Presença no território, crédito rural com qualidade, juros e tarifas justos, um pacote para as prefeituras, o jovem do campo e a disputa com os bancos privados. Quarenta e cinco medidas em dez eixos para o Banco do Brasil voltar a disputar o interior com as cooperativas de crédito e o varejo com os bancos privados, com dados do Banco Central, do BB, do IBGE e do Tesouro.
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Fontes: BCB, ESTBAN e SICOR. Cálculo: Henrichs Consultoria.
BB Presente é o plano da Henrichs Consultoria para o Banco do Brasil entre 2027 e 2030. Ele parte de uma pergunta concreta: fechar agências no interior custou negócio ao banco? A resposta foi buscada no balancete das agências por município do Banco Central, região por região. A partir dela, o plano propõe como o BB volta a disputar o interior com as cooperativas e o varejo com os bancos privados, melhora o desempenho e ganha competitividade sem cobrar mais caro de quem já paga muito.
Cada medida tem diagnóstico, meta, caminho, custo ou retorno, riscos e quem decide. Nenhuma depende de lei.
Nas 481 regiões do interior, quanto maior a parcela de agências fechadas pelo BB entre 2016 e 2024, menor o crescimento da carteira do banco, mesmo comparando regiões do mesmo estado e descontando o crescimento dos outros bancos. Antes dos fechamentos, essas regiões cresciam no mesmo ritmo das demais (capítulo 2).
O BB teria hoje cerca de R$ 76 bi a mais de carteira no interior (R$ 37 bi no crédito rural) e R$ 18 bi a mais em depósitos. A margem e as receitas que isso deixou de render (R$ 1,1 a 4,4 bi por ano) estão na mesma ordem da economia de custo das 936 agências fechadas (até R$ 2,3 a 3,7 bi por ano). O fechamento pode ter economizado algo ou perdido algo, conforme as hipóteses; o mercado entregue ao concorrente não volta sozinho.
Dos 631 municípios em que o BB fechou a última agência desde 2016, 341 têm cooperativa de crédito hoje; no Sul, 166 de 169. No crédito rural com juro equalizado pelo Tesouro, as cooperativas passaram de 24% para 45% entre 2020 e 2025, e o BB caiu de 57% para 38%.
A fatia do BB no crédito do sistema caiu de 19,8% em dezembro de 2016 para 16,1% em junho de 2026. O banco lidera no crédito rural, no investimento de empresas, no comércio exterior e no consignado, mas tem 9,9% do cartão, 6,3% dos recebíveis, 2,8% dos veículos e 1,5% do crédito à micro empresa, e 33,4 milhões de clientes com crédito ativo, contra 63,8 milhões do Nubank e 47,2 milhões do Itaú. Em veículos e no crédito pessoal o BB cobra menos que a maioria dos privados, e nos recebíveis fica entre o Itaú e o Bradesco: perde por falta de canal. No capital de giro de curto prazo cobra mais e perde por preço (capítulo 6 e Eixo J).
Lucro ajustado de R$ 20,7 bi em 2025 (45,4% menor que em 2024), retorno de 7,9% no 1º semestre de 2026, inadimplência de 5,61% e Capital Principal de 11,27%. Presença tem de vir com formato barato e crédito de qualidade, não com a rede de 2014.
Um ponto com três pessoas custa cerca de R$ 1,2 mi por ano e se paga com R$ 40 a 80 mi de carteira, menos do que cada agência fechada levou (R$ 82 mi). O plano propõe 300 pontos leves e 500 gerentes rurais itinerantes até 2028 (A2 e A3).
O BB cobra 158% ao ano no cheque especial de pessoa física, contra 68% do Banco Sicoob; 420% no cheque especial de empresas, mais que o dobro da mediana; 34,8% no capital de giro de curto prazo, na mediana do mercado mas mais que o dobro do Banco Sicoob (15,0%). O plano põe o BB abaixo da mediana do mercado nessas linhas e devolve parte dos juros a quem paga em dia (Eixo C).
O Banco Sicoob cobra R$ 24 pelo pacote padronizado IV; o BB, R$ 55,60. Mas a cooperativa típica não é mais barata no pacote (média de R$ 58,85 no mesmo pacote IV): ela ganha no relacionamento, nas isenções e nas sobras. O plano propõe conta sem tarifa para os segmentos que o BB quer de volta (agricultor, aposentado, jovem, servidor municipal, MEI) e tarifas de empresa pequena no nível do Banco Sicoob (Eixo F).
Desde a LC 196/2022, cooperativas podem receber depósitos de municípios, e o Tribunal de Contas do Paraná admitiu isso mesmo onde há banco oficial. As contas do Fundeb continuam obrigatoriamente no BB ou na Caixa. O plano cria o pacote BB Município: conta e arrecadação sem tarifa, crédito com garantia da União (que não consome capital), escritório de projetos e folha com contrapartida de presença. São 1.487 municípios com nota A ou B na CAPAG sem agência do BB, 939 deles com cooperativa (Eixo G).
Os produtores com 65 anos ou mais passaram de 17,5% para 21,4% entre os Censos Agropecuários de 2006 e 2017, e os com menos de 35 anos caíram de 16,9% para 11,5%. Quem financiar a primeira safra do sucessor tende a ficar com o cliente por décadas. O plano propõe conta jovem, crédito do sucessor rural e educação financeira nas escolas do interior (Eixo H).
Crédito a município com garantia da União tem peso zero no capital; consórcio de máquinas é receita de administração, não carteira. Com o Capital Principal em 11,27%, essas frentes valem mais do que parecem (Eixos G e I).
O BB vale em bolsa 63% do patrimônio. Os três grandes bancos privados fecharam 60% das agências desde 2014; o BB, 29%. Um BB que volte a estar perto do produtor e cobre preço justo é o melhor argumento contra a venda.
Pedro Paulo Henrichs Neto é fundador e CEO da Henrichs Consultoria, de Brasília, especializada em relações institucionais e governamentais, acompanhamento do Legislativo e do Executivo federal e inteligência de dados públicos.
Este plano junta essa experiência no sistema financeiro e na gestão pública à leitura dos relatórios do Banco do Brasil e das bases do Banco Central, agência por agência e região por região.
Foi chefe de gabinete de deputado federal na Câmara dos Deputados (2018) e subsecretário de Participação Social do Governo do Distrito Federal (2011 a 2013).
Começou a carreira no Banco do Brasil, como escriturário (2004 a 2006), e foi assessor técnico e político do Sindicato dos Bancários de Brasília (2006 a 2010), acompanhando as negociações coletivas da categoria.
Presidiu o Fórum de Juventude dos BRICS (2014 a 2016) e foi observador eleitoral internacional credenciado em mais de 20 eleições nas Américas, na Europa e na Ásia.
Graduado em Gestão Pública pelo IESB e mestrando em Ciência Política e Relações Internacionais no IDP. Concluiu em 2026 a formação internacional em inovação, liderança, conformidade e gestão de risco da Escola de Management da Sorbonne (Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne).
A Henrichs Consultoria desenvolve sistemas próprios de acompanhamento legislativo e painéis de inteligência sobre dados públicos, usados na produção deste plano.
Foram comparadas 481 regiões geográficas imediatas do interior entre dezembro de 2016 e dezembro de 2024, descontando o crescimento dos demais bancos, o tamanho da população e as diferenças entre estados. Antes das ondas de fechamento (2014 a 2016) as regiões não se diferenciavam.
| Agências do BB fechadas na região | Regiões | Agências 2016 → 2024 | Crédito do BB | Demais bancos | Crédito rural do BB | Fatia do BB no rural dos bancos |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Nenhuma | 167 | 610 → 621 | 169% | 128% | 197% | 79% → 81% |
| Até 20% | 78 | 741 → 626 | 115% | 104% | 143% | 80% → 79% |
| 20% a 35% | 99 | 943 → 670 | 90% | 92% | 110% | 76% → 72% |
| Mais de 35% | 137 | 1.229 → 670 | 84% | 147% | 112% | 79% → 60% |
Para cada 10 pontos percentuais de agências fechadas, o crédito do BB cresceu cerca de 5,6% a menos, o crédito rural 6,0% a menos e os depósitos 2,3% a menos. O BB teria hoje cerca de R$ 76 bi a mais de carteira no interior (R$ 37 bi no crédito rural).
Em dinheiro, a resposta é incerta: a margem e as receitas que deixaram de entrar (R$ 1,1 a 4,4 bi por ano) estão na mesma ordem da economia de custo das 936 agências a menos (até R$ 2,3 a 3,7 bi por ano). O que os dados mostram sem ambiguidade é a perda de mercado. E um ponto de atendimento leve, com três pessoas, custa cerca de R$ 1,2 mi por ano e se paga com R$ 40 a 80 mi de carteira.
No crédito rural com juro equalizado pelo Tesouro, a fatia das cooperativas foi de 24% para 45% entre 2020 e 2025, e a do BB caiu de 57% para 38%. As cooperativas somam R$ 1,036 tri em ativos e 21,2 milhões de cooperados, e a inadimplência rural delas é bem menor que a do restante do sistema: proximidade é informação.
| Região | Municípios onde o BB fechou a última agência | Com cooperativa hoje | Com posto do BB hoje |
|---|---|---|---|
| Sul | 169 | 166 | 144 |
| Sudeste | 142 | 93 | 111 |
| Nordeste | 248 | 31 | 210 |
| Norte | 39 | 23 | 31 |
| Centro-Oeste | 33 | 28 | 26 |
| Brasil | 631 | 341 | 522 |
Nos juros, o BB é competitivo em veículos e no crédito pessoal, mas cobra como os privados nas linhas de quem está apertado. Nas tarifas, o pacote do BB custa de 2,3 a 4 vezes o do Banco Sicoob; a média das cooperativas singulares, porém, não é menor no pacote: elas ganham em isenções e sobras.
| Linha | BB | Banco Sicoob | Mediana |
|---|---|---|---|
| Cheque especial PF | 158,0 | 68,0 | 152,5 |
| Cartão rotativo PF | 325,2 | 219,3 | 497,9 |
| Consignado privado | 42,7 | 32,0 | 47,0 |
| Consignado INSS | 24,2 | 23,2 | 23,5 |
| Capital de giro até 1 ano | 34,8 | 15,0 | 34,6 |
| Cheque especial PJ | 419,6 | n/i | 195,7 |
Fonte: BCB, taxas de juros por instituição, prefixado.
| Tarifa | BB | Banco Sicoob | Média das cooperativas |
|---|---|---|---|
| Pacote padronizado III (mês) | 37,30 | 16,00 | 43,98 |
| Pacote padronizado IV (mês) | 55,60 | 24,00 | 58,85 |
| Anuidade cartão básico nacional | 234,00 | 28,80 | |
| TED no balcão | 34,60 | 13,00 | 16,76 |
| Manutenção de conta ativa PJ (mês) | 73,00 | zero | |
| Concessão de cheque especial PJ | 5.000,00 | 1.000,00 |
Fonte: BCB, tarifas por instituição e médias por grupo, vigência até 01/10/2026.
Desde a LC 196/2022, a cooperativa pode receber depósitos dos municípios onde tem dependência. O TCE-PR admitiu isso mesmo onde há banco oficial (Acórdão 4283/24). O Fundeb continua exclusivo do BB e da Caixa.
Com garantia da União, o crédito ao setor público tem peso zero no capital. São 2.677 municípios com CAPAG A ou B; 1.487 sem agência do BB, 939 deles com cooperativa.
A BB Asset lidera os fundos do poder público (R$ 572,8 bi) e dos regimes próprios de previdência (R$ 108,1 bi).
Na tabela de pacotes ela não é mais barata; vence pela isenção a quem concentra os negócios e pelas sobras.
Produtores com menos de 35 anos caíram de 16,9% para 11,5% entre os Censos Agropecuários de 2006 e 2017. A sucessão acontece nesta década.
Crédito com garantia da União e consórcio de máquinas não disputam o Capital Principal, hoje em 11,27%.
Pelos números do próprio banco, a fatia do BB no crédito do Sistema Financeiro Nacional caiu quase quatro pontos em dez anos. O BB lidera onde é banco de Estado e de grande empresa; perde no cartão, nos recebíveis, nos veículos e na micro e pequena empresa. Em dezembro de 2025, o Nubank tinha 63,8 milhões de clientes com crédito ativo, o Itaú 47,2 milhões e o BB 33,4 milhões, embora o BB trabalhe a segmentação de cerca de 89 milhões de clientes pessoa física.
| Linha | BB | Itaú | Bradesco | Santander |
|---|---|---|---|---|
| Cartão rotativo PF | 325,2 | n/i | 362,0 | 497,9 |
| Crédito pessoal PF | 48,7 | 56,1 | 86,9 | 46,7 |
| Veículos PF | 13,9 | n/i | 22,3 | n/i |
| Consignado público | 24,5 | 22,3 | 22,2 | 23,9 |
| Capital de giro até 1 ano | 34,8 | 26,6 | 33,4 | 30,5 |
| Antecipação de cartão PJ | 15,6 | 12,9 | 18,8 | 21,1 |
| Conta garantida PJ | 29,2 | 60,3 | 76,9 | 41,0 |
Fonte: BCB, taxas de juros por instituição, prefixado, 29/09 a 05/10/2026. n/i: não informou na semana.
Onde o BB é mais barato e perde, o problema é canal. Em veículos cobra 13,9% ao ano e tem 2,8% do mercado: o carro é financiado na concessionária. Nos recebíveis, o preço fica entre o do Itaú e o do Bradesco, mas o recebível vai para o banco onde a maquininha deposita, e o BB, sócio da Cielo, tem 6,3%.
Onde é mais caro e perde, o problema é preço. No capital de giro de curto prazo, 34,8% ao ano contra 26,6% do Itaú, com a carteira encolhendo 11,6% em doze meses. No consignado público, a maior linha de pessoa física do BB (R$ 113 bi), cobra mais que os três grandes privados.
Nas tarifas, os pacotes do BB estão no nível do Itaú e abaixo do Bradesco, mas a anuidade do cartão básico (R$ 234) e a TED no balcão (R$ 34,60) são as mais caras da comparação.
Os fechamentos de 2017, 2019 e 2021 foram decididos em planos de reorganização sem estudo público de impacto por município. O capítulo 2 mostra que, onde o corte foi maior, o BB perdeu carteira e fatia de mercado de forma permanente.
Sem custo direto. Evita repetir a perda média de R$ 82 mi de carteira por agência fechada no interior.
Engessar a gestão da rede. Salvaguarda: a regra exige estudo e alternativa, não proíbe fechar.
Conselho de Administração do BB (política interna).
Em 631 municípios o BB fechou a última agência desde 2016. Em 522 deles ainda há posto do banco, quase sempre sem gerente de crédito, e em 341 há cooperativa disputando o mesmo cliente. O BB já opera 16 escritórios no formato "Leve Digital" e 1.396 postos de atendimento.
Custo estimado de R$ 1,2 mi por ponto por ano (3 funcionários ao custo médio de pessoal do BB de R$ 323 mil, mais cerca de R$ 0,25 mi de imóvel, segurança e sistemas), ou R$ 360 mi por ano com os 300 pontos. Cada ponto se paga com R$ 40 a 80 mi de carteira, ao spread ajustado ao risco de 1,5% a 3,0%, menos do que cada agência fechada levou (R$ 82 mi). Com R$ 20 bi recuperados, a margem é de R$ 0,3 a 0,6 bi por ano, mais receitas de serviços. Consumo de capital: R$ 20 bi de carteira, a uma densidade de 75% a 100%, pedem R$ 1,7 a 2,3 bi de Capital Principal ao longo de quatro anos.
Ponto sem carteira suficiente. Salvaguarda: seleção por dados e revisão em 24 meses.
Diretoria de Distribuição e Conselho de Administração do BB.
Muitos dos municípios onde o BB saiu são pequenos (mediana de 12.722 habitantes) e não comportam ponto fixo. Neles o produtor resolve a vida na cooperativa porque ela está lá toda semana.
Cerca de R$ 393 mil por gerente por ano (pessoal e veículo), ou R$ 197 mi por ano para 500 gerentes.
Segurança no deslocamento e sobrecarga. Salvaguarda: rota com carga máxima definida em negociação coletiva e sem transporte de numerário.
Diretoria de Agronegócios e Diretoria de Distribuição; negociação coletiva para as condições de trabalho.
O BB tem 18.221 correspondentes Mais BB, que fazem saque, depósito e pagamento, mas quase não iniciam crédito rural. Onde não há agência nem posto, o correspondente é quem cobre o buraco.
Custo variável por contrato; sem custo fixo relevante.
Venda inadequada e fraude. Salvaguarda: remuneração por adimplência, decisão sempre do gerente e auditoria.
Diretoria de Distribuição do BB.
Há municípios sem agência nem posto de nenhum banco, atendidos só por correspondentes. O BB, a Caixa, o Banco do Nordeste e o Banco da Amazônia mantêm estruturas separadas onde ainda estão.
Custo de imóvel e segurança dividido entre os bancos; pessoal de cada banco em escala.
Enquadramento regulatório e coordenação entre bancos. Salvaguarda: piloto pequeno e consulta prévia.
Conselhos de Administração dos bancos públicos; Ministério da Fazenda como acionista.
O ESTBAN mostra o balancete das agências por município, mas não os postos, os correspondentes, o crédito rural por município nem o atendimento itinerante. Sem isso, a decisão de abrir e fechar não pode ser acompanhada.
Custo desprezível.
Exposição de informação a concorrentes. Salvaguarda: dados agregados por município, já parcialmente públicos.
Diretoria de Relações com Investidores e Conselho de Administração.
No crédito com juro equalizado pelo Tesouro (R$ 92,8 bi em 2025), a fatia do BB caiu de 57,4% em 2020 para 37,7% em 2025, e a das cooperativas subiu de 23,9% para 44,7%. No Sul o BB tem 24%; no Sudeste, 46%. No Pronamp, o BB caiu de 53,1% para 25,7%.
Cada ponto percentual a mais no equalizado equivale a cerca de R$ 0,9 bi de contratação por ano, ao valor de 2025. A receita depende do spread agro (3,3% em 2026, antes do risco).
Crescer em carteira de maior risco. Salvaguarda: mitigação obrigatória no custeio (B2).
Ministério da Fazenda (equalização); Diretoria de Agronegócios e Conselho de Administração do BB.
A parcela do custeio agrícola do BB contratada com seguro, Proagro ou proteção de preço caiu de 54,1% (safra 2023/24) para 35,6% (2025/26). No mesmo período a inadimplência do custeio agropecuário chegou a 10,18%. A carteira rural das cooperativas também tem pouca cobertura de seguro, cerca de 12%, mas inadimplência muito menor, o que mostra que proximidade e acompanhamento pesam tanto quanto o seguro.
Cada ponto percentual a menos de perda na carteira de custeio (R$ 95,4 bi em junho de 2026) vale cerca de R$ 0,95 bi.
Encarecer o crédito para o produtor. Salvaguarda: prêmio subvencionado e financiado.
Diretoria de Agronegócios do BB; Ministério da Agricultura (subvenção ao prêmio); CMN (Proagro).
A carteira do BB com cooperativas agropecuárias (que compram, armazenam e vendem a produção, diferentes das cooperativas de crédito) dobrou em um ano, para R$ 11,5 bi em junho de 2026. Essas cooperativas têm assistência técnica e informação sobre o associado que o banco não tem.
Crédito a pessoa jurídica com garantia da cooperativa, de risco menor que o do custeio individual.
Concentração em poucas cooperativas. Salvaguarda: limite por grupo econômico.
Diretoria de Agronegócios do BB.
A carteira renegociada pelo BB Regulariza Agro (MP 1.314) soma R$ 39,3 bi, 9,3% da carteira agro. Renegociação sem mudança na lavoura tende a voltar ao atraso.
Redução de perdas na carteira renegociada; custo da assistência técnica compartilhado com as cooperativas e órgãos estaduais.
Produtor sem capacidade de pagamento. Salvaguarda: análise caso a caso.
Diretoria de Agronegócios e Diretoria de Riscos do BB.
A cooperativa decide na cidade; o BB, cada vez mais, em centrais. Demora custa safra: o crédito de custeio fora do prazo do plantio perde a razão de ser.
Sem custo direto; ganho de conversão e de fidelização.
Decisão local com controle fraco. Salvaguarda: modelos de risco centrais e auditoria por amostra.
Diretoria de Agronegócios e Diretoria de Riscos do BB.
O BB cobra 8,2% ao mês (158% ao ano) no cheque especial de pessoa física, no nível dos grandes privados e no nível do teto de 8% ao mês fixado pelo CMN para os juros (a taxa informada ao Banco Central pode incluir encargos). O Banco Sicoob cobra 4,4% ao mês. O saldo do BB nessa linha é de R$ 3,3 bi, 0,9% da carteira de pessoa física.
Redução máxima de receita de cerca de R$ 0,9 bi por ano, se todo o saldo pagasse a taxa cheia (2,2 pontos ao mês sobre R$ 3,3 bi); o efeito real é menor, porque parte do saldo está em atraso e não gera juros, e porque taxa menor reduz a inadimplência.
Aumento do uso da linha. Salvaguarda: parcelamento automático e limites por renda.
Diretoria de Clientes Pessoa Física e Conselho Diretor do BB.
No cheque especial de empresas o BB cobra 14,7% ao mês (420% ao ano), mais que o dobro da mediana (196%). No capital de giro de até um ano, 34,8% ao ano, contra 15,0% do Banco Sicoob. A carteira de micro, pequenas e médias empresas encolheu 9,3% em doze meses, para R$ 110,5 bi.
Redução máxima de receita no cheque especial de empresas de cerca de R$ 0,3 bi por ano (5,3 pontos ao mês sobre R$ 0,5 bi). Cada R$ 10 bi de carteira MPME recuperada rende R$ 0,46 bi por ano ao spread de empresas antes do risco (4,6% em 2026).
Inadimplência de pequenas empresas. Salvaguarda: garantias públicas e de recebíveis.
Diretoria de Clientes MPE e Conselho Diretor do BB; Ministério da Fazenda e Sebrae para as garantias.
A cooperativa devolve parte do resultado ao cooperado em forma de sobras. O cliente do BB que paga em dia não recebe nada por isso, e paga a mesma taxa de quem atrasa.
O Pronamp do BB nas duas regiões soma cerca de R$ 17,7 bi; com juros de 8% a 10% ao ano, devolver 10% custa R$ 140 a 180 mi por ano. Retorno em menor perda e em retenção do cliente.
Custo sem efeito. Salvaguarda: piloto com avaliação antes de ampliar.
Diretoria de Agronegócios e Conselho de Administração do BB.
Metas individuais de venda de seguro, capitalização e consórcio estimulam a venda casada, que é proibida (Código de Defesa do Consumidor, art. 39, I), e o assédio. A carta aberta dos funcionários do BB de outubro de 2026 cobra o fim das metas abusivas.
Possível perda de receita de produtos de prateleira no curto prazo; ganho de retenção e menor risco jurídico e de imagem.
Queda de receitas de serviços. Salvaguarda: metas de relacionamento que incluem uso de produtos adequados ao perfil.
Diretoria Executiva e Conselho de Administração do BB; negociação coletiva.
O cliente não vê, na hora de contratar, quanto a taxa do BB está acima ou abaixo do mercado. O Banco Central publica as taxas por instituição toda semana.
Custo de tecnologia pequeno; argumento comercial nas linhas em que o BB já é mais barato (veículos, crédito pessoal, rotativo do cartão).
Expor as linhas em que o BB é mais caro. Salvaguarda: as medidas C1 e C2 corrigem essas linhas antes.
Diretoria de Clientes do BB.
O BB tem 83.991 funcionários, 1.968 a menos que um ano antes. O quadro operacional caiu de 40.027 para 36.915 no mesmo período. Os pontos leves e os gerentes itinerantes exigem gente onde o banco saiu.
As 1.400 vagas de A2 e A3 já estão no custo dessas medidas; as 600 restantes custam cerca de R$ 0,19 bi por ano.
Custo fixo em ano de resultado baixo. Salvaguarda: contratação em duas etapas, a segunda condicionada à carteira dos primeiros pontos.
Diretoria de Pessoas, Conselho de Administração; Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST) para o quadro.
Relacionamento rural depende de conhecer o produtor ao longo de várias safras. No ramo bancário, 23 de cada 100 bancários foram transferidos de unidade em 2025, mais que o dobro das cooperativas (10).
Adicional de 20% para 1.400 gerentes e funcionários dos novos pontos custa cerca de R$ 90 mi por ano.
Rigidez de alocação. Salvaguarda: permanência mínima, não vitalícia.
Diretoria de Pessoas do BB e negociação coletiva.
Crédito rural de qualidade exige conhecer cultura, clima, preço e seguro. A inadimplência do custeio de 10,18% mostra que a análise falhou em parte da carteira.
Custo de formação pequeno diante de um ponto de perda no custeio (R$ 0,95 bi).
Formação sem uso. Salvaguarda: certificação ligada à alçada (B5).
Diretoria de Pessoas e Diretoria de Agronegócios do BB.
O Capital Principal do BB está em 11,27% e a Basileia em 13,91%. O lucro projetado para 2026 é de R$ 18 a 22 bi, e o BB pagou R$ 1,8 bi em juros sobre capital e dividendos no 1º semestre de 2026, cerca de 24% do lucro ajustado.
A carteira recuperada de R$ 20 bi pede R$ 1,7 a 2,3 bi de Capital Principal em quatro anos, cerca de 2% a 3% do lucro projetado no período.
Pressão da União por dividendos em ano fiscal apertado. Salvaguarda: regra por gatilho, pública.
Conselho de Administração e assembleia de acionistas (União como controladora).
A remuneração variável da diretoria segue indicadores financeiros. Nenhum indicador de presença, fatia no crédito rural ou preço ao cliente pesa na avaliação.
Sem custo.
Indicadores mal calibrados. Salvaguarda: revisão anual.
Conselho de Administração, comitê de remuneração e assembleia de acionistas; SEST.
A coordenadora econômica de uma das candidaturas à Presidência disse em setembro de 2026 que o BB "poderia" ser privatizado, porque vale menos que o patrimônio. O BB é negociado a 0,63 vez o valor patrimonial (junho de 2026). A Lei 9.491/1997, do Programa Nacional de Desestatização, não se aplica ao BB (art. 3º); a venda do controle dependeria de lei específica.
Vender o controle a 0,63 vez o patrimônio significaria abrir mão de cerca de 37% do valor contábil da participação da União. Cada 0,1 de aumento na relação entre preço e valor patrimonial vale, sobre um patrimônio de R$ 189 bi, cerca de R$ 19 bi de valor de mercado.
Ciclo do agro adiar a recuperação. Salvaguarda: mitigação (B2) e diversificação (C2, B3).
União como acionista controladora; Congresso Nacional para qualquer alteração do controle.
O pacote padronizado III custa R$ 37,30 por mês no BB e R$ 16,00 no Banco Sicoob; o IV, R$ 55,60 e R$ 24,00. A cooperativa singular cobra em média até mais na tabela (R$ 43,98 e R$ 58,85), mas isenta quem concentra os negócios nela. A receita de conta corrente do BB foi de R$ 2,75 bi no 1º semestre de 2026.
O BB não divulga a receita de tarifas por segmento. Se esses cinco segmentos responderem por 10% a 15% da receita anual de conta corrente (cerca de R$ 5,5 bi), o custo máximo é de R$ 0,5 a 0,8 bi por ano. Em troca, o banco passa a ter o argumento mais simples contra a cooperativa: conta de graça para quem é cliente de verdade.
Perda de receita sem ganho de clientela. Salvaguarda: segmentos definidos pelo relacionamento (crédito, benefício, folha) e avaliação em 12 meses.
Diretoria de Clientes e Conselho Diretor do BB.
Na tabela de pessoa jurídica, o BB cobra até R$ 73,00 por mês de manutenção de conta ativa (Banco Sicoob, zero; Banco Sicredi, R$ 30,00), R$ 5.000,00 para conceder cheque especial ou conta garantida (R$ 1.000,00 e R$ 80,00), R$ 105,00 por cheque devolvido (R$ 35,00 e R$ 45,00) e R$ 2.376,00 de anuidade do cartão empresarial (R$ 120,00 no Banco Sicoob). Ao mesmo tempo, a carteira de micro, pequenas e médias empresas do BB caiu 9,3% em doze meses.
Não estimado: o BB não divulga a receita de tarifas de pessoa jurídica por porte. Retorno pela recuperação da carteira MPME (C2): cada R$ 10 bi rendem R$ 0,46 bi por ano antes do risco.
Uso da isenção sem movimentação. Salvaguarda: uso mínimo e recebimentos no BB.
Diretoria de Clientes MPE e Conselho Diretor do BB.
A anuidade do cartão básico nacional do BB é de R$ 234,00, a mais alta da comparação (Caixa R$ 156,00, Bradesco R$ 108,00, Banco Sicoob R$ 28,80). A TED no balcão custa R$ 34,60 (R$ 13,00 no Banco Sicoob) e a transferência entre contas no balcão, R$ 11,30 (R$ 1,50). Quem paga tarifa no balcão, no interior, é em geral quem não usa o aplicativo, como idosos.
Não estimado em separado; a renda de cartões do BB foi de R$ 1,04 bi no 1º semestre de 2026, e a anuidade é só parte dela. A devolução é calibrada para ser paga com o resultado adicional do próprio cliente.
Perda de receita. Salvaguarda: devolução proporcional ao resultado gerado.
Diretoria de Clientes e Diretoria de Cartões do BB.
Desde a LC 196/2022 a cooperativa pode receber depósitos dos municípios onde tem dependência, e há tribunal de contas que admite isso mesmo havendo banco oficial (capítulo 5). O BB guarda por lei as contas do Fundeb, administra o maior volume de fundos do poder público e dos regimes próprios de previdência, mas não tem uma oferta padronizada para a prefeitura pequena.
Custo de tarifa de arrecadação e de 133 gerentes (cerca de R$ 43 mi por ano). Retorno em depósitos, taxa de administração de fundos (que já é a maior receita de serviços do BB) e na porta de entrada para folha, crédito e previdência.
Captura política da relação com a prefeitura. Salvaguarda: oferta padronizada e pública, igual para todos os municípios.
Diretoria de Governo e Conselho de Administração do BB.
Na parcela garantida pelo Tesouro, o crédito ao setor público tem peso zero no capital. O BB desembolsou R$ 16,5 bi a estados e municípios no 1º semestre de 2026, mas a prefeitura pequena raramente consegue montar a operação. São 2.677 municípios com CAPAG A ou B; 1.487 sem agência do BB.
Sem consumo de Capital Principal na parcela garantida. Ao spread de 1% ao ano, R$ 10 bi rendem cerca de R$ 0,1 bi por ano, com capital zero, além do relacionamento.
Endividamento municipal. Salvaguarda: só CAPAG A ou B e limites da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Diretoria de Governo do BB; Tesouro Nacional (garantia e verificação de limites); CMN (limite de crédito ao setor público).
Prefeituras pequenas perdem convênios, emendas e programas federais por falta de projeto e de capacidade técnica. O dinheiro que chega passa pelo banco em que a prefeitura tem conta.
Incluído no custo dos gerentes de setor público (G1), com apoio da Fundação BB.
Conflito de interesse na escolha de fornecedores. Salvaguarda: o BB não indica fornecedor; só apoia projeto e contratação.
Diretoria de Governo do BB e Fundação Banco do Brasil.
A folha dos servidores municipais é disputada em licitação, e as cooperativas vencem cada vez mais delas no Sul. O servidor é cliente estável, com consignado de baixo risco.
Depende de cada licitação; o consignado público do BB soma R$ 113,0 bi e é uma das linhas de menor risco da carteira de pessoa física.
Pagar caro pela folha. Salvaguarda: valor máximo calculado pelo resultado esperado do servidor-cliente.
Diretoria de Governo e Diretoria de Clientes do BB.
A BB Asset é líder na gestão de recursos de regimes próprios de previdência (R$ 108,1 bi). Regimes pequenos têm conselhos com pouca formação e estão expostos a aplicações de risco.
Taxa menor por real, compensada pela escala e pela relação com a prefeitura.
Concentração de recursos de regimes no BB. Salvaguarda: regras de enquadramento do CMN e transparência.
BB Asset e Diretoria de Governo do BB.
Os clientes do BB de 8 a 25 anos cresceram 7% em doze meses, e os universitários, 6%, com carteira de R$ 22,4 bi. Mas o jovem do interior abre a primeira conta onde a família já está, e a família do produtor está cada vez mais na cooperativa.
Custo baixo por conta; retorno de longo prazo em relacionamento.
Contas sem uso. Salvaguarda: conteúdo e benefícios ligados ao uso.
Diretoria de Clientes do BB.
Produtores com menos de 35 anos eram 16,9% em 2006 e 11,5% em 2017. A sucessão das propriedades vai acontecer nesta década, e quem financiar a primeira safra do sucessor fica com o cliente por décadas. O Pronaf tem linha para jovens, mas o acesso depende de projeto e de quem esteja perto para montar a proposta.
Crédito de baixo valor unitário; retorno no relacionamento de longo prazo e na redução do risco de perda do cliente na troca de geração.
Inadimplência maior no primeiro crédito. Salvaguarda: seguro, assistência técnica e garantia da família.
Diretoria de Agronegócios do BB; Ministério do Desenvolvimento Agrário (Pronaf).
Cooperativas de crédito mantêm programas de educação cooperativa e financeira em escolas públicas do interior, como as cooperativas escolares do Sicredi, no Rio Grande do Sul desde 2014. O BB tem a Fundação Banco do Brasil e lançou o BB Educa no ensino superior, mas não tem presença equivalente na escola básica do interior.
Custo da Fundação BB e de material; retorno de marca e de relacionamento.
Uso comercial indevido na escola. Salvaguarda: conteúdo sem venda de produto.
Fundação Banco do Brasil e Diretoria de Marketing do BB; redes municipais de ensino.
Os pontos leves e os gerentes itinerantes vão abrir trabalho onde o BB saiu. A lei de aprendizagem (Lei 10.097/2000) já obriga o banco a contratar aprendizes.
Custo de bolsa e encargos; dentro da cota legal de aprendizes.
Baixo.
Diretoria de Pessoas do BB.
Nas cidades pequenas, o benefício do INSS é uma das maiores fontes de renda, e o aposentado é quem mais precisa de atendimento presencial. O consignado do INSS do BB custa 24,2% ao ano, um pouco acima da mediana do mercado (23,5%), e o banco ocupa a 23ª posição entre 37.
Carteira consignado INSS do BB de R$ 28,3 bi; cada ponto percentual a menos de taxa custa cerca de R$ 0,28 bi por ano, compensado por volume e retenção.
Margem menor. Salvaguarda: linha de baixíssimo risco.
Diretoria de Clientes Pessoa Física do BB.
A carteira de crédito do BB para máquinas e implementos caiu 12,7% em doze meses, para R$ 50,7 bi. O consórcio permite ao produtor planejar a compra sem que o banco carregue a carteira, e as taxas de administração de consórcio do BB cresceram 14,1% no semestre.
Receita de taxa de administração sem consumo de capital de crédito.
Venda inadequada. Salvaguarda: fim das metas por produto (C4).
BB Consórcios e Diretoria de Agronegócios do BB.
O comerciante do interior escolhe o banco pela maquininha, pelo Pix de cobrança e pela antecipação de recebíveis. As cooperativas oferecem esse pacote próprio aos associados. O BB tem a Cielo como coligada e Pix e boleto próprios.
Receita de recebimentos e de crédito com garantia de recebíveis.
Preço da maquininha abaixo do custo. Salvaguarda: pacote vinculado ao volume recebido no BB.
Diretoria de Clientes MPE do BB; Cielo.
A carteira de armazenagem do BB é de R$ 17,9 bi (+4,4% em doze meses). Armazém próprio ou coletivo permite ao produtor vender na hora certa e reduz o risco do crédito de custeio. Energia solar na propriedade reduz custo fixo.
Crédito de investimento com garantia real e risco menor que o custeio.
Projeto superdimensionado. Salvaguarda: análise técnica e participação da cooperativa.
Diretoria de Agronegócios do BB.
O BB tem 6,3% dos recebíveis do sistema (Bradesco 14,2%, Itaú 14,1%) e 11,3% do capital de giro (Bradesco 15,1%), e as duas carteiras caíram 10,7% e 11,6% em doze meses. Na antecipação de recebíveis de cartão e no desconto de duplicatas o preço do BB está entre o do Itaú e o do Bradesco; o que falta é o domicílio bancário: o recebível vai para o banco onde a maquininha deposita. O BB é sócio da Cielo, com o Bradesco, mas não usa essa sociedade para trazer o domicílio do lojista. No capital de giro de até um ano, cobra 34,8% ao ano, contra 26,6% do Itaú e 30,5% do Santander.
Os R$ 8 bi de recebíveis e giro garantido, a um spread ajustado ao risco de 2% a 3%, rendem R$ 0,16 a 0,24 bi por ano, mais tarifas de conta e de cobrança. Custo estimado da taxa menor: cerca de R$ 0,4 bi por ano se R$ 8 bi da carteira de giro de curto prazo (a parte garantida por recebíveis domiciliados) passarem à nova taxa. Consumo de capital: R$ 8 bi de carteira pedem cerca de R$ 0,7 a 0,9 bi de Capital Principal.
Fraude na trava de recebíveis e disputa de preço com o sócio Bradesco na Cielo. Salvaguarda: garantia registrada e acordo comercial que separe a rede de captura da disputa bancária.
Vice-presidência de Negócios de Atacado e Diretoria de Clientes MPE do BB; Conselho da Cielo.
O BB tem 1,5% do crédito à micro empresa (Caixa 21,3%, Nubank 7,7%) e 10,8% da pequena empresa (Bradesco 23,3%). A carteira de MPME caiu 9,3% em doze meses, para R$ 110,5 bi. O banco administra o Fundo de Garantia de Operações (FGO) do Pronampe, mas a micro empresa continua a ser atendida por quem conhece o faturamento dela: o banco da maquininha e o do Pix.
As duas metas acrescentam cerca de R$ 15 bi de carteira (R$ 13 bi na pequena empresa, hoje R$ 42,9 bi, e R$ 2 bi na micro, hoje R$ 1,9 bi), com margem de cerca de R$ 0,7 bi por ano na proporção usada em C2 (R$ 0,46 bi por R$ 10 bi). Consumo de capital: R$ 1,3 a 1,7 bi de Capital Principal.
Inadimplência alta na micro empresa. Salvaguarda: garantia do FGO, limite pelo faturamento comprovado e revisão do modelo a cada safra de contratos.
Diretoria de Clientes MPE e Diretoria de Crédito do BB; Ministério da Fazenda para os limites do FGO.
O BB trabalha a segmentação de cerca de 89 milhões de clientes pessoa física, mas tem 33,4 milhões de clientes com operação de crédito ativa, contra 63,8 milhões do Nubank e 47,2 milhões do Itaú. No crédito pessoal o BB cobra menos que o Itaú e o Bradesco, e no rotativo do cartão, menos que o Bradesco e o Santander; ainda assim, tem 14,0% do crédito pessoal (Nubank 15,3%) e 9,9% do cartão (Itaú 20,4%, Nubank 15,7%). O cliente que recebe salário ou benefício no BB vai buscar crédito em outro lugar.
Cada milhão de clientes novos com crédito, a um saldo médio de R$ 5 mil, soma R$ 5 bi de carteira; 6,6 milhões a mais em 2028 somam cerca de R$ 33 bi, com consumo de Capital Principal de R$ 2,8 a 3,8 bi se toda a carteira for nova. A meta deve crescer no ritmo que o capital permitir (E1).
Endividamento do cliente e inadimplência no cartão. Salvaguarda: limite pela renda conhecida, teto de comprometimento, parcelamento em vez de rotativo e fim das metas individuais por produto (C4).
Vice-presidência de Negócios de Varejo e Diretoria de Crédito do BB.
Em veículos o BB cobra 13,9% ao ano, contra 22,3% do Bradesco e 23,0% da mediana, e tem 2,8% do mercado (Santander 19,1%). A carteira originada pelo próprio banco caiu 26,8% em doze meses, para R$ 3,1 bi, e é menor que a carteira comprada de outras instituições (R$ 7,8 bi). Pelo indicador do próprio BB, a fatia foi de 7,6% em março de 2018. No financiamento imobiliário, a carteira caiu 5,3%, para R$ 45,2 bi. O carro é financiado na concessionária e o imóvel, no correspondente da incorporadora, onde o BB quase não está.
Veículos: R$ 5 bi a mais de carteira a um spread de 3% a 4% rendem R$ 0,15 a 0,2 bi por ano. Imobiliário: R$ 10 bi a mais, com garantia real e prazo longo, prendem o cliente por 20 a 30 anos e trazem conta, cartão e seguros.
Comissão alta para a concessionária e pressão por venda. Salvaguarda: remuneração do parceiro por contrato adimplente e taxa igual no aplicativo e na loja.
Vice-presidência de Negócios de Varejo do BB; BB Consórcios.
O consignado público é a maior linha de pessoa física do BB (R$ 113,0 bi) e uma das de menor risco, mas ficou parado em doze meses (+0,3%). O BB cobra 24,5% ao ano, a taxa mais alta entre os grandes bancos (Itaú 22,3%, Bradesco 22,2%, Santander 23,9%), o que expõe a carteira à portabilidade para os privados. No consignado do trabalhador do setor privado, com desconto pelo eSocial, a carteira do BB cresceu 127,8%, para R$ 12,4 bi, mas a taxa (42,7%) é maior que a do Santander (35,0%).
Reduzir 0,5 ponto percentual (até a mediana de 23,9%) em toda a carteira pública custaria cerca de R$ 0,6 bi por ano; aplicada só às novas operações e às portabilidades, custa R$ 0,1 a 0,2 bi no primeiro ano e protege a carteira de R$ 113 bi. Os R$ 12,6 bi a mais de consignado privado, a um spread ajustado ao risco de 4% a 5%, rendem R$ 0,5 a 0,6 bi por ano.
Perda de margem e risco de desemprego no consignado privado. Salvaguarda: redução só para quem tem folha no BB e garantia do FGTS no privado.
Vice-presidência de Negócios de Varejo do BB.
A BB Asset lidera a gestão para investidores institucionais, poder público, varejo tradicional e regimes próprios, mas a fatia no ranking de gestão caiu de 19,5% em 2022 para 18,1% em junho de 2026. Os fundos do segmento alta renda cresceram 27,9% em doze meses, para R$ 152,7 bi, o que mostra demanda. No interior, o produtor médio e grande, o profissional liberal e o empresário da cidade média são atendidos no crédito pelo BB, mas muitas vezes investem em plataformas e bancos privados.
A administração de fundos rendeu R$ 5,6 bi no 1º semestre de 2026. Cada ponto percentual de fatia equivale a cerca de 5,5% dessa receita, ou R$ 0,6 bi por ano. Custo de 300 especialistas: cerca de R$ 0,1 bi por ano. Não consome capital de crédito.
Venda de produto inadequado ao perfil. Salvaguarda: suitability e remuneração sem meta por produto.
BB Asset e Vice-presidência de Negócios de Varejo do BB.
O BB lidera na grande empresa (16,2%), mas essa carteira caiu, e as rendas de mercado de capitais caíram 26,5% no 1º semestre de 2026 (R$ 269 mi). A grande empresa que deixa o crédito bancário vai ao mercado de debêntures e CRA, em que os bancos de investimento dos privados lideram. Com o Capital Principal em 11,27%, emprestar menos com o balanço e estruturar mais no mercado libera capital.
Passar de cerca de R$ 0,55 bi (o 1º semestre de 2026 anualizado) para R$ 1 bi por ano em rendas de mercado de capitais acrescenta cerca de R$ 0,45 bi de receita sem consumir capital, e cada R$ 10 bi de crédito de grande empresa convertidos em emissão liberam cerca de R$ 0,9 a 1,1 bi de Capital Principal.
Ciclo do mercado de capitais e risco de imagem em emissão com problema. Salvaguarda: análise de crédito igual à do empréstimo e limite de garantia firme.
BB Banco de Investimento e Vice-presidência de Negócios de Atacado do BB.
Os custos fixos de presença e pessoas (pontos leves, gerentes itinerantes, quadro e carreira, especialistas de investimento) somam cerca de R$ 0,94 bi por ano. Somados os tetos de redução de receita de juros e tarifas (até R$ 3,2 bi), o bônus de adimplência e os gerentes de setor público, o plano custaria no máximo cerca de R$ 4,3 bi por ano. É um limite superior: supõe que nada volte em volume e clientes, e a implantação em etapas permite parar o que não der resultado. A carteira que o Eixo J busca deve crescer no ritmo da política de capital, com a troca de crédito de grande empresa por emissões no mercado de capitais liberando parte desse capital. O plano não pede aporte do Tesouro.
ESTBAN por município (Banco Central), dez/2014 a jun/2026, BB pelo CNPJ básico 00000000. Unidade: região geográfica imediata do IBGE, excluídas as regiões de capital e o DF. Exposição: parcela líquida de agências do BB fechadas entre 2016 e 2024. Resultado: crescimento do crédito (verbete 160), do crédito rural (163 a 167) e dos depósitos. Modelo: mínimos quadrados ponderados pelo saldo de 2016, com crescimento dos demais bancos, população e efeito fixo de UF; erros robustos. Pré-tendência 2014-2016 sem significância. É associação com controles, não experimento. Números conferidos por revisão independente com código próprio.