Diagnóstico, metas, caminhos e instrumentos para uma Caixa pública, solvente e presente onde o Brasil precisa. Trinta e duas medidas em cinco eixos, verificadas uma a uma contra a principal restrição da Caixa até 2030: o capital. Incorpora as contribuições do documento Caixa 2030 e da revista Caixa Brasil, com dados oficiais da Caixa, do Banco Central, do IBGE, do Tesouro e do FGTS.
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Ritmo atual: RWA crescendo 15,6% ao ano, como no 1º semestre de 2026. A meta do plano é Capital Principal de pelo menos 12,5% e Basileia de pelo menos 14,5% até 2030.
Uma Caixa para Todos é o plano da Henrichs Consultoria para a Caixa Econômica Federal entre 2027 e 2030. Cada medida tem a mesma estrutura: diagnóstico com dados, meta, caminho passo a passo, quanto custa ou quanto rende, alternativas descartadas, efeitos sobre trabalhadores e rede, riscos e quem decide.
O plano parte de três bases: os dados oficiais da Caixa, do Banco Central, do IBGE, do Tesouro e do Conselho Curador do FGTS; o documento "Caixa 2030, Diretrizes para uma Caixa Pública, Competitiva, Sustentável e Bem Governada", cujos quatro atributos foram preservados; e a revista "Caixa Brasil", da Fenae e da Contraf-CUT (ago/2026), que lê a Caixa pela ponta do atendimento. O que o plano acrescenta é a base quantitativa, os instrumentos de decisão e a verificação de viabilidade de cada proposta diante da principal restrição da Caixa nos próximos anos: o capital.
Com retorno recorrente de 9,16% e pagamento mínimo de 25% à União, o lucro retido sustenta crescimento de cerca de 7% ao ano dos ativos ponderados pelo risco. Eles subiram 7,5% só no 1º semestre de 2026. Mantido esse ritmo, o Índice de Basileia cairia abaixo do mínimo regulatório de 11,5% em 2029.
O plano cabe no capital se o pagamento à União ficar no mínimo legal e o crescimento for orientado por prioridade: saneamento e habitação com funding próprio (LIG, securitização, poupança), e contenção do agronegócio enquanto a inadimplência estiver acima da meta.
Entram em vigor o novo direcionamento da poupança (a Caixa tem 39,74% do total), a decisão sobre a MP que proíbe as apostas de quota fixa e o fim da transição contábil da perda esperada.
Os saques subiram de R$ 160,9 bi (2024) para R$ 190,4 bi (2025) e a arrecadação líquida caiu a cerca de R$ 22,2 bi. O plano propõe estudo de impacto, revisão do saque-aniversário com transição e tarifa do agente operador pelo custo apurado (A7 e A10).
Oito estados têm menos de uma agência da Caixa por 100 mil habitantes, o critério declarado pela própria Caixa; o Maranhão tem 0,57. Corrigir isso exige 94 agências, cerca de um quarto das 373 fechadas desde o fim de 2023 (D1).
Locação social para o déficit causado por aluguel (62,1% do total), fundo de permanência para evitar retomadas por custo de condomínio e critério de localização no Minha Casa Minha Vida (B2, B4 e B5).
Porta de entrada para a população em situação de rua, retenção dos jovens do Pé-de-Meia e inventário da dependência tecnológica (D5, D6 e D7).
Painel público com 23 indicadores, publicação das metas do plano estratégico oficial da Caixa e seleção pública de dirigentes (E1 a E3).
Pedro Paulo Henrichs Neto é fundador e CEO da Henrichs Consultoria, de Brasília, especializada em relações institucionais e governamentais, acompanhamento do Legislativo e do Executivo federal e inteligência de dados públicos.
Este plano junta essa experiência no sistema financeiro e na gestão pública à leitura das demonstrações, dos relatórios e dos dados oficiais da Caixa, do Banco Central e do Tesouro.
Foi chefe de gabinete de deputado federal na Câmara dos Deputados (2018) e subsecretário de Participação Social do Governo do Distrito Federal (2011 a 2013).
Começou a carreira no Banco do Brasil, como escriturário (2004 a 2006), e foi assessor técnico e político do Sindicato dos Bancários de Brasília (2006 a 2010), acompanhando as negociações coletivas da categoria.
Presidiu o Fórum de Juventude dos BRICS (2014 a 2016) e foi observador eleitoral internacional credenciado em mais de 20 eleições nas Américas, na Europa e na Ásia.
Graduado em Gestão Pública pelo IESB e mestrando em Ciência Política e Relações Internacionais no IDP. Concluiu em 2026 a formação internacional em inovação, liderança, conformidade e gestão de risco da Escola de Management da Sorbonne (Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne).
A Henrichs Consultoria desenvolve sistemas próprios de acompanhamento legislativo e painéis de inteligência sobre dados públicos, usados na produção deste plano.
Entre dezembro de 2022 e junho de 2026, a carteira de crédito passou de R$ 1.012,3 bi para R$ 1.448,2 bi (+43,1%). O crédito imobiliário chegou a R$ 1.005,0 bi, com 67,91% de participação de mercado. O índice de eficiência melhorou de 56,13% para 52,28%, o melhor da série. O retorno recorrente sobre o patrimônio subiu de 7,86% para um pico de 11,93% no 3T25 (12,00% no 1T25, considerada a reapresentação feita pela Caixa).
Ao mesmo tempo, três indicadores pioraram: o Capital Principal caiu de 14,95% para 13,42%, a inadimplência acima de 90 dias subiu de 2,09% para 3,64%, e o lucro recorrente do 1º semestre de 2026 (R$ 7,368 bi) ficou 17,6% abaixo do mesmo período de 2025.
| Fonte | Juros 2025 (R$ bi) | Saldo dez/25 (R$ bi) | Custo |
|---|---|---|---|
| Empréstimos e repasses (FGTS e outros) | 37,8 | 588,1 | 6,4% |
| Poupança | 29,1 | 396,2 | 7,3% |
| Depósitos judiciais | 10,6 | 118,5 | 8,9% |
| Letras (LCI, LF, LCA, externas) | 34,9 | 290,5 | 12,0% |
| CDB e RDB | 25,5 | 202,1 | 12,6% |
| Mercado aberto (compromissadas) | 32,1 | 198,4 | 16,2% |
Fonte: Caixa, demonstrações contábeis 2025, notas 15 e 21. Custo aproximado: cálculo Henrichs, despesa do ano dividida pelo saldo de fim de período. Subestima o custo das fontes que cresceram no ano e serve para ordenar as fontes, não para precificá-las.
Cada real que migra da poupança e do FGTS para CDB, LCI e compromissadas encarece o funding em vários pontos percentuais. Essa é a mesma conclusão do Caixa 2030, agora com o custo por fonte.
Pelas Resoluções CMN 5.254 e 5.255/2025, a partir de 1º/01/2027 o direcionamento da poupança passa a 100% para crédito imobiliário, com dedução gradual do compulsório em dez anos. O Banco Central estimou R$ 111 bi para o crédito imobiliário no primeiro ano. A Caixa detém 39,74% da poupança do país.
A MP 1.394/2026, de 25/09/2026, proíbe as apostas de quota fixa e extingue as autorizações. Tramita no Congresso, com prazo inicial de 60 dias (até 23/11/2026), prorrogável por igual período. As Loterias Caixa arrecadaram R$ 26,6 bi em 2025.
A transição da Res. CMN 4.966/2021 no capital termina em 2028 (Res. CMN 5.199/2024). O ajuste negativo pode ser somado de volta ao Capital Principal em 50% em 2026, 25% em 2027 e 0% a partir de 2028.
O plano oficial que já existe. A Caixa adota o "Plano Estratégico 2025-2030 / Estratégia CAIXA 2030", com seis pilares, mas sem metas numéricas públicas. O documento Caixa 2030 não o menciona. Este plano propõe dialogar com ele pela via das metas: publicá-las e acompanhá-las com os 23 indicadores do painel.
O capital próprio cresce pelo lucro retido. Para manter o índice de capital constante, os ativos ponderados pelo risco (RWA) só podem crescer à mesma taxa do capital, que é aproximadamente o retorno sobre o patrimônio multiplicado pela parcela do lucro que fica no banco.
A carteira cresceu 12,0% entre jun/2025 e jun/2026 (de R$ 1.293,6 bi para R$ 1.448,2 bi) e o RWA subiu 7,5% só no 1º semestre de 2026 (de R$ 960,1 bi para R$ 1.032,5 bi), cerca de 15,6% anualizados.
| Premissa | ROE | Retido | RWA a.a. |
|---|---|---|---|
| ROE de jun/2026, pagamento mínimo de 25% | 9,16% | 75% | 6,9% |
| ROE de 2025, pagamento mínimo de 25% | 10,67% | 75% | 8,0% |
| ROE de jun/2026, pagamento de 40% | 9,16% | 60% | 5,5% |
| ROE-meta do plano (11%), pagamento de 25% | 11,00% | 75% | 8,3% |
Cálculo Henrichs sobre o RAD 2T26 e o RAD 4T25.
| RWA a.a. / pagamento à União | CP 2028 | CP 2030 | Basileia 2030 |
|---|---|---|---|
| 7,5% / 25% | 13,32% | 13,10% | 14,56% |
| 7,5% / 40% | 12,86% | 12,39% | 13,85% |
| 10% / 25% | 12,57% | 11,81% | 13,13% |
| 10% / 40% | 12,14% | 11,17% | 12,49% |
| 12% / 25% | 12,02% | 10,89% | 12,11% |
| 12% / 40% | 11,61% | 10,30% | 11,52% |
| Ritmo do 1º sem. 2026 (15,6%) / 25% | 11,10% | 9,44% | 10,50% |
Simulação Henrichs. Metodologia no fim da página.
Nenhum dos seis cenários rompe o mínimo de Capital Principal (8,0%) até 2030. O problema é a folga para absorver choques: com crescimento de 12% e pagamento de 40%, a Basileia termina 2030 em 11,52%, praticamente no mínimo de 11,5%.
O ritmo atual é mais rápido que o do cenário mais severo. Mantido, levaria o Capital Principal a 12,04% em 2027 e 9,44% em 2030, e a Basileia a 11,48% em 2029, abaixo do mínimo. As metas do plano (Capital Principal de pelo menos 12,5% e Basileia de pelo menos 14,5%) só se cumprem com crescimento de cerca de 7,5% ao ano e pagamento mínimo à União. Isso significa escolher onde crescer.
A régua que organiza todas as medidas. Para manter o Capital Principal em 12,5%, cada R$ 1 bi de capital sustenta cerca de R$ 8 bi de RWA. Com a densidade média da carteira da Caixa (60%), isso equivale a cerca de R$ 13 bi de carteira. A régua mede cada proposta de expansão em capital consumido, e cada proposta de funding ou de receita em capital liberado ou gerado.
As quatro alavancas que tornam a expansão compatível com o capital: pagamento à União condicionado ao capital; funding que libere capital, como securitização; remuneração plena dos serviços prestados ao Estado; e recuperação da rentabilidade com redução da inadimplência.
Este eixo é a fundação do plano. Sem ele, as medidas dos demais eixos consomem capital que a Caixa não tem como repor no ritmo proposto. Corresponde ao atributo "sustentável" do Caixa 2030 e às suas propostas 13, 14 e 17, agora com valores e instrumentos, e ao eixo do FGTS da revista Caixa Brasil (A10).
O Estatuto da Caixa (art. 80) e o Decreto 2.673/1998 fixam pagamento mínimo de 25% do lucro líquido ajustado. A Caixa pagou à União R$ 3,59 bi em 2022, R$ 1,82 bi em 2023, R$ 2,79 bi em 2024 e R$ 4,18 bi em 2025, pelo regime de caixa. Não há meta de capital divulgada; os relatórios mencionam apenas o "apetite definido pela Administração".
Com lucro de R$ 15 bi por ano, cada 15 pontos percentuais de pagamento acima do mínimo retiram R$ 2,25 bi de capital por ano, o equivalente a cerca de R$ 18 bi de RWA ou R$ 30 bi de carteira (régua do capital). Manter o pagamento em 25% em vez de 40% preserva, entre 2027 e 2030, cerca de R$ 9 bi de capital.
Aporte do Tesouro: descartado como primeira opção porque concorre com o arcabouço fiscal e depende de crédito orçamentário anual. Abertura de capital da Caixa: descartada por contrariar o caráter 100% público defendido pelo Caixa 2030 e por 96,7% dos participantes da consulta do Caixa 2030 (Pesquisa Futuro Caixa, 1.700 empregados e aposentados). Emissão de dívida subordinada: mantida como opção complementar, mas mais cara que o lucro retido.
Nenhum efeito direto. Indiretamente, capital folgado reduz a pressão por cortes de custo de pessoal como forma de recompor rentabilidade.
A União pode precisar de receita de dividendos em anos de aperto fiscal. Salvaguarda: a regra é por gatilho e não suprime o mínimo legal.
Ministério da Fazenda, Tesouro Nacional e SEST (deliberação do acionista); Conselho de Administração (meta de capital).
O instrumento híbrido de capital e dívida (IHCD) com a União tinha principal de R$ 34,55 bi em dez/2025 (contratos 348/2007, 752/2012, 754/2012 e 869/2013). A Caixa devolveu R$ 600 mi em out/2025 e R$ 1,0 bi em jun/2026, e pagou juros de R$ 949,8 mi (abr/2025) e R$ 969,3 mi (mai/2026). Em out/2023 o Tesouro autorizou alongar até 2030 a devolução de R$ 18,1 bi, sob acompanhamento do TCU.
Cada R$ 1 bi de devolução antecipada de instrumento elegível a capital reduz em R$ 1 bi a base de capital e, pela régua do capital, cerca de R$ 8 bi de RWA possível. O valor exato depende da parcela do IHCD ainda computada no patrimônio de referência, que a Caixa não detalha publicamente.
Devolução integral acelerada: descartada pelo efeito sobre o capital. Conversão em capital: possível, mas depende de decisão do Tesouro e de efeito fiscal a avaliar.
Nenhum efeito direto.
Questionamento do TCU sobre o alongamento. Salvaguarda: transparência do cronograma e da sua relação com as metas de capital.
Tesouro Nacional e Caixa, com acompanhamento do TCU.
O estoque de LIG no mercado era de R$ 102 bi em dez/2025, segundo a Abecip. A Caixa, maior originadora de crédito imobiliário do país, não tem LIG em balanço. Sua principal letra é a LCI, com R$ 271,2 bi e 49,88% do mercado em jun/2026, cujo prazo mínimo foi reduzido para 6 meses pela Res. CMN 5.215/2025, o que a torna funding mais curto.
A LIG não libera capital, porque o crédito continua no balanço. O ganho está no prazo e na estabilidade do funding: substitui captação de 6 meses por captação de vários anos para uma carteira com prazo médio de décadas.
Ampliar apenas LCI: descartado como solução principal porque o prazo mínimo caiu para 6 meses e aumenta o descasamento. Ampliar compromissadas: descartado pelo custo aproximado mais alto da tabela de custo por fonte de captação.
Exige equipe de tesouraria e relações com investidores. Pode ser atendido com o quadro atual e capacitação.
Custo inicial maior que o da LCI isenta de imposto. Salvaguarda: calendário gradual e prazo longo, onde a LIG compete melhor.
Conselho de Administração da Caixa. A regulamentação da LIG já está em vigor.
O voto do CMN que criou o novo modelo de crédito imobiliário (Voto 64/2025) afirma que ele "abre caminho para a securitização da carteira imobiliária", e na cessão para securitizadora ou fundo o benefício de liberação de recursos fica com quem originou o crédito. A carteira imobiliária da Caixa com recursos próprios era de R$ 387,0 bi em jun/2026. Não há registro público de operação de cessão ou securitização pela Caixa em 2025-2026, embora o presidente tenha chamado o mercado secundário de "transformação fundamental" em nov/2025.
Cálculo Henrichs: com a densidade média de RWA da carteira de crédito (60%), ceder R$ 20 bi libera até cerca de R$ 12 bi de RWA, o que equivale a R$ 1,5 bi de capital ao índice de 12,5%. Como a densidade do crédito imobiliário tende a ser menor que a média, o valor é um teto.
Venda definitiva de carteira com desconto: descartada pelo efeito no resultado. Cessão de carteira com recursos do FGTS: descartada, porque esses recursos pertencem ao fundo.
A administração dos contratos cedidos pode continuar na Caixa como serviço remunerado, preservando o trabalho da área de habitação.
Mercado secundário raso no início. Salvaguarda: piloto de tamanho moderado e investidores institucionais públicos.
Conselho de Administração da Caixa; Ministério da Fazenda, se houver papel da Emgea.
A partir de 1º/01/2027 entra em vigor o novo direcionamento da poupança (Res. CMN 5.254 e 5.255/2025): 100% para crédito imobiliário, 80% no SFH com custo efetivo limitado a 12% ao ano, teto do SFH elevado a R$ 2,25 mi e dedução gradual do compulsório em dez anos. A Caixa tem R$ 405,6 bi em poupança (39,74% do mercado). A IN BCB 765/2026 já regula o reporte do novo direcionamento.
O Banco Central estimou R$ 111 bi para o crédito imobiliário do sistema no primeiro ano. Cálculo Henrichs: aplicada a participação da Caixa na poupança (39,74%), a parcela proporcional seria de cerca de R$ 44 bi. É uma referência de ordem de grandeza, não uma previsão.
Deixar a aplicação apenas à demanda espontânea: descartado, porque concentraria os recursos nas faixas de renda mais altas.
Aumento da demanda nas áreas de habitação e engenharia, que deve ser considerado no plano de quadro (medida E4).
Juros altos podem reduzir a demanda por financiamento. Salvaguarda: prioridade para produção e para faixas subsidiadas.
Caixa, dentro das regras do CMN já vigentes.
A Caixa voltou ao mercado externo em 13/05/2025 com um bond social de US$ 700 mi a 5,625% ao ano, com demanda sete vezes maior que a oferta, segundo a Caixa. Captou ainda US$ 200 mi com o IFC (mar/2026, habitação com certificação ambiental) e US$ 227,8 mi com a AFD (jul/2026, saneamento e resíduos). Há nova emissão de cerca de US$ 300 mi pré-aprovada pelo Conselho. Não foram identificadas operações com BID, Banco Mundial (como mutuário direto) ou NDB.
Funding de longo prazo para as metas do Eixo C. O custo em reais depende do hedge cambial e deve ser comparado ao da LIG antes de cada operação.
Captação externa sem vínculo temático: descartada por custo e por não aproveitar a demanda de investidores por títulos sociais e verdes.
Nenhum efeito relevante.
Câmbio e custo do hedge. Salvaguarda: limite de exposição cambial aprovado pelo Conselho.
Conselho de Administração; Cofiex quando houver garantia da União.
A Lei 8.036/1990 (art. 5º, § 8º) permite remunerar o agente operador em até 0,5% ao ano dos ativos do FGTS. Em 2025 a Caixa recebeu R$ 3,40 bi (Res. CCFGTS 1.107/2024), cerca de 0,41% do ativo do fundo, de R$ 837,7 bi em 2025 (Conselho Curador). Para 2026 o Conselho Curador fixou R$ 319,4 mi por mês (Res. 1.143/2025), cerca de R$ 3,83 bi por ano. A arrecadação líquida do FGTS caiu de R$ 35,67 bi em 2023 para cerca de R$ 22,2 bi em 2025, e a ADI 5090 elevou o custo da remuneração das contas ao fixar o IPCA como piso.
Cálculo Henrichs: 0,5% de R$ 837,7 bi é R$ 4,19 bi, contra R$ 3,83 bi já fixados para 2026: até cerca de R$ 0,36 bi por ano adicionais, antes de tributos. Depois de IR e CSLL (alíquota combinada de cerca de 45% para bancos), são cerca de R$ 0,2 bi por ano, que, retidos, sustentam cerca de R$ 1,6 bi de RWA por ano pela régua do capital.
Pedir tarifa acima do teto: descartado, exigiria mudança de lei e enfrentaria resistência dos trabalhadores cotistas, já que a tarifa sai do patrimônio do fundo.
A remuneração adequada do FGTS sustenta as equipes que operam o fundo, hoje sob pressão de demanda (1,4 milhão de acessos ao app no primeiro dia do Desenrola 2.0, em mai/2026).
Oposição de centrais sindicais no Conselho Curador, por reduzir o rendimento dos cotistas. Salvaguarda: a tarifa só sobe se o custo apurado justificar, e a metodologia é pública.
Conselho Curador do FGTS, por resolução.
A receita de Serviços de Governo foi de R$ 10,5 bi em 2025 (consolidado), com FGTS (R$ 3,40 bi), loterias (R$ 3,09 bi consolidado), transferência de benefícios (R$ 1,63 bi), garantias de agente operador (R$ 0,47 bi), saneamento (R$ 0,46 bi), FIES (R$ 0,43 bi), MCMV (R$ 0,21 bi) e outros serviços (cerca de R$ 0,8 bi). Entre 2020 e 2025 essa receita cresceu 31,89%, contra INPC de 31,7%. O contrato do Bolsa Família prevê "remuneração e condições pactuadas com a União" (Decreto 12.064/2024, art. 48), mas a fórmula não é pública. A operação do Cadastro Único migrou para a Dataprev em 2025.
Cálculo Henrichs, apenas de referência: se a receita de 2025 (R$ 10,5 bi) tivesse ganho real de 1% ao ano sobre a inflação, seriam cerca de R$ 0,1 bi a mais por ano, crescendo ao longo do tempo. O valor efetivo depende do custo apurado, que hoje não é público.
Cobrança direta do cidadão por serviços públicos: descartada por contrariar a função pública. Abandonar serviços pouco rentáveis: descartado, porque os serviços de Estado são a base do relacionamento da Caixa com 160,4 milhões de clientes.
Dá base contratual para dimensionar equipes de atendimento a benefícios, FGTS e programas sociais.
Resistência orçamentária dos ministérios. Salvaguarda: metodologia transparente e escalonamento do reajuste.
Ministério da Fazenda, MDS, Ministério das Cidades e Caixa, por contratos e portarias.
Em mar/2025 a Caixa vendeu 82,4 milhões de ações da Caixa Seguridade a R$ 14,75 (cerca de R$ 1,22 bi) e ficou com 80,00%. O ganho foi de R$ 839 mi, não recorrente. No mesmo ano, as quatro principais subsidiárias propuseram R$ 4,8 bi em dividendos e JCP à Caixa: Caixa Seguridade R$ 3,11 bi, Caixa Asset R$ 1,05 bi, Caixa Cartões R$ 0,37 bi e Caixa Loterias R$ 0,22 bi.
Cálculo Henrichs: cada ponto percentual de participação na Caixa Seguridade equivale, pelos dividendos de 2025, a cerca de R$ 39 mi por ano (R$ 3,11 bi divididos por 80 pontos).
Novas vendas para gerar lucro não recorrente: descartadas, porque trocam renda recorrente por ganho único, exatamente o padrão que o Caixa 2030 critica.
Preserva o vínculo das subsidiárias com a rede e com os empregados da Caixa que as distribuem.
Pressão por receita extraordinária em anos de resultado fraco. Salvaguarda: exigência de estudo público.
Conselho de Administração da Caixa e União como acionista.
O FGTS financia R$ 618,0 bi da carteira imobiliária da Caixa (61,5% do total em jun/2026). Em 2025 o fundo arrecadou o recorde de R$ 212,56 bi, mas os saques subiram de R$ 160,9 bi (2024) para R$ 190,4 bi (+18,3%), e a arrecadação líquida caiu de R$ 35,67 bi em 2023 para cerca de R$ 22,2 bi em 2025. O saque-aniversário respondeu por 28,6% dos saques de 2025, mais 7,2% de multa rescisória da modalidade. Houve ainda liberações extraordinárias recorrentes, segundo a Caixa, o Ministério da Economia e a imprensa: cerca de R$ 44 bi em contas inativas (2017), R$ 27,3 bi no saque emergencial (2020), R$ 23,6 bi no saque extra (2022) e as liberações da MP 1.290/2025 (cerca de R$ 12 bi) e de mai/2026 (R$ 8,5 bi). A ADI 5090 fixou o IPCA como piso de remuneração das contas, o que encarece a principal fonte da habitação. A revista Caixa Brasil documenta esse esvaziamento e propõe rever as modalidades de saque.
Cálculo Henrichs: cada R$ 10 bi de saques a menos por ano equivalem a 6,9% do orçamento de habitação do FGTS para 2026 (R$ 144,5 bi). O ganho é para o fundo e, indiretamente, para a capacidade da Caixa de originar crédito habitacional sem consumir funding próprio.
Extinguir o saque-aniversário de imediato: descartado, porque atingiria antecipações já contratadas e trabalhadores que organizaram a vida financeira com base na regra. Compensar saques com remuneração maior das contas: parcial, porque a ADI 5090 já fixou o piso e o custo recai sobre a habitação.
Preserva a poupança coletiva dos 138,2 milhões de trabalhadores com conta no fundo e o trabalho dos empregados da Caixa que operam o FGTS.
Popularidade do saque-aniversário. Salvaguarda: transição gradual e comunicação baseada no estudo de impacto.
Congresso (Lei 8.036/1990), Conselho Curador do FGTS, Ministério do Trabalho e Ministério da Fazenda.
Corresponde ao atributo "pública" do Caixa 2030, à sua proposta 2 e às contribuições da revista Caixa Brasil sobre habitação. A habitação é o centro da Caixa: o crédito imobiliário era 69,4% da carteira em jun/2026 (R$ 1.005,0 bi de R$ 1.448,2 bi). Por isso a questão não é se a Caixa deve crescer em habitação, mas com que recursos e para quem.
A Caixa tem 67,91% do crédito imobiliário e mais de 99% do Minha Casa Minha Vida. Contratou R$ 185,4 bi em habitação em 2023, R$ 223,6 bi em 2024, R$ 246,4 bi em 2025 e R$ 137,6 bi no 1º semestre de 2026. Do saldo de R$ 1.005,0 bi, R$ 618,0 bi são recursos do FGTS e R$ 387,0 bi recursos próprios. O MCMV chegou a cerca de 2,7 milhões de unidades contratadas desde 2023 (R$ 424,2 bi), com meta de 3 milhões até o fim de 2026.
Pela régua do capital, cada R$ 13 bi de nova carteira com recursos próprios consome cerca de R$ 1 bi de capital à densidade média. A combinação de A3, A4 e A5 é o que permite crescer sem esgotar essa margem.
Aumentar o spread habitacional para gerar capital: descartado, porque encareceria o crédito justamente nas faixas que a política quer atender.
Mantém a área habitacional como principal frente de trabalho da rede.
Concorrência privada nas faixas altas após o novo teto do SFH. Salvaguarda: foco da Caixa nas faixas de interesse social e médias.
Caixa; Ministério das Cidades e Conselho Curador do FGTS para os recursos do fundo.
O déficit habitacional era de 5,77 milhões de domicílios em 2024 (Fundação João Pinheiro), 7,4% do total. Desse déficit, 3,59 milhões (62,1%) são famílias com ônus excessivo de aluguel; 1,16 milhão vive em habitação precária e 1,03 milhão em coabitação. Um programa voltado só à propriedade não alcança a maior parte do problema.
Cálculo Henrichs, de ordem de grandeza: o valor médio por unidade contratada no MCMV desde 2023 foi de cerca de R$ 157 mil (R$ 424,2 bi divididos por 2,7 milhões de unidades). Um piloto de 20 mil unidades exigiria da ordem de R$ 3,1 bi em investimento, a ser repartido entre FAR, FGTS e entes públicos.
Voucher de aluguel sem produção de imóveis: descartado como solução principal por pressionar os preços de aluguel. Ampliar só o MCMV para propriedade: não alcança a maioria do déficit.
Cria nova frente de trabalho em engenharia, gestão de fundos e atendimento social.
Gestão de imóveis de aluguel é atividade nova para o setor público. Salvaguarda: pilotos com avaliação antes da escala.
Ministério das Cidades, Conselho Curador do FGTS, gestores do FAR; Congresso, se houver lei.
A faixa para renda de R$ 8 mil a R$ 12 mil (imóveis até R$ 500 mil, juros de 10,5% ao ano, prazo de 420 meses) tem R$ 30 bi em recursos, metade do FGTS e metade do SBPE e LCI. A Caixa começou a operar a faixa no 2T25. As contratações da faixa não são divulgadas de forma regular.
Desloca para funding de prazo longo uma carteira de 35 anos de prazo, hoje financiada em parte por LCI de prazo mínimo de 6 meses.
Ampliar o uso do FGTS na faixa: descartado, porque disputa recursos do fundo com as faixas de menor renda.
Nenhum efeito relevante.
Demanda menor que a prevista. Salvaguarda: o volume da faixa é ajustável.
Ministério das Cidades e Caixa.
A revista Caixa Brasil (Rede BrCidades) relata famílias das faixas de menor renda perdendo o imóvel por inadimplência causada pelo condomínio e por custos de manutenção, e não pela prestação. Não há dado público de inadimplência nem de retomada de imóveis por faixa do MCMV. No agregado, a inadimplência do crédito imobiliário da Caixa é baixa (1,45% acima de 90 dias no 2T26). A revista propõe trocar a alienação fiduciária por concessão de uso; essa troca protege a família inadimplente, mas reduz a garantia e tende a encarecer o crédito de toda a carteira de interesse social. A mesma revista propõe um fundo de apoio ao condomínio, que resolve a causa sem esse efeito.
O tamanho do fundo depende dos dados de inadimplência por faixa, hoje não públicos; por isso a publicação vem antes do piloto. O fundo é público e não consome capital da Caixa.
Substituir a alienação fiduciária: descartado pelo efeito sobre o custo do crédito e sobre o capital. Apenas renegociar caso a caso: insuficiente, porque não trata a causa.
Amplia o trabalho técnico social e dá às agências instrumento concreto para evitar retomadas.
Incentivo ao não pagamento. Salvaguarda: prazo limitado, condicionalidades e acompanhamento social.
Ministério das Cidades e gestores do FAR (fundo); Caixa (dados e renegociação).
A revista Caixa Brasil aponta empreendimentos do MCMV em periferias distantes e a baixa participação da modalidade Entidades, que tem melhores resultados de localização e qualidade. Dado de imprensa de 2016 (Estado de Minas) informa 8.024 unidades do Entidades na fase 1 e 45.858 na fase 2, parcela pequena do programa; a revista cita 2%, sem fonte. O Censo 2022 registrou 11,4 milhões de domicílios vagos no país. A revista cita a lei de assistência técnica como "Lei 10.888/2008"; a lei correta é a Lei 11.888/2008 (ATHIS).
Recursos do FAR e do FDS, de natureza orçamentária, sem consumo de capital da Caixa. O custo por unidade em áreas centrais tende a ser maior, compensado pela infraestrutura já existente.
Acabar com a modalidade em que a construtora define terreno e projeto: descartado, porque é ela que garante a escala. Manter a regra atual sem critério de localização: descartado pelos resultados.
Demanda engenheiros, arquitetos e trabalho social.
Execução mais lenta. Salvaguarda: metas proporcionais e crescentes.
Ministério das Cidades; conselhos do FAR e do FDS; Caixa.
Corresponde às propostas 1, 3 e 16 do Caixa 2030. O diagnóstico do documento acertou ao apontar a retração real do crédito à administração indireta em saneamento e infraestrutura. Esta parte mostra onde está o espaço para crescer e o que trava.
O Brasil investiu R$ 26,3 bi em saneamento em 2023 e R$ 29,1 bi em 2024. O Instituto Trata Brasil e a GO Associados estimam necessidade média de R$ 48 bi por ano para cumprir as metas da Lei 14.026/2020 em 2033 (99% de água e 90% de coleta e tratamento de esgoto). Em 2024, 15,9% da população não tinha água tratada e 43,3% não tinha coleta de esgoto. Na Caixa, a carteira de saneamento e infraestrutura cresceu só 1,2% em 12 meses, para R$ 110,5 bi em jun/2026, com inadimplência de 0,03%. O FGTS orça R$ 8 bi por ano para saneamento, mas a execução média histórica é de 38% (Poder360, 10/09/2026). O programa Saneamento para Todos foi reformulado em 10/09/2026, de 11 para 6 linhas.
Cálculo Henrichs: elevar a execução do FGTS de 38% para 75% de R$ 8 bi aumenta o volume aplicado de cerca de R$ 3,0 bi para R$ 6,0 bi por ano. A meta de carteira (de R$ 110,5 bi para R$ 150 bi) soma R$ 39,5 bi e, à densidade média de RWA, consome cerca de R$ 3 bi de capital ao índice de 12,5%. Esse consumo é coberto pelas medidas A1, A4 e A7 (ver Impacto consolidado). A diferença nacional entre o investido e o necessário é de cerca de R$ 18,9 bi por ano, e a Caixa não precisa nem pode cobri-la sozinha.
Financiar saneamento com recursos próprios sem funding temático: descartado pelo custo. Assumir a operação de serviços de saneamento: fora do papel de um banco.
Demanda engenheiros e analistas de projetos, área em que o concurso de nível superior de 2025/2026 ofereceu 184 vagas.
Capacidade de endividamento dos entes e lentidão de licenciamento. Salvaguarda: priorizar operadores privados e concessões já contratadas, que não dependem do limite do setor público.
Conselho Curador do FGTS e Ministério das Cidades (orçamento e linhas); Caixa (esteira e carteira própria).
A carteira com estados, DF e municípios era de R$ 73,2 bi em jun/2026, com 4,5 mil operações, 1,8 mil clientes e 99,95% de adimplência. Era de R$ 57,3 bi em dez/2022. A Caixa contratou R$ 8,6 bi com entes em 2024, R$ 12,5 bi em 2025 e R$ 7,3 bi no 1º semestre de 2026. A exposição ao setor público sem garantia da União estava em 33,53% do patrimônio de referência, contra teto de 45% da Res. CMN 4.995/2022. O limite efetivo é o global do CMN, de R$ 28,6 bi para todo o sistema em 2026. Pela CAPAG do Tesouro (set/2026), 2.677 municípios (48,1%) têm nota A ou B, e 2.274 (40,8%) têm nota C.
Cálculo Henrichs: a folga até o teto de 45% do patrimônio de referência é de cerca de R$ 18,3 bi (11,47 pontos de R$ 159,6 bi). O teto por instituição não é a restrição; a restrição é o limite global anual do CMN.
Pedir aumento do teto de 45%: descartado, porque o teto não está sendo atingido. Crédito a municípios com CAPAG C sem garantia: descartado pelo risco.
Mantém a área de governo da Caixa, que também opera o Novo PAC (R$ 66,4 bi em cerca de 8,6 mil instrumentos sob gestão em jun/2026).
Política fiscal restritiva reduzir os limites do CMN. Salvaguarda: diversificar com concessões e PPPs.
CMN (limite anual, por resolução); Ministério da Fazenda (proposta); Caixa (plano anual).
Segundo a Caixa e a imprensa (Revista Oeste, jun/2026), o Fundo de Apoio à Estruturação de Projetos de Concessão e PPP (Lei 13.529/2017) prevê participação da União de até R$ 180 mi e preferência de 40% para Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Até o fim de 2025 reunia 130 contratos de estruturação, mais de R$ 40 bi de investimento estimado e cerca de 430 municípios. Em 2025 a Caixa registrou recorde de 52 contratos assinados. Estão previstos 15 a 20 leilões na B3 em 2026.
A estruturação não consome capital relevante e gera investimento privado. Cada projeto leiloado vira demanda de financiamento que a Caixa pode disputar.
Deixar a estruturação apenas ao BNDES: descartado, porque a Caixa tem capilaridade municipal que o BNDES não tem, e as duas carteiras se complementam.
Demanda equipes de engenharia, jurídico e finanças de projetos.
Leilões desertos. Salvaguarda: estudos de viabilidade com consulta prévia ao mercado.
Congresso (lei orçamentária); conselho do FEP; Caixa.
A Caixa administra o FIRECE (Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos), que recebeu cerca de R$ 6,5 bi da União em dez/2024. No Rio Grande do Sul, em 2024, pagou R$ 1,2 bi de Auxílio Reconstrução a 235,8 mil beneficiários. Participou do Eco Invest com R$ 950 mi no 1º leilão, mas teve proposta recusada no 4º leilão (mai/2026). A carteira classificada como finanças sustentáveis era de R$ 913,6 bi em jun/2026. A execução do FIRECE não é pública.
Os recursos do FIRECE são do fundo; o efeito para a Caixa é de receita de administração e de carteira de projetos.
Atuar só em emergências: descartado, porque adaptação prévia custa menos que reconstrução.
Reconhece o trabalho extraordinário das equipes em desastres, como os 600 empregados deslocados para o RS em 2024.
Baixa capacidade técnica dos municípios menores. Salvaguarda: estruturação pela Caixa via FEP.
Casa Civil e Ministério da Fazenda (FIRECE); Caixa.
Corresponde ao atributo "competitiva" do Caixa 2030, às suas propostas 4 a 12 e às contribuições da revista Caixa Brasil sobre atendimento, jovens e soberania digital. A rede física é o ponto em que os dados mais contradizem a narrativa de presença em todo o território.
Cruzando o cadastro de agências do Banco Central (posição de 18/10/2026, 13.662 agências no país) com a população do IBGE (2025): 2.681 municípios (20,6 milhões de habitantes) não têm nenhuma agência bancária; 926 municípios (16,4 milhões) só têm agências dos bancos federais, Caixa e/ou Banco do Brasil; em 83 municípios (1,87 milhão) a Caixa é o único banco. A Caixa tem agência em 1.622 municípios, onde vivem 173,3 milhões de pessoas. A Caixa declara o critério de uma agência por 100 mil habitantes, mas o Norte tem 0,94 e o Nordeste 1,03, contra 1,86 no Sul. Por estado, o Maranhão tem 0,57, o Pará 0,76, o Amazonas 0,83, o Ceará 0,84 e Pernambuco 0,85. As agências caíram de 3.371 no 4T23 para 2.998 no 2T26 (-373). A Caixa informa presença em "mais de 97% dos municípios" (era "mais de 99%" em 2022-2023), contando lotéricos e correspondentes.
As 94 agências necessárias para tirar todos os estados de baixo de 1,0 equivalem a cerca de um quarto das 373 fechadas desde o 4T23. A Caixa não divulga o custo médio por agência; a realocação a partir das regiões de maior densidade reduz o custo líquido.
Atendimento exclusivamente digital: descartado, porque os bancos federais são os únicos em 926 municípios e a Caixa é o único banco em 83, e apenas 1,4% dos participantes da consulta do Caixa 2030 defenderam reduzir significativamente a rede física. Manter o fechamento por critério de custo: descartado por ampliar a desigualdade regional.
Realocação de empregados para Norte e Nordeste exige política de movimentação voluntária com incentivos, negociada com as entidades representativas. Reduz o risco de novos fechamentos com transferências compulsórias.
Custo de abertura em municípios de baixa renda. Salvaguarda: formatos móveis e integração com lotéricos e correspondentes.
Conselho de Administração (política); negociação coletiva (movimentação de pessoal).
No 2T26 foram 15,7 bilhões de transações, das quais 15,1 bilhões digitais. A agência deixou de ser ponto de transação, mas segue como ponto de acesso a habitação, FGTS, benefícios e crédito, especialmente para quem tem baixa autonomia digital. Os pontos de atendimento caíram de 25.357 para 24.568 em 12 meses (-789) e os correspondentes Caixa Aqui de 8.908 (4T23) para 7.748 (2T26).
Não exige recursos novos. Evita fechamentos guiados só pelo volume de transações.
Medir agências por receita de produtos: descartado, porque é o critério que leva ao fechamento onde a Caixa é mais necessária.
Metas compatíveis com o trabalho real das agências, que hoje é mais especializado e demorado, reduzindo pressão por venda de produtos.
Perda de foco comercial. Salvaguarda: metas comerciais mantidas nas áreas e canais próprios.
Conselho de Administração e diretoria de rede.
A Caixa tem 160,4 milhões de clientes e 49,8 milhões de clientes digitais (+7,8% em 12 meses). Abriu 5,2 milhões de contas digitais desde jun/2025, 42% de pessoas de até 25 anos. Tem 14 aplicativos, com unificação prevista para 2026; em ago/2026 o aplicativo único rodava em teste com cerca de 300 mil clientes. Respondeu por 15,1% das operações Pix do país no 1º semestre de 2026. Investiu R$ 5,3 bi em tecnologia em 2025 (+72,8% sobre 2022), com R$ 5,9 bi previstos para 2026. Teve cerca de R$ 20 mi de perdas com ataques ao Caixa Tem em 2025, e uma operação da Polícia Federal apurou desvio de cerca de R$ 45 mi em contas de clientes e beneficiários. Criou uma Diretoria de Segurança Digital em 2025. O Banco Central desligou em nov/2025 a plataforma DLT do Drex, da qual a Caixa participava com o caso de tokenização habitacional.
O investimento já está previsto (R$ 5,9 bi em 2026). A meta de clientes digitais segue a taxa atual de crescimento (7,8% ao ano).
Disputar clientes com bancos digitais apenas por experiência de aplicativo: descartado por ser competição cara e assimétrica, como reconhece o próprio Caixa 2030.
Exige retenção dos 2 mil profissionais de TI contratados no concurso de 2024, com carreira própria (medida E4).
Fraudes migrarem para o novo aplicativo. Salvaguarda: segurança como requisito de cada fase da unificação.
Caixa; Ministério da Gestão e da Inovação para a integração ao gov.br.
As Loterias Caixa arrecadaram R$ 26,6 bi em 2025 (+2,7%, segundo a Caixa) e R$ 12,2 bi no 1º semestre de 2026 (+5,4%, segundo a Caixa), com R$ 10,2 bi de destinação social em 2025. A rede tem 12.938 lotéricos. A Lei 13.756/2018 destina 19,13% dos prognósticos numéricos ao custeio do agente operador, incluindo a comissão dos lotéricos. A Caixa obteve em jul/2025 autorização para três marcas de apostas de quota fixa, mas o lançamento foi suspenso. A MP 1.394/2026, de 25/09/2026, proíbe as apostas de quota fixa e extingue as autorizações existentes; tramita no Congresso, com prazo inicial até 23/11/2026, prorrogável por 60 dias.
A arrecadação de 2025 é a base. A Caixa Loterias S.A. propôs R$ 219 mi em dividendos à Caixa em 2025.
Lançar casa de apostas própria: descartado pela MP 1.394/2026 e pelo conflito com a função pública.
Fortalece a rede lotérica, parceira da Caixa no atendimento em municípios sem agência.
Rejeição da MP e retorno da concorrência das apostas. Salvaguarda: plano com dois cenários.
Congresso (MP 1.394/2026); Ministério da Fazenda; Caixa.
A Portaria Conjunta MCID/MDHC/MDS nº 4/2025 reserva no mínimo 3% das unidades do MCMV-FAR para a população em situação de rua, de forma obrigatória no DF, nas capitais e nos municípios com mais de mil pessoas nessa condição no CadÚnico. Não há balanço público de unidades reservadas ou entregues. A revista Caixa Brasil relata ausência de porta de entrada definida e nenhuma entrega em São Paulo por falta de empreendimentos da Faixa 1 na capital, além da exigência de documento físico para saque de benefícios mesmo por quem tem senha e biometria cadastradas.
Custo baixo: as unidades já estão no orçamento do MCMV-FAR; o que falta é operação e dado.
Manter só a previsão normativa: descartado, porque é a situação atual, sem entregas comprovadas.
Capacitação para atendimento humanizado e reconhecimento de uma tarefa que hoje recai sobre o empregado sem norma que o apoie.
Fraude com identificação alternativa. Salvaguarda: biometria obrigatória.
Caixa (norma interna); MCID, MDHC e MDS (acordo de cooperação).
A Caixa contratou em mai/2025, por inexigibilidade, a nuvem do Serpro por cinco anos, no valor de R$ 763,8 mi com aditivo, em ambiente Microsoft (imprensa especializada), e adotou o Microsoft 365 Copilot (comunicado da Microsoft de 12/08/2026). O investimento em tecnologia foi de R$ 5,3 bi em 2025, com R$ 5,9 bi previstos para 2026. A Caixa já usa software livre em larga escala, como o Linux em mais de 35 mil equipamentos lotéricos (2012). A revista Caixa Brasil defende política de código e IA abertos e infraestrutura soberana; a afirmação de que o contrato do Copilot supera o uso efetivo não tem fonte.
Não estimável antes do inventário. O custo de migração precisa ser medido antes de qualquer meta de substituição.
Migração imediata para soluções abertas: descartada pelo risco operacional e pelo custo desconhecido.
Depende da carreira própria de tecnologia (E4) e da retenção dos 2 mil profissionais de TI contratados em 2024.
Interrupção de serviços. Salvaguarda: transição gradual e testes paralelos.
Conselho de Administração; Serpro e demais estatais de tecnologia.
A Caixa abriu 5,2 milhões de contas digitais desde jun/2025, 42% de pessoas de até 25 anos, e paga o Pé-de-Meia. A revista Caixa Brasil (UBES) relata que parte relevante dos estudantes transfere os recursos para bancos digitais privados. O documento Caixa 2030 mostra a erosão do relacionamento pelos números: queda real de 27,7% nos depósitos à vista entre 2020 e 2025. Não há medição pública de quantos beneficiários permanecem clientes.
Sem consumo de capital. Ganho de relacionamento e de depósitos à vista, o funding mais barato.
Restringir a transferência dos recursos para outros bancos: descartado, porque o recurso é do beneficiário.
Nenhum efeito relevante.
Baixa adesão. Salvaguarda: produto desenhado com os próprios jovens.
Caixa; MEC.
Corresponde ao atributo "bem governada" do Caixa 2030 e às suas propostas 18 a 22.
A Caixa publica indicadores financeiros trimestrais detalhados, mas não um conjunto de indicadores de missão pública. O Caixa 2030 propõe o painel (proposta 22) sem definir os indicadores.
Custo baixo; a maior parte dos dados já é produzida pela Caixa.
Relatório anual de sustentabilidade apenas: descartado por ser anual e não ligado às metas.
Dá visibilidade ao trabalho de missão pública, hoje invisível nos indicadores financeiros.
Indicadores escolhidos para parecer bem. Salvaguarda: lista fixa, com série histórica e revisão externa.
Conselho de Administração.
O Plano Estratégico 2025-2030 da Caixa tem seis pilares e um portfólio de programas (transformação digital, organizacional e cultural, e eficiência), mas não tem metas numéricas públicas.
Sem custo relevante.
Substituir o plano oficial por um novo: descartado, porque desorganiza programas em andamento.
Permite às representações dos empregados acompanhar metas que afetam o trabalho.
Metas pouco ambiciosas. Salvaguarda: comparação com o painel de metas.
Conselho de Administração e SEST.
A Lei 13.303/2016 exige experiência profissional e veda dirigentes com atuação partidária ou sindical recente. O STF manteve essas vedações em mai/2024 (ADI 7331). O Conselho de Administração da Caixa tem 8 membros, um deles eleito pelos empregados. Na consulta do Caixa 2030 (Pesquisa Futuro Caixa, 1.700 participantes), 66,2% priorizaram critérios técnicos para dirigentes e 57,4% "maior autonomia da gestão em relação a interferências político-partidárias".
Sem custo relevante.
Mandato fixo por lei para a presidência: possível, mas exige mudança legal; fica como etapa posterior.
Preserva o representante eleito dos empregados no Conselho.
Resistência política. Salvaguarda: base legal já existente na Lei 13.303/2016.
Conselho de Administração e Ministério da Fazenda.
O quadro passou de 86.959 empregados em dez/2022 para 84.136 em jun/2026, com queda de 3.029 no 3T24, trimestre do PDV de 2024. O concurso de 2024 ofereceu 4.050 vagas, das quais 2 mil para TI; o de 2025/2026, 184 vagas de nível superior. Novo concurso de técnico estava em estudo em jun/2026, sem autorização. A despesa de pessoal foi de R$ 31,1 bi em 2025. Perfil etário, tempo de casa e previsão de aposentadorias não são divulgados.
Cálculo Henrichs: a despesa média por empregado foi de cerca de R$ 368 mil em 2025 (R$ 31,1 bi divididos por 84,4 mil). Cada mil contratações representa da ordem de R$ 0,37 bi por ano.
Terceirização ampla: descartada, porque 76,5% dos participantes da consulta do Caixa 2030 defendem o quadro próprio e porque as atividades críticas (crédito, FGTS, segurança) exigem vínculo e sigilo.
Reposição de saídas, carreira de TI e previsibilidade de concursos.
Pressão de custo em ano de lucro menor. Salvaguarda: vincular as contratações às metas de receita dos eixos.
SEST (autorização); Conselho de Administração; negociação coletiva.
A provisão para benefícios pós-emprego era de R$ 21,94 bi em dez/2025: Saúde Caixa R$ 12,22 bi, REG/Replan R$ 6,88 bi (R$ 3,80 bi para equacionamento de déficits), auxílio-alimentação R$ 1,79 bi e Novo Plano R$ 1,04 bi. A mudança regulamentar de fev/2025 reduziu obrigações em R$ 3,1 bi e gerou efeito contábil positivo de R$ 901 mi. A Caixa aportou R$ 2,62 bi em mai/2025 e R$ 593 mi em dez/2025. A alíquota extraordinária do REG/Replan Saldado caiu de 19,16% para 10,80% em 2025 e para 10,30% em abr/2026. O Saúde Caixa atende 146.928 pessoas.
Dá previsibilidade a um passivo de R$ 21,94 bi em benefícios pós-emprego, o maior da Caixa fora das captações.
Ajustes unilaterais de regulamento: descartados, porque transferem custo aos participantes e geram ganho contábil sem solução estrutural, como critica o Caixa 2030.
Efeito direto sobre 146.928 beneficiários do Saúde Caixa e os participantes da Funcef.
Custo médico crescente. Salvaguarda: projeções públicas e decisões negociadas com antecedência.
Caixa e entidades representativas (acordo coletivo); Funcef.
A carteira de agronegócio era de R$ 62,3 bi em jun/2026, com 9,02% de participação de mercado. A inadimplência acima de 90 dias foi de 7,02% em jun/2025 para 11,20% em set/2025, 14,09% em dez/2025, 18,29% em mar/2026 e 20,74% em jun/2026. A única explicação oficial está no 4T25: queda de preços das commodities, custo de insumos e juros. A Caixa contratou R$ 16,0 bi em agro em 2025 e R$ 6,0 bi no 1º semestre de 2026.
Cálculo Henrichs: 20,74% de R$ 62,3 bi equivale a cerca de R$ 12,9 bi em operações com atraso acima de 90 dias. Reduzir a inadimplência diminui a necessidade de provisão, que somou R$ 13,5 bi no 1º semestre de 2026 em toda a carteira.
Sair do agronegócio: descartado, porque o Caixa 2030 e a política agrícola atribuem papel à Caixa no setor. Continuar crescendo sem diagnóstico: descartado pelo risco.
Exige equipes de recuperação de crédito no interior.
Novos choques de preços. Salvaguarda: limites de concentração.
Conselho de Administração e comitê de riscos.
A tabela usa a régua do capital para pôr todas as medidas na mesma unidade. Os valores são cálculos da Henrichs sobre dados oficiais, para o período de 2027 a 2030.
| Medida | Efeito em capital, 2027-2030 | Premissa |
|---|---|---|
| A1 Pagamento à União no mínimo legal (25%) | preserva até R$ 9,0 bi frente a um pagamento de 40% | Lucro de R$ 15 bi por ano; diferença de 15 pontos por quatro anos; não é capital novo |
| A4 Cessão de R$ 20 bi de carteira | + até R$ 1,5 bi liberados | Densidade média de RWA de 60%; teto, porque o imobiliário tende a ter densidade menor |
| A7 Tarifa do FGTS no teto legal | + cerca de R$ 0,8 bi gerados | R$ 0,36 bi por ano antes de tributos, por quatro anos; IR e CSLL de cerca de 45% |
| A9 Preservar subsidiárias | não é capital novo; preserva receita de dividendos | R$ 3,1 bi propostos pela Caixa Seguridade em 2025 |
| C1 Carteira de saneamento a R$ 150 bi | - R$ 3,0 bi consumidos | R$ 39,5 bi de carteira nova, densidade de 60% |
| D1 94 agências nos estados abaixo de 1,0 | custo não divulgado pela Caixa | Realocação reduz o custo líquido |
| A10, B4, B5, D5, D6, D7 | sem consumo relevante de capital | Recursos de fundos públicos ou custos operacionais |
| E4 Reposição de quadro | cerca de R$ 0,37 bi por ano por mil contratações | Despesa média de pessoal de 2025 |
O cenário-base (RWA crescendo cerca de 7,5% ao ano, pagamento de 25% à União) mantém o Capital Principal acima de 13% até 2030. A cessão de carteira (A4) e a tarifa do FGTS (A7) acrescentam cerca de R$ 2,3 bi de capital entre 2027 e 2030, o que sustenta cerca de R$ 18 bi de RWA adicional. A meta de saneamento (C1) consome cerca de R$ 3,0 bi e precisa caber nesse envelope, com desaceleração de carteiras de menor prioridade, como o agronegócio enquanto a inadimplência estiver acima da meta (E6).
A condição decisiva é a regra de pagamento à União (A1): se o pagamento subir para 40%, perdem-se cerca de R$ 9 bi de capital no período e as metas de expansão precisam ser revistas.
O que o plano significa para os empregados, os beneficiários do Saúde Caixa e os participantes da Funcef, reunido num só lugar.
Plano plurianual de pessoal com reposição programada, concursos regulares e publicação do perfil do quadro e da projeção de aposentadorias (E4). Rejeita a terceirização ampla.
Carreira própria de TI para reter os 2 mil profissionais contratados em 2024 (E4, D3).
Política de presença com critério de missão, que reduz o risco de fechamentos guiados por custo, e movimentação voluntária com incentivos para Norte e Nordeste, negociada com as entidades (D1).
Desempenho das agências medido por atendimento e acesso, não por volume de transações (D2).
Instância paritária, projeções públicas e negociação prévia de qualquer mudança de regulamento (E5).
Preservação do representante eleito no Conselho de Administração e seleção pública de dirigentes (E3).
Locação social, estruturação de projetos e saneamento ampliam a demanda por engenheiros, arquitetos e analistas (B2, C1, C3).
Capacitação permanente para atendimento humanizado a populações vulneráveis e norma que dê respaldo ao empregado na identificação alternativa (D5).
Preservação do fundo que os empregados operam e de que são cotistas (A10).
Capital folgado reduz a pressão por cortes de pessoal como forma de recompor rentabilidade (A1).
Metas propostas pela Henrichs Consultoria. ROE, eficiência e inadimplência total são metas de resultado, decorrentes do conjunto das medidas.
| Indicador | Base (jun/2026, salvo indicação) | Meta 2028 | Meta 2030 |
|---|---|---|---|
| Capital Principal | 13,42% | ≥ 12,5% | ≥ 12,5% |
| Índice de Basileia | 15,45% | ≥ 14,5% | ≥ 14,5% |
| ROE recorrente 12m | 9,16% | ≥ 10,5% | ≥ 11% |
| Índice de eficiência 12m | 52,28% | ≤ 51% | ≤ 50% |
| Inadimplência > 90 dias, total | 3,64% | ≤ 3,0% | ≤ 2,5% |
| Inadimplência > 90 dias, agro | 20,74% | ≤ 8% | ≤ 6% |
| Participação no crédito imobiliário (piso) | 67,91% | ≥ 65% | ≥ 65% |
| Carteira de saneamento e infraestrutura | R$ 110,5 bi | R$ 130 bi | R$ 150 bi |
| Execução do FGTS saneamento | 38% | 60% | 75% |
| Estoque de LIG emitida | zero | R$ 10 bi | R$ 20 bi |
| Carteira cedida ou securitizada (acumulado) | zero | R$ 8 bi | R$ 20 bi |
| Captação externa e multilateral acumulada | US$ 1,13 bi (jul/2026) | US$ 2 bi | US$ 3 bi |
| Tarifa do FGTS / ativos do fundo | 0,41% (2025) | até 0,5%, conforme custo apurado | até 0,5%, conforme custo apurado |
| UFs abaixo de 1,0 agência por 100 mil hab. | 8 (out/2026) | 0 | 0 |
| Agências por 100 mil hab., Norte / Nordeste | 0,94 / 1,03 (out/2026) | 1,1 / 1,1 | 1,2 / 1,2 |
| Clientes digitais | 49,8 mi | 60 mi | 70 mi |
| Leilões do FEP por ano | 15 a 20 (previsão 2026) | 25 | 30 |
| Painel de valor público | inexistente | trimestral | trimestral |
| Série de saques do FGTS por modalidade | só percentual anual | mensal e pública | mensal e pública |
| Inadimplência e retomadas do MCMV por faixa | não publicadas | publicadas | publicadas |
| Entregas da reserva de 3% para população em situação de rua | sem balanço público | indicador trimestral | reserva cumprida |
| Inventário de dependências tecnológicas | inexistente | publicado | revisado |
| Retenção dos beneficiários do Pé-de-Meia | não medida | medida e com meta | meta cumprida |
Linhas de base: Caixa (RAD, RA e APR 2T26; demonstrações contábeis 2025), BCB, IBGE, Conselho Curador do FGTS, Poder360 (execução histórica do Saneamento para Todos).
A maior parte das medidas depende de deliberação interna da Caixa ou de resolução de conselhos, e não de lei.
| Medida | Instrumento | Quem decide | Quando |
|---|---|---|---|
| A1 Pagamento à União condicionado ao capital | Deliberação do acionista | Fazenda, Tesouro, SEST | 1º sem. 2027 |
| A2 Cronograma do IHCD | Acordo | Caixa, Tesouro, TCU | 2027 |
| A3 LIG | Deliberação interna | Conselho de Administração | 2027 |
| A4 Securitização | Deliberação interna | Conselho; Fazenda (Emgea) | 2027 |
| A5 Poupança | Res. CMN 5.254 e 5.255/2025 | Caixa (já vigente) | jan/2027 |
| A6 Captação externa | Deliberação; Cofiex | Conselho; Cofiex | contínuo |
| A7 Tarifa do FGTS | Resolução | Conselho Curador do FGTS | orçamento 2027 |
| A8 Serviços de Estado | Contratos e portarias | Fazenda, MDS, Cidades | 2027 |
| A9 Subsidiárias | Diretriz | Conselho de Administração | 2027 |
| A10 FGTS e saques | Lei e resolução | Congresso; CCFGTS; MTE; Fazenda | 2027-2028 |
| B1 e B3 Habitação | Deliberação; resoluções | Caixa, Cidades, CCFGTS | contínuo |
| B2 Locação social | Resolução; lei se necessário | Cidades, CCFGTS, Congresso | 2027-2028 |
| B4 Permanência no MCMV | Resolução do FAR; dados | Cidades; Caixa | 2027-2028 |
| B5 Localização e modalidades | Resolução; critérios de seleção | Cidades; FAR e FDS | 2028 |
| C1 Saneamento | Resolução | CCFGTS, Cidades | 2027 |
| C2 Crédito a entes | Resolução anual | CMN | anual |
| C3 FEP | Lei orçamentária | Congresso | LOA 2027 |
| C4 Clima | Atos do fundo | Casa Civil, Fazenda | 2027 |
| D1 e D2 Rede | Política interna publicada | Conselho de Administração | 2027 |
| D3 Digital | Deliberação; acordo com MGI | Caixa, MGI | 2027 |
| D4 Loterias | Conversão da MP 1.394/2026 | Congresso | prazo inicial até 23/11/2026 |
| D5 População em situação de rua | Norma interna; acordo de cooperação | Caixa; MCID, MDHC, MDS | 2027 |
| D6 Soberania tecnológica | Política interna publicada | Conselho de Administração | 2027 |
| D7 Jovens | Deliberação interna | Caixa; MEC | 2027 |
| E1 a E3 Governança | Deliberação interna | Conselho; SEST | 2027 |
| E4 Pessoal | Autorização de concurso | SEST | anual |
| E5 Saúde e previdência | Acordo coletivo | Caixa e entidades | 2027 |
| E6 Agro | Deliberação interna | Conselho; comitê de riscos | 2027 |
| Período | Entregas |
|---|---|
| Até dez/2026 | Plano de aplicação da poupança (A5); cenários de loterias para a votação da MP 1.394 (D4); metodologia da tarifa do FGTS levada ao Conselho Curador (A7) |
| 1º sem. 2027 | Política de capital e regra de pagamento à União (A1); política de presença territorial (D1); painel de valor público (E1); metas do plano oficial publicadas (E2); diagnóstico do agro (E6); instância paritária (E5); estudo de impacto dos saques do FGTS (A10); inventário tecnológico (D6); fluxo da reserva de 3% e identificação alternativa (D5); dados do MCMV por faixa (B4); primeira medição de retenção dos jovens (D7) |
| 2º sem. 2027 | Primeira emissão de LIG (A3); piloto de securitização (A4); aplicativo único concluído (D3); contrato único de serviços de Estado (A8); capitalização do FEP na LOA (C3) |
| 2028 | Nenhuma UF abaixo de 1,0 agência por 100 mil hab. (D1); execução do FGTS saneamento a 60% (C1); pilotos de locação social (B2); agro abaixo de 8% (E6); fundo-piloto de permanência no MCMV (B4); metas de localização e Entidades (B5) |
| 2029-2030 | Carteira de saneamento a R$ 150 bi; LIG a R$ 20 bi; cessões a R$ 20 bi; Norte e Nordeste com 1,2 agência por 100 mil hab.; revisão das metas para o ciclo seguinte |
| Risco | Efeito | Medidas afetadas | Salvaguarda |
|---|---|---|---|
| Juros altos por mais tempo (Selic de 14,25% em jun/2026) | Inadimplência e custo de captação maiores | A, B, E6 | Gatilhos de capital da A1 |
| Agronegócio | Novas provisões | E6, A1 | Limites de concentração |
| Queda do FGTS (arrecadação líquida de R$ 35,7 bi em 2023 para cerca de R$ 22,2 bi em 2025) | Menos recursos para habitação e saneamento | B1, C1 | Funding próprio do Eixo A |
| Pagamento à União acima do mínimo | Perda da principal fonte de capital | Todo o plano | Regra por gatilho e transparência |
| Interferência política na gestão | Desvio de metas | Todo o plano | E1 a E3 e Lei 13.303/2016 |
| MP 1.394/2026 não convertida | Concorrência das apostas | D4 | Plano com dois cenários |
| Ciberataques e fraudes | Perdas e desgaste de imagem | D3 | Indicadores públicos e investimento em segurança |
| Restrição fiscal dos entes | Menos crédito a estados e municípios | C2 | Concessões e PPPs via FEP |
Medidas sem equivalente direto em nenhum dos dois documentos: A1 (política de capital), A2 (IHCD) e E6 (agronegócio). Outras, como A3 e A4 (LIG e securitização), B2 (locação social), C4 (clima com FIRECE) e D1 (metas de rede por estado), dão instrumento e valor a propostas que nos documentos de origem eram genéricas.
| Proposta do Caixa 2030 | Medidas | Situação |
|---|---|---|
| 1 Principal instituição de execução de políticas | A8, C2, C3 | Incorporada, com remuneração e instrumentos |
| 2 Estratégia de habitação e desenvolvimento urbano | B1, B2, B3, A5 | Ampliada, com locação social |
| 3 Apoio financeiro e técnico a estados e municípios | C2, C3 | Incorporada, com limite do CMN e CAPAG |
| 4 Inclusão financeira e presença territorial | D1 | Ampliada, com mapa por município e UF |
| 5 Agência como posto de acesso a direitos | D2 | Incorporada, com indicadores |
| 6 Base de relacionamento como política | D3, D7, A8 | Incorporada, com indicador de retenção dos jovens |
| 7 Soberania digital | D6 | Incorporada, com os fatos confirmados pela nota da revista Caixa Brasil |
| 8 Estratégia digital e IA | D3 | Incorporada, com metas |
| 9 Novos negócios e diversificação de receitas | A9, D4 | Parcial |
| 10 Loterias | D4 | Atualizada pela MP 1.394/2026 |
| 11 Segurança cibernética | D3 | Incorporada, com indicadores públicos |
| 12 Infraestrutura pública digital | D3 | Incorporada |
| 13 Funding de longo prazo | A3, A4, A5, A6 | Ampliada, com instrumentos e valores |
| 14 Diversificar instrumentos financeiros | A3, A4, A6 | Incorporada |
| 15 Fundos garantidores | nenhuma | Não incluída: dados públicos insuficientes para dimensionar |
| 16 Financiamento do desenvolvimento sustentável | C1, C4, A6 | Incorporada |
| 17 Remuneração dos serviços de Estado | A7, A8 | Ampliada, com teto legal do FGTS |
| 18 Passivos de longo prazo | E5 | Incorporada, com valores |
| 19 Governança e profissionalização | E2, E3 | Incorporada |
| 20 Pessoas e conhecimento | E4 | Incorporada |
| 21 Valorização, diversidade e saúde | E5 | Parcial |
| 22 Painel de valor público | E1 | Incorporada, com indicadores definidos |
| Eixo da revista | Medidas | Situação |
|---|---|---|
| 1 Crédito como instrumento de desenvolvimento | A1 a A9, B1, C2 | Incorporado com a restrição de capital; redução de juros sem fonte de equalização não incluída |
| 2 Fortalecimento do FGTS e sua função social | A7, A10, C1 | Incorporado, com estudo de impacto e revisão do saque-aniversário |
| 3 Política habitacional ampliada e inclusiva | B2, B4, B5 | Incorporado; a troca da alienação fiduciária foi substituída pelo fundo de permanência |
| 4 Inclusão da população em situação de rua | D5 | Incorporado, com indicador de entregas |
| 5 Educação e transformação social | D7 | Parcial: universalizar o Pé-de-Meia, Passe Livre e reforma do FIES são decisões do MEC e do orçamento, fora da Caixa |
| 6 Soberania e transformação digital | D3, D6 | Incorporado, com inventário e cláusulas contratuais |
| 7 Valorização dos empregados | E4, E5 | Incorporado |
| 8 Governança com participação social | E1, E3, D5 | Incorporado: painel público e comitê intersetorial na pauta da população de rua |
Todos os números de partida vêm de fontes oficiais: relatórios trimestrais e demonstrações contábeis da Caixa (4T22 a 2T26), Banco Central (séries de juros, cadastro de agências e normas do CMN), IBGE (população por município), Tesouro Nacional (CAPAG e dividendos), Conselho Curador do FGTS e Congresso Nacional. Imprensa foi usada apenas onde não há fonte primária, sempre identificada.
Há três tipos de número, sempre distinguíveis: dado (publicado por fonte oficial), cálculo (operação aritmética da Henrichs sobre dados oficiais, com a conta explicitada) e meta (proposta da Henrichs). Nenhum dado foi estimado sem indicação.
Cadastro Informes_Agencias do Banco Central, posição de 18/10/2026 (13.662 agências), cruzado com a estimativa populacional do IBGE de 2025 para os 5.571 municípios. São 2.681 municípios sem agência bancária, 83 em que a Caixa é o único banco e 926 em que só há Caixa e/ou Banco do Brasil. O total de agências da Caixa no cadastro (2.986) difere ligeiramente do relatório do 2T26 (2.998) pela data de posição.