Estoques que estabilizam, armazéns que se pagam e uma empresa pública com contas claras. Quarenta e quatro medidas em oito eixos, com mapa de prioridades da rede, novas fontes de receita e uma estrutura mais enxuta, com dados da Conab, do IBGE e do orçamento federal. Elaborado por Pedro Paulo Henrichs Neto.
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Fontes: Conab, Relatório de Gestão 2016, Relatório da Administração 2024 e acordo com o BNDES (2025).
Conab que Abastece é o plano da Henrichs Consultoria para a Companhia Nacional de Abastecimento entre 2027 e 2030. Responde quanto a Conab custa e arrecada, quem trabalha nela, onde é eficiente, onde falha, se pode dar lucro, onde investir primeiro, como pagar a recuperação da rede e que receitas novas ela pode ter.
Cada medida tem diagnóstico, meta, caminho, custo ou retorno, riscos e quem decide. Nenhuma exige lei nova além das leis orçamentárias anuais.
Ela executa políticas da União: preço mínimo, estoques públicos, compras da agricultura familiar, informação de safra e doação de alimentos. O resultado contábil depende da subvenção do Tesouro, que fecha a conta todo ano (lucro de R$ 65,6 mi em 2022 e R$ 14,1 mi em 2024; prejuízo de R$ 4,8 mi em 2025). A pergunta certa é outra: quanto custa cada política e quanto a empresa consegue gerar com o que tem.
A subvenção para custeio e pessoal foi de R$ 1,33 bi em 2025, e a despesa de pessoal, de R$ 1,11 bi. A receita própria líquida cobriu 3,6% das despesas operacionais, contra 15,4% em 2018. A receita de armazenagem e aluguéis caiu de R$ 54,9 mi em 2023 para R$ 27,5 mi em 2025 (capítulo 3).
São 3.214 empregados (eram 5.021 em 2015). Em 2024, 46% tinham só o ensino fundamental; em 2023, 41% eram anistiados readmitidos pela Lei 8.878/1994. Nas unidades armazenadoras, 78% dos empregados têm mais de 60 anos, o que os impede de fazer tratamento fitossanitário. O concurso de 2025 (403 vagas) foi homologado em fevereiro de 2026 e começa a repor o quadro (capítulo 2).
Eram 94 unidades e 2,3 milhões de toneladas em 2016; hoje são 64 unidades e 1,66 milhão de toneladas estáticas, das quais só 0,9 milhão em condição de operar. Só duas unidades são certificadas. Entre 2018 e 2022 a empresa investiu R$ 6 mi na rede, contra uma necessidade de R$ 164 mi apontada pela própria auditoria interna. Uma unidade, Ponta Grossa (PR), fez 60,5% do faturamento de armazenagem para terceiros de 2024 (capítulo 5).
A meta de 2026 é de 1 milhão de toneladas; em julho havia cerca de 132 mil, quase tudo milho, com arroz e feijão na casa das centenas de toneladas. A dotação para formar estoques chega a R$ 1,5 bi em alguns anos, e o pago no exercício fica entre R$ 100 e 450 mi. O leilão de importação de arroz de 2024 foi anulado depois que parte das vencedoras se mostrou sem capacidade técnica e financeira comprovada (capítulos 4 e 5).
O levantamento de safra é referência do mercado ao lado do USDA e do IBGE. Em 2024 a Conab contratou R$ 310 mi do PAA com agricultores familiares. As vendas de milho em balcão a pequenos criadores cresceram 70% em 2024 e mais 34% em 2025. A Conab é a única estrutura federal com presença em todas as UFs capaz de comprar, guardar e entregar alimento em emergência, como fez nas enchentes do Rio Grande do Sul (capítulo 4).
As contas de 2024 e 2025 tiveram opinião com ressalva da auditoria independente, por controles internos frágeis (em 2024, também por estoques), com ênfase sobre o imobilizado: imóveis sem escritura em nome da empresa. Das 56 recomendações da auditoria interna em 2025, 12 foram atendidas (capítulo 5).
Gatilhos de preço para comprar e vender, metas por produto que caibam no armazém, contratos de opção como regra e prioridade à rede própria. A meta de 1 milhão de toneladas passa a ter caminho: 600 mil t em 2028 e 1 milhão em 2030 (Eixo C).
O plano separa a conta da política pública, que a União paga por contrato e com custo pleno conhecido, da conta do negócio (armazenagem, leilões para terceiros, serviços técnicos e imóveis), que tem de se pagar. A rede armazenadora pode chegar a 2030 com receita e custo evitado suficientes para cobrir o custo de pessoal da rede (Eixos A e B).
Sete unidades fizeram 92,6% do faturamento com terceiros em 2024; outras sete estão no cinturão onde a armazenagem cobre pouco mais da metade da safra (Mato Grosso 55%, Goiás 56%, Mato Grosso do Sul 51%). O plano organiza as 64 unidades em cinco grupos de prioridade, com mapa, e mostra como pagar a recuperação sem esperar só pelo Tesouro (capítulos 7 e 8).
Energia solar nos telhados e cessão de áreas, classificação de produtos, expurgo para terceiros, um monitor de cargas de grãos com notas fiscais e dados de pedágio, pátios e armazéns de retaguarda dos portos do Arco Norte e parcerias em que a União cede a área e um grande comprador constrói os silos, com receita dividida e reversão da obra (Eixo G).
27 superintendências passam a polos regionais com serviços compartilhados; 370 empregados trabalham hoje em outros órgãos, e a Conab não publica quem paga: a norma de cessão passa a exigir que o órgão de destino pague todo o custo, perde o prazo mínimo de 3 anos e ganha um teto de 5% por área; a tecnologia vai para a nuvem e os programas sociais podem receber bens apreendidos pela Receita (Eixo H).
Com as medidas, a receita própria líquida pode passar de cerca de R$ 50 mi para cerca de R$ 180 mi por ano em 2030, e as economias somam cerca de R$ 100 mi, das quais R$ 38 mi ficam com a União. A dependência do Tesouro cai de 96% para cerca de 86% das despesas operacionais. Em três cenários, o Tesouro deixa de pôr de R$ 190 mi a R$ 390 mi por ano em 2030; o maior depende de as cessões de empregados passarem a ser pagas por quem os recebe. Nenhuma medida exige lei nova além das leis orçamentárias anuais; só uma subsidiária, que o plano evita, exigiria (capítulos 17 e 19).
Pedro Paulo Henrichs Neto é fundador e CEO da Henrichs Consultoria, de Brasília, especializada em relações institucionais e governamentais, acompanhamento do Legislativo e do Executivo federal e inteligência de dados públicos.
Este plano junta essa experiência em gestão pública e em contratações do Estado à leitura das demonstrações contábeis, dos relatórios de auditoria, do orçamento e dos dados abertos da Conab, do IBGE e do Banco Central.
Foi chefe de gabinete de deputado federal na Câmara dos Deputados (2018) e subsecretário de Participação Social do Governo do Distrito Federal (2011 a 2013).
Começou a carreira no Banco do Brasil, como escriturário (2004 a 2006), e foi assessor técnico e político do Sindicato dos Bancários de Brasília (2006 a 2010), acompanhando as negociações coletivas da categoria.
Presidiu o Fórum de Juventude dos BRICS (2014 a 2016) e foi observador eleitoral internacional credenciado em mais de 20 eleições nas Américas, na Europa e na Ásia.
Graduado em Gestão Pública pelo IESB e mestrando em Ciência Política e Relações Internacionais no IDP. Concluiu em 2026 a formação internacional em inovação, liderança, conformidade e gestão de risco da Escola de Management da Sorbonne (Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne).
A Henrichs Consultoria desenvolve sistemas próprios de acompanhamento legislativo e painéis de inteligência sobre dados públicos, usados na produção deste plano.
A subvenção do Tesouro para custeio e pessoal foi de R$ 1,33 bi em 2025, e a despesa de pessoal, de R$ 1,11 bi. A receita de armazenagem e aluguéis caiu de R$ 54,9 mi em 2023 para R$ 27,5 mi em 2025. O resultado contábil oscila perto de zero porque a subvenção fecha a conta todo ano.
| R$ milhões | 2018 | 2022 | 2023 | 2024 | 2025 |
|---|---|---|---|---|---|
| Subvenção do Tesouro | 899,5 | 1.030,0 | 1.311,5 | 1.260,7 | 1.327,2 |
| Despesa de pessoal | 845,6 | 912,7 | 1.264,9 | 1.082,6 | 1.105,5 |
| Armazenagem e aluguéis | 31,3 | 35,3 | 54,9 | 48,9 | 27,5 |
| Resultado líquido | -6,1 | 65,6 | -30,3 | 14,1 | -4,8 |
Em 2024, 46% tinham só o ensino fundamental, 24% o médio e 30% o superior; em 2023, 41% eram anistiados readmitidos pela Lei 8.878/1994. Nas 64 unidades armazenadoras, 78% dos 504 empregados têm mais de 60 anos, e a NR-31 proíbe quem tem mais de 60 de manipular agrotóxicos, como a fosfina do expurgo. O concurso de 2025 (403 vagas) foi homologado em fevereiro de 2026. Em maio de 2026, 370 empregados trabalhavam em outros órgãos.
Sete unidades fizeram 92,6% do faturamento com terceiros em 2024; Ponta Grossa sozinha, 60,5%. Mato Grosso guarda 55% do que colhe, Goiás 56%, Mato Grosso do Sul 51%, Maranhão 39% e Bahia 36%. O plano investe primeiro nas unidades que devolvem receita mais rápido e usa as do Norte e do Matopiba como base de parcerias para a retaguarda dos portos.
| Grupo | Unidades | Capacidade | O que fazer |
|---|---|---|---|
| 1. Já faturam | Ponta Grossa, Cambé e Rolândia (PR); Uberlândia (MG); Garça (SP); Formoso do Araguaia (TO); Brasília (DF) | 867,5 mil t | Concluir obras, certificar até 2027 e vender capacidade por contrato |
| 2. Cinturão do déficit | Sorriso e Rondonópolis (MT); Rio Verde, Pontalina, Goiânia e São Luís de Montes Belos (GO); Campo Grande (MS) | 269,4 mil t | Reformar com o acordo do BNDES e ofertar a cooperativas |
| 3. Fronteira e Arco Norte | Imperatriz e São Luís (MA); Teresina e Floriano (PI); Irecê (BA); Ananindeua (PA); Porto Velho (RO) | 113,2 mil t | Base de pátios e armazéns de retaguarda dos portos, em parceria |
| 4. Certificação e café | Uberaba e Varginha (MG); Colatina e Cachoeiro de Itapemirim (ES); Bernardino de Campos (SP) | 186,4 mil t | Certificar e ofertar armazenagem e classificação |
| 5. Política pública | 38 unidades: 28 no Nordeste, 4 no Norte, 4 em Minas e 2 no Sul | 244,1 mil t | Manter e avaliar pelo custo por tonelada; solar primeiro |
Preço mínimo, estoque público e compra da agricultura familiar custam por definição. O plano separa a conta da política pública, paga pela União por contrato e com custo conhecido, da conta do negócio (armazenagem, leilões para terceiros, serviços, energia e imóveis), que tem de se pagar.
| R$ milhões por ano, 2030 | Hoje (2025) | Conservador | Intermediário | Ampliado |
|---|---|---|---|---|
| Despesas operacionais | 1.382 | 1.319 | 1.230 | 1.142 |
| Receita própria líquida | 50 | 180 | 180 | 198 |
| Subvenção necessária do Tesouro | 1.332 | 1.139 | 1.050 | 944 |
| Dependência do Tesouro | 96% | 86% | 85% | 83% |
| O Tesouro deixa de pôr | 193 | 282 | 388 |
Intermediário: metade das cessões de empregados ressarcidas ou encerradas e metade da economia do desligamento voluntário. Ampliado: todas as cessões, desligamento pleno e usina solar própria. Cálculo da Henrichs Consultoria, em reais de 2025.
Só duas das 64 unidades armazenadoras são certificadas (Cambé e Ponta Grossa, 26,85% da capacidade). Sem certificação, a unidade não pode guardar produto de quem precisa de armazém qualificado, não emite títulos de depósito e perde o cliente para o armazém privado ou da cooperativa.
Investimento estimado de R$ 250 a 400 mi até 2028. Os acordos em curso somam até R$ 230 mi, e a alienação ainda depende de avaliação e licitação; a diferença, de R$ 20 a 170 mi, vem de uma segunda fase de alienações (A4) ou do orçamento. Condição para as receitas de A2 e A3.
Obra atrasada ou mal feita. Salvaguarda: contratação por desempenho, com o regime de execução da Lei 13.303/2016 adequado a cada obra e matriz de riscos no contrato.
Diretoria Executiva e Conselho de Administração da Conab.
A receita de armazenagem e aluguéis na demonstração de resultado caiu de R$ 54,9 mi em 2023 para R$ 27,5 mi em 2025; do faturamento para terceiros de 2024 (R$ 38,9 mi), 60,5% veio de Ponta Grossa. A Conab paga à rede privada credenciada R$ 3,95 por tonelada a cada quinzena para guardar estoques públicos (cerca de R$ 95 por tonelada por ano): esse é o preço de mercado que ela pode cobrar. Cooperativas pequenas e agricultores familiares têm pouca oferta de armazém a esse preço.
Com 1,2 milhão de toneladas operacionais e metade ocupada por terceiros, a armazenagem rende cerca de R$ 57 mi por ano, e os serviços, R$ 30 a 40 mi (cálculo da Henrichs).
Conflito entre a reserva para estoques públicos e o cliente privado. Salvaguarda: capacidade reservada para a política definida a cada safra (A6), com cláusula de prioridade em emergência.
Diretoria de Operações e Abastecimento da Conab.
O produto guardado em armazém certificado pode lastrear o Certificado de Depósito Agropecuário e o Warrant Agropecuário (CDA/WA, Lei 11.076/2004) e a Cédula de Produto Rural. Com isso o produtor vende na hora certa em vez de vender na colheita, quando o preço é menor. O agricultor familiar quase não usa esses instrumentos porque não tem armazém qualificado perto.
Receita de armazenagem (incluída em A2) e de emissão e guarda dos títulos. O ganho maior é do produtor, que deixa de vender na baixa.
Responsabilidade do depositário por perda de produto. Salvaguarda: seguro e controle de estoque por unidade (F1).
Diretoria Executiva da Conab; bancos públicos.
A Conab tinha 183 imóveis em 2022, muitos ociosos ou sem escritura em nome da empresa. Oito armazéns desativados custam R$ 8 mi por ano. Em 2025 a Conab contratou o BNDES para estruturar a alienação de nove imóveis com contrapartida de reformas, sem custo ao Tesouro. Em 2021, 124 imóveis chegaram a ser qualificados no PPI para concessão, e a qualificação foi revogada em 2023.
Economia de cerca de R$ 8 mi por ano com os armazéns desativados; valor de permuta da segunda fase a definir pela avaliação (a primeira foi de R$ 175 mi).
Venda abaixo do valor ou perda de capacidade estratégica. Salvaguarda: avaliação independente e veto da área de abastecimento a imóveis estratégicos.
Conselho de Administração da Conab; BNDES; Secretaria do Patrimônio da União quando houver interface.
A Conab não publica o resultado por unidade armazenadora. Ponta Grossa sustenta a receita da rede, e não se sabe quantas unidades cobrem o próprio custo.
Custo baixo. É o instrumento para saber se a rede se paga.
Fechar unidade necessária à política pública por critério só financeiro. Salvaguarda: unidades do grupo "manter para política pública" são avaliadas pelo custo por tonelada guardada, não pelo lucro.
Diretoria Administrativa, Financeira e de Fiscalização da Conab.
A Conab paga armazéns privados para guardar estoques públicos enquanto tem capacidade própria parada. Cada tonelada guardada em armazém próprio evita cerca de R$ 95 por ano de tarifa.
Custo evitado de cerca de R$ 38 mi por ano com 400 mil toneladas (cálculo da Henrichs com a tarifa pública de 2025).
Armazém próprio longe do consumo ou da produção. Salvaguarda: comparação do custo total, com frete, antes de remover.
Diretoria de Operações e Abastecimento da Conab.
A Conab executa políticas de vários ministérios (MDA, MDS, Mapa, Fazenda) por transferências avulsas (R$ 981 mi em 2025), sem remuneração pelo custo de operar. O custo de pessoal e de estrutura dessas políticas aparece como "subvenção" genérica. A Caixa, ao operar FGTS e programas sociais, recebe tarifa por serviço.
Com taxa de 4% sobre o volume de 2025, a Conab receberia cerca de R$ 39 mi por ano em remuneração de serviços. Para a União o custo total não muda; muda a transparência: cada ministério passa a ver quanto custa a política que encomenda.
Ser lido como aumento de gasto. Salvaguarda: a remuneração substitui parte da subvenção, com neutralidade fiscal demonstrada.
Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar; Ministério da Fazenda; Ministério do Planejamento e Orçamento (SOF); SEST/MGI.
Não se sabe quanto custa à Conab cada tonelada de milho vendida em balcão, cada agricultor atendido pelo PAA ou cada levantamento de safra. Sem isso, não há como comparar com outras formas de fazer a política nem cobrar eficiência.
Custo baixo. Base de B1 e da defesa pública da empresa.
Rateio arbitrário. Salvaguarda: método publicado e revisado pela auditoria interna.
Diretoria Executiva da Conab.
A dotação para formar estoques muda muito de um ano para o outro (R$ 1,54 bi em 2024, R$ 830 mi em 2025), e o pagamento no exercício fica muito abaixo dela, porque a compra depende do preço de mercado. Sem previsibilidade, não há como planejar armazém, frete nem pessoal.
Não aumenta o gasto médio; reduz a volatilidade e o custo de operar no improviso.
Restrição fiscal. Salvaguarda: limite plurianual ajustável por gatilho de preço.
Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar; Ministério da Fazenda; Ministério do Planejamento e Orçamento; Junta de Execução Orçamentária.
A terceirização de serviços técnicos é a maior despesa administrativa da Conab (R$ 186,7 mi em 2025, contra R$ 168,1 mi em 2024). Parte dela substitui o pessoal que a rede armazenadora não tem mais, parte é estrutural.
Economia de cerca de R$ 19 mi por ano.
Perda de serviço essencial. Salvaguarda: revisão por função, com fiscalização técnica registrada.
Diretoria Administrativa, Financeira e de Fiscalização da Conab.
Não há regra publicada sobre quando a Conab compra e vende estoques públicos fora do preço mínimo. A decisão de importar arroz em 2024 foi tomada em emergência, por medida provisória, e terminou em leilão anulado.
Custo baixo. Reduz o risco de compras e vendas improvisadas.
Regra rígida em crise. Salvaguarda: cláusula de emergência com justificativa pública.
Conselho de Administração da Conab; MDA; Mapa; comitê gestor da Política Nacional de Abastecimento Alimentar.
A meta de 1 milhão de toneladas para 2026 está longe do realizado (cerca de 132 mil t em julho) e não tem cronograma por produto nem vínculo com a capacidade operacional da rede.
O custo depende do preço de compra e é recuperado em parte na venda; a guarda na rede própria é coberta por A6.
Perda de qualidade do produto estocado. Salvaguarda: rotação de estoques e unidades certificadas (A1).
MDA e Conab.
Em 2025 a Conab negociou contratos de opção de arroz para 109 mil toneladas. O contrato de opção dá ao produtor a garantia de preço futuro e à União a opção de comprar sem precisar de dinheiro imediato, e é mais barato que a compra direta na baixa.
Reduz o desembolso imediato e o custo de armazenagem antes da necessidade.
Exercício concentrado das opções em ano de preço baixo. Salvaguarda: limites por safra e por produto.
Conab; MDA.
As vendas de milho em balcão a pequenos criadores cresceram de 65,9 mil t em 2023 para cerca de 150 mil t em 2025. O valor financeiro do programa não é publicado.
Usa estoque público já existente; o custo é a diferença entre o preço de compra e o de venda, mais a logística.
Desvio para revenda. Salvaguarda: limite por criador e cruzamento com cadastros.
Conab; MDA.
O PAA operado pela Conab voltou a crescer (R$ 310,7 mi em 2024 e R$ 431,4 mi recebidos em 2025, contra demanda de R$ 1,8 bi). O TCU já encontrou irregularidades relevantes no programa (Acórdão 646/2017).
Custo baixo frente ao volume operado; protege o programa contra cortes motivados por denúncia.
Burocratizar o acesso de quem mais precisa. Salvaguarda: verificação posterior, não exigência prévia de papel.
Conab; MDS e MDA.
O levantamento de safra é o ativo mais valioso da Conab. O mercado depende dele, mas o interesse medido pela própria empresa ficou abaixo da meta em 2024 (41,7% contra 56%), e não há avaliação pública da precisão das estimativas.
Custo baixo. Não gera receita direta; reforça a razão de existir da empresa.
Pressão para cobrar pelo dado. Salvaguarda: a informação básica continua pública; serviços sob encomenda são tratados em D3.
Diretoria de Política Agrícola e Informações da Conab.
O regulamento da Conab já permite operar leilões e pregões para produtores, cooperativas e demais agentes por meio de bolsas, com remuneração pela bolsa operadora. O Siscoe é uma plataforma conhecida do mercado, mas essa linha de receita não aparece separada nas contas.
Com comissão de 0,5% sobre R$ 2 bi, cerca de R$ 10 mi por ano.
Fraude em leilão de terceiro com a marca da Conab. Salvaguarda: habilitação reforçada (F2) e responsabilidade da bolsa operadora.
Diretoria de Operações e Abastecimento da Conab.
Estados e municípios compram alimentos (merenda escolar, cestas, programas estaduais) e montam centrais de abastecimento sem estrutura técnica. A Conab sabe operar compras públicas de alimentos, classificar produto, montar logística e acompanhar preços.
Premissa de R$ 1 mi por contrato por ano: cerca de R$ 20 mi por ano em 2030.
Desviar pessoal da política federal. Salvaguarda: equipes dimensionadas e custo cobrado integralmente.
Diretoria Executiva da Conab.
O Prohort acompanha preços e volumes de frutas e hortaliças nas principais Ceasas (54 pesquisadas em 2025, 26 integradas ao sistema). É a melhor fonte de preço de hortifrúti do país, pouco usada pela política de abastecimento.
Custo baixo.
Adesão desigual das Ceasas. Salvaguarda: apoio técnico e acesso aos dados como contrapartida.
Conab; Ceasas e governos estaduais.
O crédito do Plano Safra mais que dobrou desde 2021/22 (R$ 251 bi, com o Pronaf), e só a agricultura empresarial teve R$ 516 bi em 2025/26, mas a política de comercialização (preço mínimo, prêmios, opções) continua pequena e intermitente. A informação de custo de produção da Conab é usada para fixar o preço mínimo, mas o instrumento chega a poucos produtos e regiões.
Custo baixo para a Conab; o custo das operações é da União e segue a regra de C1.
Pressão de setores por preço mínimo acima do custo. Salvaguarda: método público de cálculo.
Mapa, MDA e Fazenda; Conab como executora e fonte técnica.
O concurso de 2025 (403 vagas, homologado em fevereiro de 2026) é o primeiro desde 2014. O quadro caiu de 5.021 para 3.214 empregados, com idade média alta e 41% de anistiados, que vão sair nos próximos anos.
Custo da reposição dentro do teto de pessoal, porque as saídas são maiores que as entradas.
Reposição sem foco. Salvaguarda: vaga só com perfil e lotação definidos.
Diretoria de Desenvolvimento, Inovação e Gestão de Pessoas da Conab; SEST.
Nas unidades armazenadoras, 78% dos 504 empregados têm mais de 60 anos. Pela NR-31, norma do trabalho rural, maiores de 60 anos não podem manipular agrotóxicos, e o expurgo dos grãos é feito com fosfina. A empresa terceiriza o expurgo e outras tarefas básicas. A Conab já fez um programa de demissão voluntária em 2017 (cerca de 1.280 adesões) e um de desligamento incentivado em 2022 (213 adesões).
Conta ilustrativa: as adesões vêm de toda a empresa, em geral de cargos com salário menor que a média. Com 300 adesões e custo de cerca de R$ 170 mil por ano cada (metade da média da empresa), a economia é de cerca de R$ 50 mi por ano, contra uma indenização de cerca de um ano de salário paga uma vez. Parte volta como custo dos concursados, que entram ganhando menos (assistente com salário-base de R$ 3.459,87). Na rede, o custo de pessoal, estimado pela média da empresa como teto, passa de cerca de R$ 170 mi para cerca de R$ 130 mi em 2030 (cálculo da Henrichs).
Saída rápida demais e perda de conhecimento. Salvaguarda: saída escalonada por unidade, só depois da mentoria.
Diretoria de Desenvolvimento, Inovação e Gestão de Pessoas e Diretoria de Operações e Abastecimento da Conab; SEST; negociação coletiva.
O plano de cargos vigente é de 2009, com resíduos do plano de 1991. Não diferencia funções técnicas, comerciais e operacionais da rede armazenadora nem valoriza a qualificação de forma clara. A remuneração média é menor que a de outras estatais dependentes, como Embrapa e Codevasf.
Impacto a ser calculado na proposta; financiado em parte pela redução do quadro total.
Custo maior que o previsto. Salvaguarda: transição gradual e adesão voluntária.
Conselho de Administração da Conab; SEST; negociação coletiva.
A entrada de centenas de empregados novos em uma empresa com média de idade alta exige formação estruturada em armazenagem, classificação, comercialização, compras públicas e controle.
Custo baixo frente ao risco de erro operacional.
Formação desconectada da prática. Salvaguarda: parte prática nas unidades certificadas.
Diretoria de Desenvolvimento, Inovação e Gestão de Pessoas da Conab.
As sentenças trabalhistas custaram R$ 217 mi em 2023 e R$ 58,8 mi em 2024 na demonstração de resultado (em 2025 a queda reflete em parte mudança de registro; no orçamento foram pagos R$ 44,3 mi), e as provisões trabalhistas somavam R$ 126,9 mi em 2025. Parte do passivo vem de questões repetidas de enquadramento e pagamento.
Redução do custo de sentenças e de juros de mora; valor depende do levantamento.
Acordos acima do devido. Salvaguarda: parecer jurídico e aprovação colegiada.
Diretoria Executiva e Conselho de Administração da Conab; AGU quando cabível.
Estágio não substitui empregado: a Lei 11.788/2008 o define como formação supervisionada, com até 6 horas por dia e 2 anos no máximo, e o uso como mão de obra transforma o vínculo em emprego. Na Conab, a vaga só é preenchida por concurso (Constituição, art. 37, II), e menores de 18 anos não podem fazer expurgo. A Conab não publica quantos estagiários tem.
Bolsa e auxílio-transporte de cerca de R$ 1.500 por mês: cerca de R$ 2,7 mi por ano para 150 vagas (cálculo da Henrichs).
Uso do estagiário como mão de obra. Salvaguarda: plano de atividades, supervisor designado e auditoria de RH.
Diretoria de Desenvolvimento, Inovação e Gestão de Pessoas da Conab.
A auditoria independente fez ressalva sobre os estoques nas contas de 2024, e o Comitê de Auditoria recomendou apurar divergências nos estoques em 2025. Sem conciliação entre o estoque físico e o contábil, a empresa não pode responder pelo que guarda nem vender serviço de armazém.
Custo do inventário; evita perdas e é condição para A2 e A3.
Revelar perdas antigas. Salvaguarda: tratamento contábil transparente, com nota explicativa.
Diretoria Administrativa, Financeira e de Fiscalização; Auditoria Interna; Comitê de Auditoria.
No leilão de importação de arroz de 2024, parte das vencedoras não tinha capacidade técnica e financeira comprovada para contratos de cerca de R$ 1,3 bi. O leilão foi anulado, mas o dano à imagem ficou.
Custo baixo; evita a repetição de 2024.
Restringir a competição. Salvaguarda: exigências proporcionais ao valor e ao objeto, justificadas no edital.
Diretoria Executiva e Conselho de Administração da Conab.
Em 2025, só 12 das 56 recomendações da auditoria interna foram atendidas (21%). As contas de 2024 e 2025 tiveram opinião com ressalva.
Custo baixo.
Atendimento formal sem mudança real. Salvaguarda: verificação pela auditoria interna.
Conselho de Administração da Conab.
A auditoria interna apontou necessidade de melhorar a automação e a interface do sistema de comercialização (Siscom), que opera com a plataforma de leilões (Siscoe). O controle de estoques e a gestão dos pagamentos (56,6% no prazo em 2024) dependem de sistemas antigos.
Investimento a dimensionar no plano diretor; condição para D2 e F1.
Projeto de tecnologia que atrasa. Salvaguarda: entregas por etapas, cada uma com uso real.
Diretoria Executiva da Conab; comitê de governança digital.
Os dados de estoques, rede armazenadora, políticas e custos estão espalhados em relatórios anuais, atas e planilhas. Sem um painel único, a sociedade e o próprio governo não acompanham a empresa.
Custo baixo.
Exposição de informação comercial. Salvaguarda: dados agregados por unidade e produto.
Diretoria Executiva e Conselho de Administração da Conab.
A Conab lançou em novembro de 2025 o programa Armazéns Solares, com 21 unidades previstas, investimento inicial de cerca de R$ 6,9 mi e anúncio de chegar às 64 unidades. Em Canoas (RS), a usina deve gerar cerca de 186 MWh por ano e economizar R$ 65 mil; as fontes divergem sobre o custo (R$ 480 mil a R$ 620 mil), o que dá retorno simples de 7 a 9,5 anos. Pela capacidade e pelo tipo dos 127 armazéns, os telhados somam cerca de 690 mil m² (cálculo da Henrichs), espaço para cerca de 72 MW de painéis em metade da área, com geração de cerca de 93 milhões de kWh por ano. Só Ponta Grossa, Uberlândia, Colatina e Rolândia têm espaço para cerca de 27 MW.
Três cenários: (a) consumo próprio e cessão em poucas unidades, R$ 5 a 10 mi por ano; (b) cessão de todos os telhados, cerca de R$ 4 mi de economia própria mais R$ 3 a 6 mi de aluguel; (c) investimento próprio de R$ 245 a 310 mi em 72 MW, com receita bruta de cerca de R$ 28 mi e líquida de cerca de R$ 25 mi por ano (energia a R$ 0,30 por kWh), retorno em 9 a 11 anos (cálculo da Henrichs).
Telhado velho que não aguenta painel. Salvaguarda: laudo estrutural antes e reforma do telhado no mesmo contrato.
Diretoria Executiva da Conab; Aneel, para usinas acima de 3 MW.
A classificação vegetal é obrigatória nas compras e vendas do poder público e no produto que vai direto ao consumo (Lei 9.972/2000). A Conab contrata empresas credenciadas e paga de R$ 2,80 a R$ 3,77 por tonelada (tabela de 2025). Ela já manteve um posto de classificação de café no Espírito Santo. A lei permite credenciar pessoas jurídicas especializadas, cooperativas e órgãos públicos (art. 4º, com a redação da Lei 14.515/2022).
Com 1,5 milhão de toneladas classificadas por ano a R$ 3,50, cerca de R$ 5 mi por ano, além da economia nos contratos que a Conab paga hoje (cálculo da Henrichs).
Conflito de interesse. Salvaguarda: segregação de funções e auditoria por amostra.
Conab; Ministério da Agricultura (credenciamento).
A Conab paga R$ 28,60 por metro cúbico de expurgo em contratos de terceirização. Só no porto de Santos foram 799 tratamentos em 2024, com 18 empresas credenciadas. Cooperativas pequenas e armazéns do interior têm pouca oferta.
Economia nos contratos de terceirização e receita estimada de R$ 2 a 5 mi por ano (cálculo da Henrichs).
Acidente com fosfina. Salvaguarda: protocolo de segurança, aplicador habilitado e seguro.
Diretoria de Operações e Abastecimento da Conab.
Todo caminhão com carga emite nota fiscal eletrônica e manifesto de carga (MDF-e), e as praças de pedágio contam veículos por eixo. A ANTT publica o volume por praça em dados abertos. A Conab já usa notas fiscais obtidas com a Receita para levantar preços desde 2020. Os contratos de concessão rodoviária da ANTT reservam uma verba de desenvolvimento tecnológico: 0,25% da receita bruta nos contratos antigos e de R$ 0,85 a 3,77 mi por ano nos recentes. Em 2024, a ANTT autorizou usar essa verba numa parceria com a UFSC.
Receita de R$ 1 a 4 mi por ano em projetos com concessionárias. O valor maior é público: informação que nenhum órgão tem hoje. Uma fatia do pedágio para a Conab exigiria lei e seria dinheiro da União com outro nome; por isso o plano propõe os dados, não a fatia.
Uso indevido de dado fiscal. Salvaguarda: só dados agregados e anonimizados, sob convênio.
Conab; Receita Federal e Secretarias de Fazenda; ANTT.
Os portos do Arco Norte embarcaram 58,1 Mt de soja e milho em 2025, 39,5% do total. Miritituba (PA) transbordou cerca de 15 Mt, e em fevereiro de 2026 a fila chegou a 40 km, com cerca de mil caminhões para pátios de 200 a 500 vagas. Em São Luís, a capacidade estática de armazéns equivale a 3,6% do fluxo anual de grãos do Itaqui. A Conab tem unidades em Imperatriz, São Luís, Ananindeua e Porto Velho.
Com 300 mil toneladas a R$ 95 por tonelada por ano, mais as tarifas de pátio, cerca de R$ 20 a 40 mi por ano para a parceria a partir de 2030, divididos conforme o contrato (cálculo da Henrichs).
Investimento alto e concorrência privada. Salvaguarda: capital do parceiro e foco no gargalo (pátio e pulmão), não no terminal de embarque.
Conselho de Administração da Conab; Secretaria do Patrimônio da União; Ministério de Portos e Aeroportos; Antaq quando dentro do porto organizado.
Grandes compradores de grãos investem pesado em logística no Brasil. A chinesa COFCO, por exemplo, embarcou cerca de 17 Mt do país em 2024, inaugurou em 2025 um terminal em Santos de US$ 285 milhões com 490 mil toneladas de armazenagem e tem 20 silos em Mato Grosso. A União tem áreas, e a Conab tem a operação, a marca pública e unidades onde falta armazém.
O investimento é do parceiro. Uma participação de 10% a 20% na receita de um armazém de 200 mil toneladas daria à Conab de R$ 2 a 4 mi por ano, além da capacidade reservada para os estoques públicos (cálculo da Henrichs).
Dependência de um comprador estrangeiro e questionamento de soberania alimentar. Salvaguarda: chamamento aberto, limite de participação por grupo, prioridade pública em crise e reversão dos ativos.
Conselho de Administração da Conab; MDA; Secretaria do Patrimônio da União; Ministério das Relações Exteriores e Casa Civil, pela dimensão estratégica.
O Brasil importou 6,9 Mt de trigo em 2025 e moeu 13,3 Mt. Moinhos e fábricas de ração precisam de estoque de passagem perto dos portos e dos centros de consumo. Em fevereiro de 2025, cerca de 200 mil toneladas da capacidade da Conab estavam ocupadas com trigo, sobretudo em Ponta Grossa. No Nordeste, as unidades perto de portos (Maracanaú, Recife, Natal e São Luís) somam cerca de 75 mil toneladas.
Até cerca de R$ 19 mi por ano com 200 mil toneladas pela tarifa de referência; incluído em parte na meta de faturamento de A2 (cálculo da Henrichs).
Ocupar capacidade necessária aos estoques públicos. Salvaguarda: reserva definida por safra (A6).
Diretoria de Operações e Abastecimento da Conab.
O Brasil levou o PAA à África com a FAO e o Programa Mundial de Alimentos (mais de US$ 2,3 mi em 2012). A Conab cedeu técnicos e capacitou angolanos em 2024, mas os acordos foram sem contrapartida financeira, como o protocolo de 2021 com o Centro de Excelência contra a Fome.
Estimativa de R$ 1 a 3 mi por ano (cálculo da Henrichs). O ganho maior é de reputação.
Desviar técnicos da operação. Salvaguarda: equipe dimensionada e custo cobrado integralmente.
Conab; Ministério das Relações Exteriores (ABC).
As debêntures incentivadas e as de infraestrutura dão benefício fiscal a quem financia projetos de setores prioritários (Lei 12.431/2011 e Lei 14.801/2024). O Decreto 11.964/2024 já inclui estações de transbordo de carga e instalações portuárias, mas não a armazenagem de grãos no interior, e o projeto precisa estar ligado a uma concessão, permissão, autorização ou arrendamento.
Não gera receita direta; reduz o custo de capital dos parceiros e torna as parcerias viáveis.
Renúncia fiscal questionada. Salvaguarda: limite de projetos e prioridade a regiões com déficit de armazenagem.
Ministério da Fazenda (decreto); MDA e Ministério da Agricultura.
A Conab mantém 27 superintendências regionais, uma por unidade da federação, cada uma com setores próprios de pessoal, finanças, contratos e administração. A matriz tinha 836 empregados em 2023. Muitas superintendências têm poucos empregados e operações pequenas.
Conta ilustrativa: se 30% do quadro está em atividade-meio (cerca de 960 pessoas) e 20% dessas vagas não forem repostas, a economia é de cerca de R$ 65 mi por ano em plena escala; o plano conta metade até 2030 (cálculo da Henrichs).
Perda de presença política nos estados. Salvaguarda: escritório estadual mantido onde há unidade armazenadora ou operação relevante.
Conselho de Administração da Conab; SEST.
Em maio de 2026, 370 empregados da Conab trabalhavam em outros órgãos (11,5% da folha), a maioria em universidades federais (81), institutos federais (53), Ministério Público do Trabalho (48), Ministério da Agricultura (35) e INSS (24). Eram 444 em setembro de 2022. A Conab não publica quem paga esses salários. A norma interna de cessão (NOC 60.113, 2ª versão, de julho de 2023) proíbe ceder quem tem menos de 3 anos de casa, exigência que não está no Decreto 10.835/2021 nem nos Regulamentos de Pessoal, mas não condiciona a cessão ao pagamento do custo pelo órgão de destino nem limita quantos podem sair de cada área. A própria norma manda revisá-la a cada 2 anos, e a revisão venceu em julho de 2025.
Cada cessão sem ressarcimento custa à Conab cerca de R$ 344 mil por ano (custo médio por empregado). Se metade das 370 cessões passar a ser ressarcida ou terminar, a economia é de cerca de R$ 64 mi por ano; se todas, até R$ 127 mi. O número real depende do levantamento (cálculo da Henrichs).
Perder canais com órgãos parceiros e contrariar empregados. Salvaguarda: teto por área em vez de proibição geral, fim do prazo de 3 anos e transição no vencimento de cada cessão.
Diretoria Executiva da Conab (norma interna); Diretoria de Desenvolvimento, Inovação e Gestão de Pessoas; órgãos de destino; negociação coletiva.
O Plano Diretor de Tecnologia da Informação 2025-2028 prevê R$ 35,55 mi (R$ 20,96 mi de investimento e R$ 14,59 mi de custeio) e aponta computadores e servidores fora de garantia, servidores locais nas superintendências e uma equipe de tecnologia com 15 analistas a menos que o necessário (96 pessoas no dimensionamento de 2021).
Redução de custos com manutenção de servidores locais e da necessidade de investimento em equipamentos de datacenter previstos no plano diretor.
Migração que interrompe operação. Salvaguarda: migração por etapas e sistema por sistema.
Diretoria Executiva da Conab; comitê de governança digital.
A Receita Federal destina mercadorias apreendidas por incorporação a órgãos públicos (Portaria RFB 200/2022, com a redação da Portaria RFB 690/2026). Empresas públicas federais podem receber quando prestam serviço público sem fins lucrativos e em regime de exclusividade, e só para campanhas, programas ou ações de caráter social (art. 14, II, "b"). Órgãos da administração direta, como o MDA e o MDS, podem receber para uso geral.
Reduz compras de equipamentos para os programas sociais; o valor depende do que a Receita tiver disponível.
Equipamento sem garantia ou incompatível. Salvaguarda: triagem técnica antes de aceitar.
Conab; Receita Federal; MDA.
Dados das demonstrações contábeis, notas explicativas e relatórios de auditoria da Conab (2018 a 2025), do Portal da Transparência (2015 a 2026), das páginas das 64 unidades armazenadoras, do IBGE (Pesquisa de Estoques) e da Conab (safra e logística). Receita própria líquida: lucro bruto, receitas diversas, outros resultados e resultado financeiro; despesas operacionais: pessoal mais despesas comerciais e administrativas. Os cálculos e as metas são da Henrichs Consultoria e estão descritos no PDF. Números conferidos por revisão independente.