mostrava Lula numericamente à frente.
Sentido invertido. No 1º turno, as pesquisas subestimaram Flávio; no 2º, subestimaram Lula. O agregador RED, com 47 pesquisas, estimava 50,92% para Flávio na véspera.
Hipótese a testar. O comparecimento que as pesquisas não captaram é o candidato mais forte a explicar o erro: votaram 2,96 mi de pessoas a mais, e a estimativa ecológica põe a maior parte delas com Lula.

Fontes: síntese de Maurício Romão citada pela IPSE (3 a 14/10) e pesquisas da última semana divulgadas por RED, Poder360 e TVT News.

VIII. Pesquisasreportadocalculado

O modelo da IPSE/Orikom contra a urna

O que o modelo de 15/10 diziaO que a urna mostrou
Lula com 48,0% na mediana (faixa de 80%: 44,7% a 51,4%); vitória em 23% das simulações51,79%, acima da faixa, na faixa de 51% a 52%, a que o modelo dava 6,6%
Virada só com pesquisas subestimando Lula em cerca de 3 pontosFoi o que ocorreu: erro mediano de 2,8 pontos
Abstenção +0,5 ponto (−1,3 a +2,7)−1,86 ponto, fora da faixa
UFs com governador seguram 1 ponto a mais de comparecimentoO contrário
Comparecimento com efeito líquido de −0,1 mi na margemComparecimento novo de 2,96 mi, cerca de 2/3 com Lula (estimativa)
Cenário de vitória: Sudeste −3,4 mi, Nordeste +12,3 miSudeste −2,81 mi, Nordeste +13,65 mi
O que vale aproveitar. A tese de que a comunicação, sozinha, não virava não é refutada: o que mudou o quadro foram o erro das pesquisas e o comparecimento, os dois fatores que o modelo deixou fora do mecanismo central.
Sinal antecipado. Nas redes, o campo de Lula passou de 41% para 65% das interações entre a véspera do 1º turno e 13/10, e a escala 6x1 chegou a um terço das interações em 14 e 15/10, quando o Senado aprovou a PEC por 75 a 1. Os dados de rede andaram na direção do resultado antes das pesquisas, o que reforça a hipótese de antecipação, sem prová-la.

Dados de mídias sociais da plataforma Orikom (IPSE Global); pontos intermediários lidos do gráfico do estudo de 15/10.

IX. A prorrogação e a contestaçãoreportado

O que se sabe da extensão até as 19h

A decisão. A coligação de Lula pediu ao STF a extensão por falta de ônibus em municípios da Bahia e de São Paulo; o ministro Cristiano Zanin, sorteado relator, estendeu a votação até as 19h em todas as seções do país, cabendo ao TSE cumprir. A campanha de Flávio também pedira ao TSE a extensão em municípios de SP, PR, MG, RS e SC, por clima.
A execução. Um acerto entre Zanin e o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, restringiu a extensão às seções ainda abertas, porque as já encerradas não podiam reabrir. O TSE pausou a divulgação às 17h20 e começou a medir o impacto, sem prazo.
A contestação de Flávio. Não reconhece o resultado e anunciou pedido de anulação. Argumentos: mudança de regra durante a votação, quebra de isonomia entre eleitores de estados diferentes, competência de um ministro do STF e não do TSE, suspeição de Zanin (ex-advogado de Lula) e retirada de fiscais do PL da sala-cofre.
A ordem de grandeza. A margem final é de 4.430.191 votos. Para alterar o resultado, as seções que ficaram abertas depois das 17h precisariam ter dado a Lula, só nesse intervalo, mais de 4,4 mi de votos líquidos. A primeira medição por seção, na página seguinte, mostra que o saldo nessas seções é pequeno.
Do lado institucional. Ministros do STF e do TSE, segundo a CNN, descartam anular a eleição.
IX. A prorrogação e a contestaçãocalculadoestimado

Primeira medição: as seções que ficaram abertas depois das 17h

Horário de encerramento (hora de Brasília) de 10.241 seções da amostra, lido no boletim de urna de cada uma. Escala logarítmica.

UFSeções na amostraFecharam após 17h30Após 18h30Votantes nessas seções (estimativa)Margem de Lula nelas (estimativa)
SP4.1472,1%1,6%579.975+74.500
MG2.0950,0%0,0%00
RJ1.5068,1%7,2%895.600−65.100
BA1.4112,8%2,6%291.500+116.250
PR1.0820,0%0,0%00

Amostra sistemática de 1 em cada 25 seções, com boletins do pleito 3221 do TSE. Estimativas multiplicam a amostra por 25. Votantes e margem são do dia inteiro nessas seções, não só do período após as 17h.

O método. O boletim de cada seção registra abertura, encerramento, comparecimento e votos. Amostra processada: SP, MG, RJ, BA, PR. Faltam as demais UFs, entre elas PE, SE, PB e PI, onde houve denúncias de transporte.
O que a amostra mostra. A grande maioria das seções fechou entre 17h00 e 17h10. Ficaram abertas depois das 17h30 8,1% das seções no Rio de Janeiro, 2,8% das seções na Bahia e 2,1% das seções em São Paulo; em Minas Gerais e no Paraná, nenhuma seção da amostra passou das 17h10. Nas seções que ficaram abertas, Lula teve mais votos no dia em São Paulo e na Bahia; Flávio, no Rio de Janeiro.
A ordem de grandeza. Somada a margem do dia inteiro nas seções que ficaram abertas depois das 17h30, o saldo estimado é de +125.650 votos para Lula, 2,8% da margem nacional. Mesmo que todo esse saldo viesse da prorrogação, Lula seguiria à frente por mais de 4,3 mi. As cinco UFs medidas reúnem 52% do eleitorado.
X. O poder que sai das urnascalculado

Presidência para Lula, Legislativo com o PL

Governadores eleitos no 2º turnoVotos válidos
Acre: Mailza Assis (PP)66,21%
Amazonas: Omar Aziz (PSD)61,42%
Distrito Federal: Celina Leão (PP)57,18%
Espírito Santo: Lorenzo Pazolini (Republicanos)52,17%
Rio Grande do Norte: Cadu de Lula (PT)50,77%
Tocantins: Vicentinho Júnior (PSDB)64,52%
Rio de Janeiro: Douglas Ruas (PL), por retotalização do 1º turno50,88%

No RN, Cadu de Lula venceu por cerca de 32,6 mil votos. No DF, Flávio teve 54,28% para presidente e Celina 57,18%.

Congresso. O PL terá 121 deputados e 28 senadores, a maior bancada nas duas Casas. A base governista no Senado cai de 38 para 26.
Atualização do Senado 2027. Com Omar Aziz no governo do Amazonas, assume a 1ª suplente, Cheila Moreira (PT): PT vai de 9 para 10 senadores e PSD de 5 para 4. Alan Rick e Professora Dorinha perderam e seguem no Senado.
Primeira batalha: fevereiro de 2027. No Senado, Davi Alcolumbre busca a reeleição enfraquecido, e o PL precisa de pelo menos 13 votos de fora para os 41. Na Câmara, Hugo Motta é favorito.
XI. Repercussãoreportado

Como a imprensa internacional leu a virada

Estados Unidos. O New York Times destacou a rejeição ao filho do antecessor e lembrou a prorrogação de Zanin. O Washington Post leu a vitória como freio à guinada da América Latina à direita e apontou o governo de Jair Bolsonaro como motor da mobilização de eleitores nas últimas semanas.
Europa e Oriente Médio. O Guardian chamou de histórico o quarto mandato após uma reviravolta dramática; a BBC sublinhou que Flávio havia vencido o 1º turno; a Reuters, que o resultado contrariou as últimas pesquisas; a Al Jazeera falou em reviravolta chocante.
Argentina. La Nación tratou o dia como polêmico pela extensão do horário e destacou que Flávio não reconhece o resultado; Clarín, a diferença de cerca de três pontos; Página 12, as limitações no transporte público.
Leitura. Lá fora, três temas dominam: o ineditismo da virada, o erro das pesquisas e a contestação. O terceiro é o que pode ganhar espaço nas próximas semanas, e por isso o estudo da prorrogação com dado de seção tem valor também externo.
Anexocalculado

Tabela por UF: votos, margens e comparecimento

UFLula 1º (%)Lula 2º (%)Lula 2º (votos)Flávio 2º (votos)Margem 1ºMargem 2ºGanho de margemAbst. 1º (%)Abst. 2º (%)Votantes a mais
São Paulo38,246,212.119.27414.139.178−3.416.610−2.019.904+1.396.70622,519,8+932 mil
Minas Gerais43,350,46.351.0996.241.786−588.612+109.313+697.92522,820,3+407 mil
Rio de Janeiro39,446,94.565.3935.169.033−1.273.823−603.640+670.18323,321,6+218 mil
Bahia66,271,36.485.2582.608.761+3.222.186+3.876.497+654.31120,016,7+368 mil
Paraná31,237,42.566.5044.291.444−1.890.748−1.724.940+165.80820,618,0+218 mil
Rio Grande do Sul35,742,22.824.5523.874.378−1.279.024−1.049.826+229.19821,419,2+187 mil
Pernambuco63,569,24.117.5131.832.554+1.815.928+2.284.959+469.03118,215,2+215 mil
Ceará63,368,94.036.1241.819.478+1.798.413+2.216.646+418.23315,513,9+114 mil
Pará49,955,02.690.4492.199.940+263.280+490.509+227.22919,120,3−77 mil
Santa Catarina25,030,61.418.3143.220.071−1.872.852−1.801.757+71.09518,917,0+114 mil
Maranhão64,069,52.808.2311.229.971+1.327.261+1.578.260+250.99919,720,4−33 mil
Goiás31,140,31.585.5552.345.334−863.008−759.779+103.22921,820,3+76 mil
Paraíba61,367,51.794.059865.210+709.750+928.849+219.09917,415,5+60 mil
Espírito Santo *37,843,61.001.9651.294.504−383.166−292.539+90.62721,419,5+57 mil
Piauí71,075,91.653.989525.859+1.006.682+1.128.130+121.44817,217,2−1 mil
Rio Grande do Norte *59,865,71.413.596737.409+517.470+676.187+158.71718,416,1+62 mil
Amazonas *48,254,01.145.783975.245+70.232+170.538+100.30620,221,7−42 mil
Mato Grosso29,233,9694.1671.351.099−716.900−656.932+59.96822,220,9+33 mil
Alagoas54,760,81.152.621744.140+259.741+408.481+148.74020,620,1+13 mil
Distrito Federal *38,145,7825.224979.542−233.989−154.318+79.67118,917,3+37 mil
Mato Grosso do Sul34,740,4628.973927.892−356.496−298.919+57.57723,921,2+53 mil
Sergipe62,769,5989.041433.354+438.180+555.687+117.50717,315,7+28 mil
Rondônia25,930,4294.446674.382−402.321−379.936+22.38521,721,9−3 mil
Tocantins *43,448,6442.962467.916−65.312−24.954+40.35818,319,2−10 mil
Acre *28,733,4144.513287.715−168.037−143.202+24.83520,426,1−35 mil
Amapá45,752,9222.968198.674+225+24.294+24.06917,425,5−47 mil
Roraima22,927,583.505219.675−156.902−136.170+20.73217,123,1−24 mil

Lula 1º turno sobre todos os válidos. Margem: Lula − Flávio, em votos. * 2º turno para governador. Fonte: TSE, totalização de 100%.

Caderno de integridade

Medidas, fontes e o que ainda falta

Selos. calculadoconta feita pela Henrichs com dado oficial, que qualquer pessoa pode refazer. estimadodado oficial com uma suposição no caminho, descrita na própria seção. reportadoinformação de imprensa ou de terceiros, com a fonte citada. indicativoleitura da Henrichs a partir dos dados, não é medição.
Medidas. Percentuais sobre votos válidos. "Margem" é Lula menos Flávio, em votos. Viradas municipais contam só quem venceu de fato (empates do 1º turno à parte). A melhora de margem municipal e o deslocamento usam a parte de Lula entre os dois candidatos. Decis de renda e faixas de porte agregam votos antes de calcular a variação. Mapas: margem e variações por município; cores com rótulo em todas as legendas. O modelo ecológico (regressão sem intercepto da variação de votos sobre terceiros, comparecimento e inválidos, por município) indica associação, não comportamento individual.

Correção. A primeira leitura de 25/10 falava em 15 × 13 UFs no 1º turno e 14 × 14 no 2º; o certo é 15 × 12 e 14 × 13 (o exterior havia entrado como UF).
Fontes. TSE, resultados oficiais (eleições 6257 e 6258) e boletins de urna (pleito 3221, amostra de 1 em 25 seções). IBGE: PIB dos municípios 2023 (tabela 5938) e população estimada 2024 (tabela 6579). Malha municipal: geodata-br, com 5.564 municípios (seis criados depois de 2013 ficam sem polígono, mas entram em todas as contas). Ranking dos Políticos, resultado do 2º turno. IPSE/Orikom, Lula vira e vence o segundo turno?, 15/10. Reportagens de g1, O Globo, Poder360, Metrópoles, Nexo, Núcleo, Agência Brasil, Folha PE, Gazeta do Povo, Estado de Minas, Jornal de Brasília, CNN Brasil, Terra, Rádio Senado, Exame, InfoMoney, Brasil de Fato, Brasil 247, Brasil em Folhas, Portal Viggo, Tribuna Online, DOL e SBT News, de 16 a 26/10; TSE (voto em trânsito). As páginas do g1 e de O Globo não abriram por bloqueio de acesso; os dados delas foram conferidos por reproduções e contra a base do TSE.

Pendente. Medição do horário nas UFs restantes e votos depois das 17h pelos registros de votação; comparecimento por seção contra o voto em Lula no 1º turno; peso do eleitor que viajou; comparação com 2022 por município; checagem das cidades-pêndulo com 2018 e 2022; causas da abstenção no Norte; voto por bairro e escola.

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